quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ah... a fantástica sensação do dever cumprido...

Trabalhei muito, esforcei-me, fiz horas extras, trabalhei ao fim-de-semana, pensei em trabalho só em trabalho e pouco mais que trabalho. Tenho finalmente tudo organizado. Daqui a uns dias vou de férias com esta fantástica sensação de dever cumprido. Tão bom... nem consigo descrever este sentimento que me invade ao pensar nisto. Tão pouco consigo descrever o que é saber que quando voltar das férias tenho o trabalho todo atrasado outra vez. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ravishankar Ragavan

Li por estes dias o livro Quem quer ser bilionário, quando a adaptação ao cinema saiu, há anos atrás, o Ravi disse-me para o ir ver, teria ido de qualquer forma mas o Ravi explicou-me que o filme retratava a Índia dele, falou-me dos pormenores, disse-me para estar atenta a algumas coisas e falou-me de locais e de formas de vida que eu desconhecia por completo.
O Ravi trabalhou comigo durante alguns meses, tinha data marcada para regressar à Índia, estava de casamento marcado e tinha que ser naquela data exacta, nem mais um dia, nem menos um dia, os astros diziam que eles tinham que casar naquele dia, senão nunca mais casariam. O Ravi aproveitou a oportunidade única na vida de trabalho fora da Índia e veio, ainda que com a ressalva de voltar para aquele dia, o dia exacto que tinha de casar, senão nunca mais. E o Ravi regressou à sua Índia, com a notícia de que não poderia mais voltar e com a esperança que as coisas ainda pudessem mudar. O SEF não deu a autorização ao Ravi de voltar, apesar de ele ter residência em Portugal e de ter um contrato de trabalho assinado. A firma onde eu trabalhava na altura teve ainda de assinar um documento em que se responsabilizava por qualquer acto que o Ravi pudesse cometer enquanto esperava por outro avião na Alemanha, qualquer acto que ele pudesse cometer dentro do aeroporto durante um par de horas, uma vez que não tinha sequer autorização para sair do aeroporto, assim mesmo, como se fosse um foragido. O Ravi que só queria casar e voltar para cá já com a mulher para trabalhar, o Ravi que ficava com os olhos a brilhar só de falar na forma como conseguimos por cá organizar o trânsito e da limpeza nas ruas.
O Ravi partiu triste, com a esperança de voltar um dia, esperança essa que nunca mais se concretizou, mas voltou feliz, com um sorriso fantástico através das fotos do casamento. A vida é feita de opções e de oportunidades, mas há pessoas que nascem já com as oportunidades muito limitadas.
Enfim, o livro não tem nada a ver com o filme, o livro não me mostrou os pormenores da Índia do Ravi e não me emocionou como o filme, talvez a culpa tenha sido do Ravi mas eu passei o filme a chorar e a rir e a chorar novamente. Um destes dias tenho que rever o filme e mandar um email ao Ravi, há muito tempo que não tenho notícias dele.

segunda-feira, 28 de julho de 2014


As pessoas, sempre as pessoas.

Quando comecei a praticar BTT na cidade onde vivo seriam uns 30 que faziam o mesmo. Todos sabiam que se pedalava às terças e quintas às 20:00 H, aos sábados às 14:00 H e aos domingos às 08:30 H, partíamos sempre do mesmo local, todos sabiam disso, todos se juntavam para ir para o monte andar de bicicleta, para se divertir e para comer e beber com os amigos, eram todos amigos. Depois, andar de bicicleta virou uma moda e começaram a chegar os outros. Chegaram os que começaram a combinar partir exactamente à hora de sempre, mas num local diferente. Chegaram os que quiseram dividir as pessoas por grupos. Chegaram os que queriam competir. Chegaram os que queriam competir com os amigos. Chegaram os que só queriam elogios porque andavam muito. Chegaram os que quiseram criar o seu próprio grupo. Chegaram os que fizeram da bicicleta a sua vida. Chegaram os que se diziam amigos mas só ligavam quando precisavam de boleia. Chegaram os que se chatearam com os outros. Chegaram os que só olham para a bicicleta deles, que é como quem diz, para o umbigo deles. Chegaram os que fazem dos passeios uma corrida. Chegaram os que criticam tudo e todos. Chegaram os que "com aquele é que eu não ando". Chegaram os que são capazes de deixar um amigo para trás. Chegaram os que acham que os passeios deles são melhores do que os dos outros. Chegaram os que acham que são melhores que os outros. Chegaram muitos e o espírito inicial perdeu-se. Perdeu-se a cumplicidade que se tinha às terças e quintas à noite, aos sábados à tarde e aos domingos de manhã, sempre em frente da loja do Pedro, sempre para todos. Perdeu-se, mas não irremediavelmente, as coisas podem nunca mais ser como eram no início mas como em tudo na vida é fácil manter o espírito, o nosso espírito, basta pedalar com as pessoas que valem realmente a pena, porque as pessoas continuam a ser o mais importante, é só aprender a distinguir as pessoas, as nossas pessoas, e não se importar com as outras, como em tudo na vida.

sábado, 26 de julho de 2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Estes dias tenho-me lembrado muito desse dia

Enquanto estava a fazer O Caminho Francês de Santiago, quase há um ano atrás, houve um dia em que fiquei doente. Durante a noite tive uma paragem digestiva e quando acordei em Mansilla de Las Mulas sentia-me muito mal, tinha dores de estômago, dores de cabeça, estava enjoada e tinha uma sede indescritível. Preparamos tudo para partir e eu sempre doente, os meus companheiros de viagem tomaram o pequeno-almoço e partimos. Pouco tempo depois de ter começado a pedalar vomitei e fiquei a sentir-me ainda mais doente. Continuamos a pedalar, paramos algumas vezes durante o dia para os meus colegas comerem, eu não conseguia. Pedalei todo o dia sem comer, sentia-me fraca mas continuei a pedalar, por vezes ficava sem forças, recuperava e continuava. O destino pensado para esse dia era Astorga e chegamos lá a meio da tarde. Não consegui lanchar. Fomos visitar o palácio de Gaudi, estivemos numa festa popular que havia no centro da cidade e fomos ainda a uma bênção de peregrinos para a qual nos haviam convidado. Já depois, enquanto os meus colegas jantavam e eu olhava para eles a minha amiga disse-me com o ar mais natural do mundo que estava muito orgulhosa de mim por eu estar doente e ainda assim pedalar todo o dia, disse-me ela que eu podia muito bem ter parado a meio do percurso ou simplesmente nem ter saído de Mansilla de las Mulas. Só nesse exacto momento é que pensei nisso, durante todo o dia nunca pensei sequer em parar, nunca foi uma opção. Estes dias tenho-me lembrado muito desse dia, quando na nossa cabeça não há outra opção, continuar em frente é a única solução. Ainda bem que nesse dia nunca houve outra opção para mim a não ser o destino planeado e ainda bem que estes dia me tenho lembrado muito desse dia, sempre como um exemplo a seguir. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

" Caminhais em direcção da solidão. Eu não, eu tenho os livros" *



* Marguerite Duras

Blog meu... blog meu... há em toda a blogosfera alguém com o sentido de humor mais DO CARALHO que o meu?

Chega um colega de BTT, conhecido entre nós por bebé, muito bem acompanhado:

Bebé: - Então Loira, já conheces a minha quarta mulher?
Loira: - Olá...
Bebé: - Mas ainda não te tinham dito nada? Ainda não sabias?
Loira: - Sim, tinham-me dito que era psicóloga na Cerci.
Bebé: - Só isso? Mais nada?
Loira: - Só isso, eu até pensei que se é psicóloga na Cerci sem dúvida nenhuma será a mulher ideal para ti.

O verdadeiro drama doméstico (a tragédia, o horror)

Cair uma das estantes que suporta os livros a meio da noite. A estante ter caído é o menor dos problemas, podia era cair durante o dia, quando não está ninguém em casa, poupava-nos o susto.

Depois disto ninguém me segura (ou não...)

Apesar de ser uma verdadeira nódoa na cozinha há uma coisa que sempre fiz relativamente bem, as sobremesas. Obviamente que há uns anos atrás podia dizer que fazia bolos excelentes, mas agora não, agora chegaram as outras cheias de truques e de invenções e de arte, sim, arte para fazer um bolo e ninguém lhes consegue chegar aos calcanhares, para fazer bolos como elas quase é preciso tirar um curso superior e ainda assim não é qualquer uma que consegue chegar àquele nível. Isso fez de mim e dos meus bolos tristes e insignificantes, mas isso agora não importa nada. As minha sobremesas ficam sempre óptimas com a excepção do bolo de pudim, esse desgraçado que me fez experimentar um milhão de receitas diferentes e acabar sempre a comer a massa cozida directamente da  forma com uma colher. Sim, a porcaria do bolo de pudim nunca me saiu inteiro, apesar de eu ter tentado inúmeras vezes. Nunca me saiu inteiro até sexta-feira passada, fui para a cozinha com a determinação que é necessária para sofrer outro desgosto, segui todos os passos e deixei o bolo no forno o dobro do tempo que mandam nas receitas e afinal era só isso, depois de tantas tentativas falhadas só tinha que deixar o bolo no forno mais tempo. Quando desenformei o meu bolo de pudim vi a fama e a glória, vi-me em programas culinários e com livros de receitas, dei pulos de alegria e quase subi a um pódio imaginário depois comemos o bolo e nem sequer me lembrei de lhe tirar uma foto, não fosse essa minha falha e depois disto já ninguém me segurava.


Já agora, as pessoas que escrevem as receitas e nos mandam ligar o forno em primeiro lugar terão a noção de quanto tempo nós, simples mortais, demoramos a fazer a porcaria do bolo? E terão noção que o forno gasta luz? 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Lá haveria de chegar o dia de eu escrever sobre um outfit

Comprei um macacão (sim, para mim é um macacão) para usar no baptizado do João Pedro. Até lá só posso comer alfaces e ervilhas e ainda assim parece-me que vou ter de passar o dia sem respirar. 

Pedras no caminho?

Não as guardo todas. Um dia não vou construir um castelo. Pedras no caminho? É BTT puro e duro. Divirto-me com elas.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Não conheço o Gerês

Ainda sábado lá estive. Já lá fui um milhão de vezes. Não conheço o Gerês. Já o tentei descobrir de carro, depois a pé e agora de bicicleta, não consigo conhecer o Gerês. Por muitos km que faça, por muito que me entranhe nas suas profundezas, por muitos trilhos que percorra, vou descobrindo pouco a pouco a sua beleza, mas nunca é tudo, há sempre mais, o Gerês esconde sempre algo de novo para nos mostrar, nunca venho de lá sem a impressão que tenho ainda muito para descobrir. Nunca venho de lá sem estar convencida de que não há ninguém que conheça realmente o Gerês, mesmo as pessoas que lá vivem desde sempre e para sempre, acredito piamente que nem elas conseguem conhecer o Gerês na sua totalidade. O Gerês é um dos meus locais preferidos no mundo e quero continuar a percorrer cada fragmento da sua beleza, quero continuar a descobrir algo de novo em cada visita, quero voltar sempre de lá com esta convicção de que nunca vou conhecer o Gerês, é por isso que adoro lá ir, porque trago sempre algo de novo em mim.

Não é só a mim, pois não???

Ouvir o toque do telemóvel, procurar o telemóvel na mala, pensar pela milésima vez que é uma valente merda andar com a mala cheia de coisas, encontrar finalmente o telemóvel e não ter chamada nenhuma. Ficar a olhar para o telemóvel e a pensar o que terá acontecido, ele estava a tocar, ouvi perfeitamente que ele estava a tocar, aliás, continua a tocar, como é que é possível? Ah... a música vem do rádio.

Querido diário, que susto...

Então não é que eu ia atropelando uma ciclista ontem ao final do dia? Ela vinha sozinha e de alforges, eu olhei-a com admiração e com a cumplicidade de quem percebe muito bem aquilo que ela está a fazer. Reduzi e muito a velocidade só para a ver melhor, só para lhe sorrir. Mas a fazer uma rotunda, como ela vai pela direita eu deduzo que vai sair na primeira saída tal como eu e quando eu já estou a sair ela mete a bicicleta à frente do meu carro, o que nos safou (ou a ela, neste caso) foi o facto de eu vir a conduzir tão devagar por estar a admirar a sua coragem. Depois seguimos cada uma o seu destino, eu fiquei a tremer durante um bom tempo, imagino que ela também. Eu só conseguia pensar que havia a possibilidade de ela estar a fazer a viagem da vida dela, a cumprir um sonho maior e que um momento de distracção poderia ter posto tudo em causa. Como pode sempre, e eu sei disso muito bem.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ainda há Heróis

Tiago Machado, depois de ter ganho a volta à Eslovénia está a participar no Tour de France, com óptimos resultados, conseguindo estar sempre no top 20 e subindo ao 3.º lugar na geral. Esta semana sofreu uma queda muito grave quando ainda faltavam percorrer 100 km para atingir a meta. A opinião dos médicos era uma só, levar o Tiago para o hospital e assim terminar o Tour para ele, mas no segundo decisivo o Tiago montou uma bicicleta e mesmo com ferimentos graves e dores muito fortes pedalou sozinho até atingir a sua equipa que entretanto o esperava. Ainda assim, depois de tanto esforço o tempo que levou para chegar à meta foi demasiado e ele estava desqualificado. O Tiago chorou de tristeza mas a organização do Tour decidiu quebrar todas as regras e o Tiago pode continuar a pedalar pelo seu sonho.




Para mim é um orgulho ver este HOMEM representar o nosso país lá fora. Assim se faz um CAMPEÃO.

5 já estão, faltam poucos...