segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Frio mais frio não há

Sábado, apesar do frio e das ameaças de neve, saímos para pedalar na montanha, com esperança de chegar a algum cume completamente branco. Não encontramos a neve, mas a neve encontrou-nos a nós. Já ao final da tarde, junto com chuva muito fria caíam flocos de neve em cima de nós, e nós ríamos e pensávamos que só podemos ser loucos por estar ali. E numa questão de poucos minutos as temperaturas caíram tanto que estou convencida de que nunca tinha tido tanto frio na minha vida. As minhas mãos e os meus pés doíam tanto que em mais que uma altura achei que não ia conseguir chegar a casa. 
Sim, sábado estava um óptimo dia para aproveitar o sofá, os cobertores, os livros e um chá quente, mas hoje não estaria tão feliz se não tivesse apanhado aquele frio horrível. Felicidade e pingo no nariz, é o resultado da pedalada de sábado e de domingo. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Diz que é um concurso literário

A boa da Pipinha disse: Escrevei. E eu escrevi:


Eu gosto é da Primavera
E de andar pela rua a espirrar
A porcaria do frio, já era
E as pessoas já não passam a vida a reclamar.
A Primavera é alegria, a Primavera é amor
Atchim... Atchim... (desculpem lá)
A Primavera são roupas frescas, a Primavera é cor,
Atchim... Atchim... (que merda, pá)

Eu gosto é do Verão
E de andar sempre a suar
Ponho metade das mamas de fora
E mal consigo respirar.
No Verão vai tudo a correr para a praia
E eu vou para a montanha pedalar
Quando me virem alapada na areia
Por favor, mandem-me internar.

Eu gosto é do Outono,
E de ver as folhas a cair
Esta é a minha estação do ano preferida
Neste poema não vos posso mentir.
No Outono cheira a terra molhada
E há um mundo inteiro para curtir
O Natal está quase a chegar
E só me apetece dormir sorrir.

Eu gosto é do Inverno
E de passear de guarda-chuva na mão
Sentar-me a ler e a comer chocolates no sofá
E de ficar gorda como um leitão.
No Inverno, mesmo a tremer de frio
Vou andar de bicicleta a chover
No final tomo um banho bem quente
E depois vou para o sofá foder.


O meu pai diz-me desde pequena
E é hoje que vos vou contar
Filha, tu gostas de toda a puta merda
E isto, este poema pode provar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Loira também quer dar dicas de maquilhagem e beleza à blogosfera nacional

Acordem bem cedo e coloquem creme e protector solar, ao fazê-lo dividam o vosso rosto a meio, a parte superior aos olhos e a parte inferior, na parte inferior podem colocar o creme e o protector à vossa vontade, na parte superior não se atrevam sequer a tocar, têm de sair de casa com essa zona do rosto completamente limpa, a não ser que queiram que aquela porcaria vos entre toda para os olhos ao primeiro sinal de suor. Não há necessidade de se pentearem, o capacete é fabuloso para as desgrenhadas. A demonstração que vos trago hoje demora exactamente 50 km de chuva e lama a ser conseguida, mas o resultado final é fantástico, como poderão comprovar mais à frente. Durante o processo o vosso rosto será sujeito a uma esfoliação à base de pingos de chuva fria com lavagem e massagem intensivas e gotas enviadas primeiro na perpendicular e depois na oblíqua, a uma média de 20 km por hora, com pepitas de areias naturais oriundas de uma praia de mar revolto e frio no norte de Portugal, salpicos de pedras e mistura de uma substância granular de alcatrão essencial. Aplicação de uma máscara de lama proveniente das montanhas e dos trilhos mais espectaculares, com extracto de bosta e uma pequena amostra de argila. Restauração corporal intensiva com três linhas de tratamento à escolha: mato, silvas e urtigas. E ainda, para o vosso cabelo, uma máscara reconstrutora e uma ampola de tratamento instantâneo à base de sedimento terroso do solo, mais vulgarmente conhecido como lama. Completamente grátis, completamente natural, resultado garantido e comprovado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Há coisas boas num dia de chuva

Estar completamente encharcada e no meio da montanha. Tremer de frio e não ter um só bocadinho de corpo seco e confortável. Sonhar com um banho quente, o sofá, um bom livro e um chá, saber que daqui a uns quilómetros é possível. Curtir a lama, ainda que mal se consiga abrir os olhos com os salpicos de chuva e de terra. Sorrir, olhar para o céu e colocar a língua de fora. Lamber a chuva e tomar-lhe o sabor é uma sensação de liberdade indescritível. Experimentem, experimentem e contem-me como foi.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Que gente estranha, esta que me rodeia

Levantam-se de madrugada, ao domingo, e chegam sempre atrasados para o almoço. Fazem planos para os sábados e abdicam de muitas coisas para os poder concretizar. Partem em viagens de mochila às costas sempre que podem. Qualquer tempo livre que tenham pensam em aproveitar de uma só forma. Não se importam de andar debaixo de chuva ou enterrados na lama, não se importam com o frio ou com o calor, não se importam com a sede ou com a fome. Não se importam de chegar à meta cobertos de sujidade. Não se importam com o suor ou com as lágrimas. Discutem sobre suspensões totais ou semi-rígidas, rodas 26, 27,5 ou 29, discutem sobre Fox ou Rock Sohx, sobre 1 prato, 2 ou 3 na pedaleira, falam de carbono e alumínio, tubeless e câmaras de ar, xt ou xtr, pedais de encaixe e luvas ou meias que prometem a melhor protecção contra o frio, discutem sobre casacos que nunca nos protegem verdadeiramente da tempestade. Falam de cada peça da bicicleta em gramas. Gastam fortunas na bicicleta e no material que a equipa. Tratam dela como se fosse a coisa mais valiosa do mundo, e é. Têm sempre a bicicleta mais bonita e a melhor. Ganham amigos para toda a vida. E arriscam, arriscam sempre. Falam de quedas como uma coisa natural. Falam das lesões como se fossem uma medalha. Têm todos os dias histórias para contar, porque todas as vezes que saem de casa para pedalar vão viver uma aventura. Que gente estranha, esta que me rodeia, e que parece sempre feliz e apaixonada. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Dia 21 de Fevereiro de 2010

Fez ontem 6 anos que comecei a pedalar. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e todos os outros que se seguiram fez de mim uma pessoa diferente, fez-me olhar para a vida e para o mundo de outra perspectiva, ensinou-me a analisar as pessoas de uma forma que nunca conseguiria e o mais importante, ensinou-me a conhecer-me a mim própria, como nunca tinha sido capaz. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e nunca ter desistido de ir uma, e outra, e outra vez, fez-me conhecer locais que nunca conheceria por outros meios, trouxe para a minha vida pessoas sem as quais já não me consigo imaginar, proporcionou-me as maiores dores e os maiores prazeres, fez-me sentir as coisas, o mundo, a vida de um modo especial. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e todos os dias fez-me olhar para mim com orgulho, fez-me gostar mais de mim, fez-me parar muitas vezes para pensar que sou mesmo eu, que estou mesmo a fazer aquilo, que sou espectacular, fez-me admirar a minha coragem, gostar de nós é único, todos deveriam saber o que isso é. Claro que já me senti muito mal na montanha, claro que já me apeteceu milhões de vezes deixar a bicicleta para trás e vir a pé para casa, sentar-me confortavelmente no sofá a ler, mas essa sensação passa muito depressa, não há meta que não traga alegria, orgulho e ensinamento, não há meta que não peça mais, não há meta que não seja um novo começo. Ir com a minha bicicleta para a montanha dá-me histórias, experiência, sorrisos, pessoas, lágrimas, emoções, dores, prazer, sítios, amizades eternas, dá-me inumeráveis sentimentos, dá-me vida. Ontem, hoje, olho para trás e não sei como seria se não fosse assim, porque isso fez de mim grande parte daquilo que sou hoje.
Estas palavras não são novas, já as usei anteriormente, mas são tão verdadeiras que não resisti a repetir a sua conjugação, porque é exactamente isto que me vai na alma.

No dia 21 de Fevereiro de 2010, há 6 anos atrás, fui pela primeira vez andar com a minha bicicleta para a montanha. Já fiz milhares de km desde esse dia. Neste momento estou numa fase menos boa, depois da queda, se por um lado ainda não consegui recuperar a confiança e na maior parte das descidas bloqueio, por outro ainda tenho muitas dores no braço e quando não bloqueio e quero mesmo descer não tenho força para controlar a bicicleta. Ainda assim, ontem, 6 anos depois, fui conquistar mais uma vez a montanha, porque não poderia deixar de o fazer.
No dia 21 de Fevereiro de 2010, há 6 anos atrás, fui pela primeira vez pedalar para a montanha, não comemoro a data, lembrei-me hoje por acaso, mas devia fazê-lo, naquele dia, há 6 anos atrás, nasceu em mim uma nova forma de vida.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Atrás de uma grande fotografia, está sempre uma grande história #1


Em Agosto passado decidi pedalar de casa até Santiago de Compostela pelo Caminho completamente sozinha. Tinha comprado a minha bicicleta nova há cerca de quatro meses e ainda não me tinha cansado com ela, apesar de já termos feito juntas milhares de km, entre os quais duas grandes viagens, estava por isso com a sensação de que era a super mulher. Isto levou-me a colocar demasiado peso na minha bagagem, um erro que sei há muito tempo que nunca devemos cometer.
Armada em parva, levei alforge e mochila, ambos cheios, quando tinha de pegar na bicicleta à mão não tinha posição para a agarrar e isso fazia com que tivesse de a arrastar, o que me provocava fortes dores nos braços e nos ombros, que traziam o peso da mochila. Levei uma roupa para cada dia, para não ter de me preocupar em lavar nenhuma peça. Levei um livro para ler, apesar de não ter lido nem uma página. Levei uma agenda para escrever, apesar de também ter levado o tablet e o telemóvel. Levei todo o material que havia lá em casa para reparar a bicicleta em caso de avaria, apesar de a maior parte dele eu não fazer a mais pequena ideia para que caralho servia. Levei ainda as coisas essenciais, que levo em todas as viagens.
Obviamente que não fiz a viagem com a facilidade a que estava habituada, todo o peso extra, o facto de ir sozinha e o calor que se fazia sentir fizeram-me sentir cansada algumas vezes, mas principalmente uma.
Passou-se no segundo dia, quando eu já tinha percebido há muito que arranjar onde dormir não seria tarefa fácil e quando segundo os meus cálculos, que por acaso estavam completamente errados, eu estava atrasadíssima para aquilo que tinha planeado e nunca na vida conseguiria chegar a horas decentes à cidade que queria, para poder arranjar uma cama e descansar algum tempo. Estava quase a chegar a hora de almoço em Espanha e a subida nunca mais acabava, eu ainda só tinha comido um pêssego e um tomate e estava cheia de fome, o calor fazia com que mal conseguisse respirar e uma inclinação que normalmente faria a brincar fez-me saltar fora da bicicleta para percorrer o trajecto a pé, enquanto a arrastava atrás de mim. Naquele momento senti-me completamente sozinha, completamente sem força e completamente destronada. Resolvi sentar-me um pouco e comer uns frutos secos, precisava respirar e pensar. O meu pai fazia anos por isso telefonei-lhe. Quando desliguei telefonei ao Moreno, que pelo meu tom de voz percebeu imediatamente que algo se passava, expliquei-lhe o que estava a sentir e ele, com aquela mania que tem de me proteger, desprotegendo-me, disse-me que quem decidiu ir sozinha fui eu, que estar ali era aquilo que eu queria e que só tinha duas opções, se me sentisse capaz continuava, se não arranjava onde ficar naquela zona e adiava a minha chegada a Santiago. Depois de desligar o telefone, respirei fundo, senti-me novamente capaz, peguei na bicicleta e continuei, uns metros mais à frente olhei para a seta que me apontava para cima, a subida continuava, e li aquele "segue o teu coração", que marcou a minha viagem, o meu caminho solitário. Nesse dia  e em todos os outros cheguei cedo, muito mais cedo do que aquilo que poderia imaginar, no meio do cansaço acabei por fazer a viagem muito bem e com a certeza de que seguir o meu coração é sempre o melhor caminho.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tragédia matinal

Estão a ver quando, enquanto separam a roupa acabada de lavar e secar, percebem que uma das meias não tem par? Quando pensam, e pensam, e voltam a pensar e têm a certeza absoluta que colocaram as duas meias na máquina de lavar no dia anterior? Quando voltam atrás para perceber se a meia não jaz no chão da vossa casa, algures entre o local da máquina de secar e do quarto que usam para separar a roupa? Quando vão a correr, e já em pânico, ao balde da roupa suja para perceber se a certeza que tinham de a ter colocado na máquina, era afinal uma incerteza? Quando voltam às máquinas de lavar e secar a roupa na esperança de ela ter ficado esquecida algures nas profundezas daqueles espaços? Quando vão a correr para junto da roupa já dobrada e separada e voltam a desdobrar e a juntar a roupa, e voam peças, na esperança que a meia esteja no meio de um lençol dobrado ou dentro de uma perna de calças que esperam para ser engomadas? 
Nunca vos aconteceu tal coisa? Então parabéns, estão no bom caminho para se tornarem umas perfeitas Bloggers de sucesso.
Já vos aconteceu isso montes de vezes e não percebem onde está o drama? Então vão lá às vossas vidas que este post não é para vocês.
Percebem-me perfeitamente? Compreendem a tortura, o medo, o pânico, a aflição, a falta de ar, a taquicardia, os suores frios, as tonturas, o tormento que é não saber de uma meia? Então imaginem tudo isso a dobrar, a triplicar, a quadruplicar. Imaginem o que é para mim não saber onde caralho se enfiou uma das minhas fashion meias das pedaladas.
Uma tragédia, é o que vos digo, uma tragédia matinal, foi o que me aconteceu.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Blog meu... Blog meu... há em toda a blogosfera gaja mais fashion do que eu?

A Su, uma das pessoas que este Blog me ofereceu e que as incríveis coincidências da vida aproximou ainda mais de mim, enviou-me a prenda mais espectacular de todo o Blogo Mundo e arredores. A prenda que faz de mim a Blogger mais Fashion de todo o sempre, amém. A prenda que faz de mim uma Loira muito feliz. A prenda mais personalizada de que há memória. A prenda que conta histórias, palavras, aventuras, que conta momentos muito meus. Quem tem Loiretes tem tudo.


Palmier, um agradecimento especial para ti, que além de teres desenhado a imagem do meu Blog, pelo que ouvi dizer, ajudaste muito na construção da prenda.

Parabéns à Loira

A miúda que adora pessoas, que adora as expressões, que adora tentar adivinhar o que está por trás de cada rosto, o que lhes vai na alma. A miúda dos livros, das letras, a miúda que carrega sempre consigo o peso das páginas. A vaidosa. A perfecionista. A amiga. A namorada. A filha. A miúda que pedala, a louca por bicicletas. A miúda das aventuras. A mimada. A teimosa. A chata. Às vezes, a insuportável. A miúda das meias altas. A maluca. A louca. A miúda das piadas. A miúda que gosta de escrever. A miúda do Blog. A miúda que adora as entrelinhas, dos textos, das histórias, da vida. A miúda da natureza. A miúda das montanhas. A miúda dos amigos. A louca por compras. A louca por livros. A miúda das viagens ao pedal. A miúda do chá quente e dos cobertores. A miúda das mil e uma coisas. A miúda sem tempo. A miúda com todo o tempo do mundo. A miúda que tem de fazer um esforço para responder quando lhe perguntam a idade, porque apesar da idade, ainda acha que é uma miúda. Parabéns à Loira, a mim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Felizmente nunca sonhei ser actriz (ou: merdas que só me trazem problemas)

Quando gosto, gosto a sério, adoro, amo. Quando gosto brilha-me o olhar, o sorriso, a expressão, palpita-me o coração. Quando gosto abraço, beijo, faço carinhos, demonstro.
Quando não gosto não sei disfarçar, não consigo olhar nos olhos, não consigo sorrir. Quando não gosto até estar perto me incomoda. Quando não gosto não consigo arranjar um simples tema para uma conversa, por mais que tente não me sai nada, não sei sequer falar sobre o tempo. Para mim, um lindo dia de sol ou uma porcaria de uma semana em que a chuva não pára só merecem ser comentados com as pessoas de quem gosto. Quando não gosto toda a gente percebe que não gosto.

Às vezes só precisava ser um pouco actriz, neste palco que é a vida.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Assobiar para o alto

Uma das coisas que adoro fazer quando começam a aparecer os primeiros sinais da Primavera, ou quando, como é hoje o caso, finalmente aparece o sol depois de tantos dias de chuva, é de assobiar para o alto. No meio da montanha, num jardim, ou num meio mais rural, basta assobiar uns segundos para que logo os pássaros nos respondam com cânticos alegres e radiantes.
Aprendi a fazê-lo quando assobiava ao meu pai e ele me respondia de longe da mesma forma, certo dia não era o meu pai a responder, mas um pássaro que aprendeu a imitar-nos e quase sempre nos conseguia enganar. Eu e o meu pai continuamos a assobiar um ao outro e a fazer muitas vezes cantar os pássaros.
Hoje está sol, os pássaros responderam-me, cantaram para mim, para nós.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Dia dos namorados


Ou nascemos um para o outro, ou foram as meias que nos uniram. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Os meus livros #10 - História da Menina Perdida

Sinopse
Deixando o marido em Florença, Elena volta a Nápoles para viver com Nino Sarratore, esperando que este se separe da mulher. É agora uma escritora reconhecida e procura escapar ao ambiente conflituoso do bairro onde cresceu e a sua família continua a viver. Evita encontrar Lila. Mas as duas amigas de infância não conseguem manter-se distantes e acabam mesmo por engravidar ao mesmo tempo, o que lhes permite reencontrar, por algum tempo, a passada cumplicidade.




Não me farto de dizer isto, os quatro volumes de A Amiga Genial são fantásticos, apaixonei-me por eles desde a primeira página e agora que terminei de ler a história da Lila e da Elena estou cheia de saudades delas.

Os meus livros #9 - Travessuras da Menina Má

Sinopse
Qual o verdadeiro rosto do amor? Ricardo vê cumprido, muito cedo na vida, o sonho que sempre alimentara de viver em Paris. Mas o reencontro com um amor da adolescência mudará tudo. Essa jovem, inconformista, aventureira, pragmática e inquieta, arrastá-lo-á para fora do estreito mundo das suas ambições. Criando uma admirável tensão entre o cómico e o trágico, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para dar vida a uma história na qual o amor se nos revela indefinível, senhor de mil caras, tal como a menina má. Paixão e distância, sorte e destino, dor e prazer... Qual é o verdadeiro rosto do amor?



Gostei tanto, tanto, tanto deste livro que quando terminei de o ler só me apetecia começar outra vez.

Os meus livros #8 - O gosto proibido do Gengibre

Sinopse
1986. Henry Lee, um americano de ascendência chinesa, junta-se a uma multidão que se encontra à porta do Hotel Panama, outrora o ponto de encontro da comunidade japonesa de Seattle. O hotel esteve entaipado durante décadas, mas a sua nova proprietária descobriu na cave poeirenta os pertences das famílias japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de internamento. Quando uma sombrinha de bambu é exibida, Henry recua quarenta anos e recorda Keiko, uma jovem de ascendência japonesa com quem criou um profundo laço de amizade e de amor inocente que ultrapassaram os preconceitos ancestrais que opunham as duas comunidades. Quando Keiko e a sua família são enviados para um campo, apenas resta aos dois jovens esperar que a guerra termine para que as promessas que fizeram um ao outro se possam finalmente cumprir.
Passados quarenta anos, Henry, agora viúvo, ainda tenta encontrar uma explicação para o vazio que o acompanhou desde então; para a atitude distante de um pai que nunca entendeu; para a relação difícil com o filho; e, sobretudo, uma explicação para as suas próprias escolhas.
O Gosto Proibido do Gengibre é um romance extraordinário, que nos revela uma das épocas mais conflituosas da História dos Estados Unidos.

Li O Gosto proibido do Gengibre na altura ideal para mim, andava muito cansada naqueles dias e este livro tão leve, tão fácil, tão simples, acabou por me fazer muito bem.

Os meus livros #7 - Raga - abordagem do continente invisível

Sinopse
Diz-se que a Oceania é o continente invisível. Le Clézio não tinha imaginado que o mito se encontrava com a realidade: nesta narrativa em que o real e o imaginário se entrelaçam, em que o poema aflora, o autor convida-nos para a descoberta de uma cultura oceânica, a orientação pelas estrelas, a meditação sobre a imensidão do mar, o amor das mães que protegem os seus filhos da tempestade. Viagem iniciática, abordagem da beleza rumo à humanidade, este texto abre uma reflexão e uma crítica da mundialização que ameaça a harmonia de uma civilização preciosa mas frágil.




Uma pequena, grande viagem.

Os meus livros #6 - Crónicas do Mal de Amor

Sinopse
«Ferrante disse que gosta de escrever histórias "em que a escrita é clara, honesta, e em que os factos — os factos da vida normal — prendem extraordinariamente o leitor". Com efeito, a sua prosa possui uma clareza despojada, e é muitas vezes aforística e contida (…). Mas o que os seus primeiros romances têm de electrizante é que, ao acompanhar complacentemente as situações desesperadas das suas personagens, a própria escrita de Ferrante não conhece limites, está ansiosa por levar cada pensamento para diante, até à sua mais radical conclusão, e para trás, até à sua mais radical origem. Isto é sobretudo óbvio na forma destemida como os seus narradores femininos pensam sobre filhos e sobre maternidade.»
Do Prefácio de James Wood




Elena Ferrante escreve como ninguém. No entanto este livro acabou por me desiludir um pouco, depois dos três primeiros volumes de A Amiga Genial e de estar à espera ansiosamente pelo quarto este livro distanciou-se tanto daquilo a que me habituei da escritora que nunca me consegui ligar completamente a ele. Será um livro para reler mais tarde, claramente escolhi-o numa má altura.

Recuperação, a felicidade

Sete dias antes não me conseguia mexer, qualquer movimento me fazia dores intensas, não conseguia caminhar naturalmente e tentar dormir era um tormento, o único sítio onde as dores pareciam adormecer um pouco era no sofá, mas até aí não conseguia estar durante muito tempo. No sábado fui pedalar um pouco, ainda com dores, mas precisava perceber como me sentia em cima da bicicleta. Sentia-me bem, sentia-me espectacular por estar ali, debaixo da chuva, a fazer o que mais gosto. No domingo fui à maratona que estava planeada há muito e acho que nunca fui tão feliz. O sentimento de incapacidade é tão horrível que quando percebi que conseguia pedalar me senti radiante, eufórica, única. Fiz a maratona toda a curtir cada momento e a dizer: "Uau... Adoro isto."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Momentos muito especias

A meio da nossa pedalada paramos para lanchar e descansar um pouco, conversamos, rimos, tiramos umas fotos. Ao nosso lado uma senhora já muito velhinha fazia um grande esforço para ler, eu sentei-me junto dela e puxei conversa, perguntei que livro estava ela a ler e ela contou-me do livro e do autor, de como era difícil ler com os problemas de visão, falou-me de tantos livros que tinha lido ao longo da vida, falou-me dos tempos em que viveu em África e da filha, sempre com um olhar muito meigo e muito doce. Eu contei-lhe da minha paixão pelos livros e disse-lhe que por isso não resisti a falar com ela. Antes de eu vir embora fez-me um mimo no rosto, tocou-me como quem abençoa alguém, eu desejei-lhe tudo de bom e segui caminho, com um grande sorriso e de coração cheio. As paixões unem as pessoas.


Quando cheguei a casa um dos meus amigos enviou-me a foto, que tirou sem eu perceber, deste momento tão especial, e eu hei-de agradecer-lhe sempre por ter captado isto.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Escrever é difícil

Às vezes falta o tema. Às vezes falta a inspiração. Às vezes podemos ter a coisa mais espectacular do mundo para contar e não encontrar uma só palavra que encaixe na outra, que descreva aquilo que vivemos. Às vezes falta o tempo. Às vezes falta a vontade. Às vezes escrever nem sequer faz sentido. Às vezes escrever é maravilhoso. Às vezes as palavras surgem na cabeça uma atrás da outra, fluem com tanta facilidade e rapidez que se não as transcrevemos depressa nos fogem para sempre, como grãos de areia ao vento. Às vezes escrever é uma obrigação. Às vezes escrever é uma aflição. Às vezes escrever é uma terapia. Escrever é acima de tudo um desafio, talvez por isso, mesmo quando escrever é difícil, escrever é uma paixão. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Caí, e agora?

Consigo visualizar todas as minhas quedas de bicicleta, consigo ver a pedra da qual me devia ter desviado, consigo ver a raiz que me prendeu a roda, consigo ver as pedras molhadas e o pneu da frente a escorregar, consigo ver o meu corpo a ser projectado para o chão, consigo perceber, ainda que em milésimas de segundos que vou cair, por vezes consigo até ver a minha reacção ao tentar proteger o meu corpo da queda, ao tentar cair da melhor maneira possível, ao tentar tapar o rosto para que a bicicleta não lhe acerte em cheio.
Consigo visualizar todas as minhas quedas de bicicleta menos a que me aconteceu no sábado. Estava a descer um trilho por onde passo centenas de vezes, conheço demasiado bem aquele chão, conheço as pedras mais divertidas, escolho sempre o sítio pior para me divertir mais, dou saltos e brinco com a bicicleta, desço sempre a uma velocidade incrível. Sábado não aconteceu nada diferente a não ser o facto de por um segundo perder o controlo da bicicleta, não me lembro de nada, não consegui perceber que estava a cair e muito menos porquê, segundo o meu amigo, que vinha na minha roda, soltou-se uma pedra por baixo do meu pneu, o guiador virou-se e eu voei pelo ar. Eu não me lembro de nada e é isso que me está a fazer confusão, num minuto estou em cima da bicicleta e a seguir sinto a minha cabeça a bater no chão e o capacete a saltar, nada mais, só percebi que tinha caído quando já me estava a levantar. Cair é uma merda, mas aliado a isso ter esta sensação de inexplicável é pior ainda.

Caí, e agora? Levantei-me, sacudi o pó, tentei perceber se estava bem, peguei na bicicleta e fui para casa a pedalar, ainda que cada pedalada me custasse horrores. Estou aqui a rezar, para que me passem as dores rapidamente, preciso mais do que nunca de ir pedalar. 

A Loira também tem uma caixa para os seus leitores

E claro, é a melhor caixa da blogosfera. Vocês não sabem o que está lá dentro e só vão saber quando a receberem. Claro que depois de a receberem têm de mandar-me uma foto com o conteúdo, para que todos os outros morram de inveja por não terem ficado com a caixa mais fixe do mundo. Uma pista? Claro que dou, tem tudo a ver comigo e com o Blog, aliás, basta olhar para o Blog. Quantas caixas há? Só esta, única e exclusiva no mundo e arredores. E quanto custa? É uma espécie de leilão, vamos ver quem dá mais (graxa), vamos ver quem merece realmente esta caixa. Como? Convençam-me que merecem esta caixa e o que está lá dentro mais do que ninguém e esta caixa será vossa. Convençam-me com palavras. 
Eu, se fosse a vocês não perdia tempo, ia já ali para a caixa de comentários dizer que me amam de corpo e alma e que não podem viver sem mim. Sem mim e sem a caixa, que tem não uma, não duas, mas três coisas, todas diferentes, todas iguais. Um... dois... três... Anda alguém por aí? 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eu? Eu tenho o Sr. Virgílio e a Dona Adelaide

Ela prepara tudo no dia anterior e ele ajuda. Nunca me dizem o que vai ser o almoço porque é sempre surpresa. É sempre coisa que eu goste, não é difícil, eu gosto de praticamente tudo, mas quando são as minhas comidas preferidas há sempre uma grande festa. Olha só o que fiz para ti, é sempre o que ele me diz, enquanto ela resmunga lá dentro que não, que quem preparou tudo e teve a ideia foi ela. Ele é que põe a mesa, o meu lugar é o mesmo há anos e está sempre religiosamente à minha espera. Há sempre as minhas frutas preferidas e sempre maduras e doces, como eu gosto. Ele descasca-me as laranjas, ela põe a canela nos dióspiros. Ele acha sempre que comi pouco e ela acha sempre que estou demasiado magra, não estou. Quando como realmente pouco há sempre algo doce que ela me obriga a comer junto com o café. Quando não vou ficam tristes e quando calha de os avisar em cima da hora porque aconteceu um imprevisto no trabalho ficam mais tristes ainda, já aconteceu de ter de mandar o imprevisto às favas, ora porque era determinada comida, ora porque o meu prato já estava na mesa, apesar de ainda faltar mais de meia hora para eu chegar. Querem sempre saber como está a correr o meu dia e contam comigo para tudo. Ela faz o melhor café e ele dá o melhor abraço do mundo. A conta? A conta pago em beijos e em amor.

Tenho uma sorte incrível por poder almoçar todos os dias com os meus pais.



(Depois dos posts do Xilre, da Palmier, da NM, da Linda e do Tio Pipoco)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Não estou a ler nada

É expressão que não posso usar. Quando estou a acabar um livro já tenho outro de lado para ler, quando estou nas últimas páginas já tenho pousado junto a mim o próximo, às vezes ainda não comecei a ler um livro e já sei qual quero ler a seguir. Estou sempre a ler alguma coisa. 
Quando terminei História de quem vai e de quem fica, o terceiro volume de A amiga Genial de Elena Ferrante esperei ansiosamente pelo próximo livro. Sabia que o quarto volume só estaria disponível em Português no inicio do ano por isso esperei, e esperei, e esperei. Praticamente todos os dias ia verificar se já havia livro ou não, até que semana passada lá estava ele, História da Menina Perdida, lindo, fofo e disponível para compra. Encomendei-o imediatamente e rezei para que chegasse na sexta, estava a acabar O Gosto Proibido do Gengibre e já sonhava começar com o fim da história da Lila e da Elena.
Mas o livro não chegou na sexta e eu (tristíssima) fui para casa com a sensação de que estava tudo fodido. E estava. Acabei de ler O Gosto Proibido do Gengibre e se eu fosse minimamente inteligente não começava a ler mais nada, esperava que o tão esperado livro chegasse hoje para finalmente me atirar a ele de corpo e alma. Ainda por cima depois da queda de bicicleta eu mal podia com um livro. Mas não, sou burra que nem uma porta, não consegui esperar e comecei a ler Travessuras da Menina Má, que é tão bom, tão bom, tão bom, que não me apetece parar de ler, ontem, apessar de ainda estar a começar, por culpa dele perdi a fome, perdi o sono e só não perdi o juízo porque já não tenho nenhum.
E agora? Agora acaba de chegar História da Menina Perdida e eu já comecei a ler Travessuras da Menina Má, e não me apetece parar com um para começar com outro, e também não me apetece fazer esperar um porque estou a ler o outro, e também não me apetece ler os dois ao mesmo tempo porque prefiro concentrar-me num de cada vez.
O que é que eu faço? Meto uma semana de baixa com a desculpa de que tou toda fodida da queda de bicicleta e vou para casa ler? Corto os pulsos? Salto de uma ponte? Alguém que me ajude que eu tenho os dois livros aqui à minha frente e estou quase a ter um ataque de pânico. 

Tratamentos de beleza

Esfoliação à base de pingos de chuva fria com lavagem intensiva e gotas enviadas primeiro na perpendicular e depois na oblíqua, a uma média de 50 quilómetros por hora, com pepitas de areias naturais, salpicos de pedras e mistura de uma substância granular de alcatrão essencial. Aplicação de uma máscara de lama oriunda das montanhas e dos trilhos mais espectaculares, com extracto de bosta e uma pequena amostra de argila. Restauração intensiva com três linhas de tratamento à escolha: mato, silvas e urtigas. Massagem especial que consiste em atirar-se para o chão com toda a força possível e bater directamente nas pedras. 

Foi um dia do caralho, estou toda fodida, mas que ninguém me diga que não estou mais gira do que nunca.