terça-feira, 30 de setembro de 2014
Nunca façam isto, a sério.
Há uns tempos atrás antes de começar a ler um livro pesquisava sobre ele, lia algumas opiniões, lia o que a Wikipédia tinha para me dizer sobre o livro, isso aumentava a minha curiosidade e a minha ansiedade em começar a ler rapidamente. Depois chegou um dia em que as minhas pesquisas me contaram que a Joana afinal morria no fim do livro, nunca mais pesquisei sobre um livro antes de terminar de o ler.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Sofrem de paixão (ou são malucos).
Na maioria das maratonas em que participo estão fotógrafos, normalmente não profissionais. Depois de ser identificada várias vezes nas fotos de um ou outro acabei por tornar-me "amiga" deles no Facebook. Pelo menos agora quando sorrio para a objectiva digo um "Olá Eduardo" e sinto-me bem por isso. Ao tornar-me "amiga" deles reparei que todos os fins-de-semana vão para provas, a maior parte deles mais que uma, vão de manhã para um lado, de tarde para outro, no sábado para uma cidade, no domingo para outra, perdem horas do seu tempo a fotografar os atletas que participam nas maratonas, tiram fotos realmente fantásticas. Alguns serão remunerados por isso, outros não, as fotos são publicadas gratuitamente no Facebook deles, como um presente para quem participou. Em alguns casos as organizações poderão pagar por isso, noutros não. Nos casos em que não são remunerados alguns poderão pensar que são malucos, eu digo que sofrem de paixão, a paixão pela fotografia, pela natureza, por registar momentos inesquecíveis a quem os viveu. Eu digo que sofrem de paixão, afinal, a mim, já me chamaram tantas vezes de maluca só porque também eu sofro de paixão.
Banho técnico
Quando vivia numa casa chegava toda molhada e enlameada, deixava a bicicleta na garagem e despia-me, deixava as roupas para mais tarde tratar, era só caminhar sem roupas para o tão esperado banho. Agora, no apartamento temos de subir as escadas com as bicicletas às costas, tirar o calçado cá fora, entrar pé ante pé em casa, sempre com cuidado para as bicicletas não sujarem nada (ou não sujarem muito) e ir até ao banho, tomamos banho primeiro vestidos e depois de já não haver restos de lama na roupa finalmente podemos livrar-nos dela e tomar o tão merecido banho.
Um destes dias tomava um destes banho, ainda vestida e lembrei-me daquela vez em que eu e a Sandrina acabamos uma maratona completamente molhadas, enlameadas e mortas de frio. No balneário tive essa excelente ideia, primeiro molharmos-nos vestidas, e a água estava tão quentinha e nós tínhamos tanto frio que ficamos assim por tempo indeterminado, depois decidimos despir as roupas já sem lama e finalmente tomar banho, os rapazes estavam à nossa espera esfomeados. No exacto momento em que começamos a tirar a roupa acabou a água quente e tivemos que tomar banho em água gelada.
Moral da história: Nunca tomar banhos técnicos fora de casa.
sábado, 27 de setembro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
"Nem sabes o que aconteceu"
Dois dos meus amigos ajudam regularmente uma instituição de crianças abandonadas, eu soube disto há pouco tempo, por acaso, mas eles fazem-no há anos. Contribuem monetariamente, ajudaram a instituição a editar um livro escrito pelos miúdos (um dia destes falo-vos disto) e organizam um passeio anual onde levam os miúdos em jipes todo-o-terreno a locais que nunca iriam de outra forma. Um destes dias estava a perguntar a um deles como tinha corrido o passeio este ano e ele contou-me pormenores entusiasmado, falou-me de conversas que teve com os miúdos, falou-me da felicidade e da euforia deles pelo passeio, falou-me de como contam os dias até chegar o grande dia. Contou-me também, ainda incrédulo, depois de um "nem sabes o que aconteceu" que tinham encomendado vários bolos, entre outras coisas, para o lanche. Na hora de ir buscar os bolos a dona da pastelaria estranhou eles irem buscar tantos bolos e tão grandes, conhece-os suficientemente bem para saber que não era normal e quis saber se havia alguma festa, eles disseram-lhe que iam passear com os miúdos e na hora de pagar a senhora ofereceu todos os bolos. O meu amigo continuava incrédulo, a senhora ofereceu os bolos assim, sem pedir nada em troca, sem pedir publicidade, sem retorno. Eu olhei para ele e sorri de coração cheio, o meu amigo ainda não tinha percebido que a senhora não fez mais que ele, que só ajuda pelo prazer de estar com os miúdos e de os ver felizes, sem publicitar o acto nem se vangloriar por isso. Uns dias depois o meu amigo voltou à pastelaria, levou uma fotografia de todos os miúdos e um agradecimento. A mim, não me sai da memória aquela expressão de admiração e de milagre quando ele me disse o "nem sabes o que aconteceu".
21 de Agosto de 2013, várias perspectivas da mesma subida
Várias subidas me marcaram enquanto fiz O Caminho Francês de Santiago, não há como esquecer a principal, os Pirinéus, não há como esquecer a Cruz de Ferro, o Alto do Perdon, o Cebreiro e tantas outras que me vão ficar para sempre gravadas. Esta (que vos mostro) foi especial, são somente cerca de 2 km a subir mas quando saímos de um pueblo avistamos ao longe a subida e o topo, são poucas as subidas que fiz onde antes de começar a subir consigo ver toda a subida e o topo. Tinha saído de Burgos pela manhã e estava um calor infernal, o meu pai fazia anos e eu liguei-lhe lá de cima, quando acabei de subir. O dia acabou em Carrión de Los Condes e de lá escrevi-vos um post. Tenho saudades destes dias, sonho em viajar pelo mundo de bicicleta.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Das vezes em que chorei
Já me aconteceu de chorar, mas das vezes que chorei fiz todos os possíveis para que isso não me acontecesse. Tentei pensar calmamente no assunto, tentei respirar fundo, disse para mim mesma "não chores, não chores, não chores", tentei dizer o que pensava, dar a minha opinião sobre o assunto, expor o meu ponto de vista, mas não consegui. Chorei. Fiquei com um nó na garganta, não me consegui expressar e chorei. Chorar é uma merda, quem me dera nunca chorar. Chorar não resolve nada, pelo contrário, quando chorei piorei as coisas porque não consegui fazer ver aquilo que queria, não consegui mostrar aquilo que penso, aquilo que sou. As mulheres não choram por achar que resolve tudo, as mulheres choram porque tem de ser, porque não conseguem evitar, mas convencidas que em chorando está tudo fodido.
Bikipédia - 4
Há imenso tempo que não escrevia uma Bikipédia, hoje trago uma ideia muito boa para quem pedala mas também para quem gosta de correr ou fazer qualquer tipo de exercício ao ar livre.
O que bebem enquanto praticam a vossa actividade? Água. Alguns poderão beber bebidas energéticas mas até quando se bebe outra coisa depois de algum tempo o nosso corpo pede água. Acontece que, principalmente no verão, depois de algum tempo ao sol a água fica quente e é horrível bebê-la. Porque não experimentam levar chá? Podem levar chá simples, com açúcar ou com frutose. No verão podem levar o chá fresco, quando ele aquecer, ao contrário da água, vai ser bom bebê-lo. No inverno podem levar chá quente, enquanto estiver quente vai ajudar a aquecer-vos e quando arrefecer continua bom.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Podem parar de falar sobre cães? Por favor.
É que eu quero muito um cão, quero muito, mesmo e a sério. Estou farta de foder a cabeça ao Moreno para termos um cão, mas ele tenta chamar-me à razão e diz que o apartamento é pequeno, que saímos muito cedo e chegamos muito tarde todos os dias, que o cão ficaria sozinho, abandonado e fechado todo o dia, que me sujava a casa toda e destruía as nossas coisas. E sim, ele tem razão, mas continuo a querer um cão. Estou farta de foder a cabeça ao meu pai, a tentar convencê-lo a ficar com o cão durante o dia mas o meu pai não vai em cantigas e eu continuo sem o meu cão. Estou farta de foder a cabeça à minha mãe, para ela me ajudar, mas ela diz que estou maluca. Até a minha amiga diz para esquecer essa ideia. E a minha prima, a estúpida tem 3 gatos e em vez de me ajudar diz-me que não, que estou muito bem assim, com o Moreno, as bicicletas e os livros. Estou farta de lhes dizer que pode ser um cão pequeno, o meu pai até o pode levar no bolso ou então levo-o eu na mala para o escritório mas riem-se de mim e não os consigo convencer. Pronto, não tenho um cão, talvez vá buscar uns peixinhos lá para casa, ou talvez troque de namorado.
Descontos, saldos e promoções, são tudo obras do diabo.
Haverá quem compre uma ou outra peça de roupa que não lhe serve, na esperança de emagrecer e porque não pode perder aquela oportunidade única de adquirir a peça que tanto gosta. Haverá quem compre um par de sapatos do tamanho abaixo daquilo que usa só porque tem de ser, está em saldo e são lindos de morrer. Eu compro livros. Livros que nunca compraria se não me esfregassem com os descontos e os saldos e as promoções no nariz. Livros só porque sim, porque são livros e estão baratos e eu adoro livros e nem sequer me preocupo em ler a sinopse ou em pesquisar sobre os autores, no caso de ainda não os conhecer. Compro livros que depois vou ser obrigada a ler até ao fim, porque eu nunca desisto de um livro, e que podem muito bem causar-me até uma espécie de depressão literária, mas que vou ler, porque (não sei se já disse isto) eu nunca desisto de um livro. Compro livros, e desta vez não foi 1, nem 2, nem 3, foram 14. Só peço aos Deuses literários que os outros sejam um pouco mais apetecíveis que os 2 primeiros.
As amigas
As amigas encontram-se pela primeira vez e mudam para sempre. As amigas começam a gostar das mesmas coisas. As amigas começam a ouvir a mesma música e a ler os mesmos livros. As amigas vão juntas para todo o lado. As amigas vestem de forma idêntica. As amigas fazem o mesmo penteado e compram o mesmo tipo de calçado. As amigas têm acessórios iguais e riem das mesmas coisas. As amigas gostam da mesma comida e sonham com o mesmo destino de férias. As amigas elogiam-se muito e não podem viver umas sem as outras. As amigas andam sempre em grupo.
E se na adolescência já me fazia uma certa confusão esta carneirada, agora, depois dos 30, parece-me ridículo que as amigas continuem a existir e que seja difícil distinguir-lhes a identidade.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Mãe, acredita que já vi pior. Já vi gente que cria um blog, tira fotografias todas bonitinhas aos filhos e as publica para ficarem à mercê de todo o tipo de mentes, mais ou menos perversas. E algumas até dão informação suficiente ao longo dos posts para se encontrar facilmente a dita criança, sempre sorridente e muito bem vestida, como convém a uma blogger de sucesso.
No passado domingo um dos meus colegas passou mal enquanto fazíamos a maratona, nós fomos esperando que ele recuperasse mas ele foi piorando cada vez mais. A determinada altura eu fui subindo enquanto o Moreno e um amigo ficaram com ele, eu pedalava devagar, sempre à espera que chegassem os meus, mas eles nunca mais apareciam e acabei por fazer grande parte da maratona sozinha. Numa subida encontrei um miúdo sentado no chão, com a bicicleta encostada e parei para falar com ele, convenci-o a vir comigo, ele era de poucas palavras mas a muito custo lá lhe consegui arrancar algumas informações. Fiquei a saber o nome e a cidade onde morava, fiquei a saber que tinha 14 anos e que sim, que ainda tinha o que comer e o que beber, fiquei a saber o que mais me inquietava, que de facto estava ali sozinho, o pai também tinha vindo à maratona mas foi à frente e o puto ficou sozinho porque queria saber a dureza da prova e que não, não tinha telemóvel com ele para contactar o pai, caso necessitasse. Eu fiquei fã dele e acho que daqui a alguns anos ainda vou acompanhar campeonatos com ele no pódio. Chegada a casa contei à minha mãe a cena do puto, disse-lhe que quando tiver um filho compro imediatamente uma cadeira de colocar na parte de trás da bicicleta e o levo para todo o lado, disse-lhe que tenho esperança de quando ele crescer eu poder pedalar com ele, planear viagens e aventuras. Ela ficou muito chateada e disse-me que chamava a Segurança Social se eu fizesse uma coisa dessas ao neto dela. Já lhe basta uma filha maluca... eu acabei a rir à gargalhada e ela cada vez mais zangada com a hipótese de eu pegar esta doença rara ao neto dela.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Imagens
Não é a primeira vez que publico esta foto, nem é a primeira vez que vejo um atleta de paraciclismo a pedalar, mas ontem vi um homem só com uma perna a subir um cume desmontado. A subida era difícil, bastante técnica e com um grau de inclinação acentuado, havia várias pessoas a subir com a bicicleta à mão e algumas em cima delas, por acaso eu subia montada na bicicleta quando o vi, ele estava a pé, tinha que se apoiar para dar um salto e subir mais um pouco, ia subindo devagar e com todas as limitações bem visíveis. Se o tivesse visto em cima da bicicleta ia sentir uma espécie de motivação, tal como senti anteriormente. Mas ontem quando o vi fiquei com vontade de chorar, fiquei triste e fiquei contente, levei um murro no estômago, um choque de realidade, repensei toda a minha vida. Continuei a subir, mas com um misto de emoções tão forte dentro de mim que não vou esquecer tão cedo aquela imagem.
Post com elevado número de palavrões, não aconselhável aos leitores mais sensíveis (nem aos betinhos)
Às vezes perguntam-me quanto tempo demoro a subir uma determinada montanha, ou a fazer uma pista, ou a fazer 50 km ou 70 km. Nunca sei responder. Os meus dias nunca são iguais, só quando estou em cima da bicicleta é que sei dizer se estou num dia bom ou num dia mau. Não chego a nenhuma conclusão aceitável sobre o assunto. Há dias em que não pedalo um caralho e há dias em que pedalo comó caralho. Há alturas em que não pedalo um caralho mas treinei, treinei, treinei e então acho que não pedalo um caralho porque me cansei de tanto treinar, mas depois há alturas em que não tenho tempo para treinar e depois vou pedalar e não pedalo um caralho. Que caralho. Há alturas em que treino, treino, treino e pedalo comó caralho e há alturas em que que não treino e pedalo comó caralho. Foda-se. Depois há as condições meteorológicas, há aquilo que comi ou não, há as condições do terreno, o tipo de altimetria, há a respiração e há até as hormonas, as putas das hormonas. Há dias em que subo tudo e desço tudo, pareço a super mulher do BTT. Há dias em que não consigo subir nada e quando chega a hora de descer bloqueio e também não desço. Não sei se sou só eu ou se há mais pessoas assim. Como disse anteriormente, nunca sei responder quando me fazem perguntas sobre tempos ou km, fico sempre a pensar no assunto, mas acho que vou começar a dizer para irem experimentar e depois me dizerem a mim, é que eu estou pouco preocupada com o tempo que demoro a fazer isto ou aquilo, o que quero realmente é divertir-me. Se querem saber de tempos que pedalem. E se já pedalam, que vão lá eles, contar os minutos e os segundos. Ou isso, ou os mando pró caralho e resolvo o assunto de uma vez por todas. Que caralho.
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