A vizinhança grita sempre GOLO antes da bola entrar na baliza na minha televisão.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Queridos violadores, sequestradores e pedófilos deste país
Apresento-vos a blogosfera.
Um local onde apenas com um clique podem ter acesso a todo um mundo de oportunidades. Um local onde as mães expõem a intimidade dos filhos todos os dias. Um local onde se publicam fotos de crianças, mais e menos íntimas, demasiadas vezes mais íntimas do que aquilo que seria de esperar. Um local onde se contam os segredos mais secretos dos filhos. Um local onde terão acesso a informações preciosas de presas fáceis. Um local onde, com apenas alguma atenção, saberão muito facilmente onde encontrar as crianças. Um local onde os pais partilham a escola que os filhos frequentam, o sítio onde moram, as actividades, os horários e as rotinas dos miúdos. Um local onde ficam a conhecer toda a família e os seus hábitos. Um local onde podem invadir a privacidade das famílias e das crianças sem ninguém notar a vossa presença. Um local onde são os pais que vos abrem, que vos escancaram as portas de casa. Um local onde aparentemente não há momentos de lucidez e ponderação. Um local onde os números de visitas e o retorno financeiro que delas provém compensa tudo o resto. Um local que é alimentado por pessoas que provavelmente não têm amigos, familiares, conhecidos, vizinhos, alguém que lhes explique os riscos que correm, ou que faça seja lá o que for que ponha em causa a sanidade mental e a capacidade de protecção dos menores.
É assim a blogosfera, estejam à vontade, sirvam-se, por favor.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Fui à Lello
A livraria, no Porto, considerada umas das mais bonitas a nível internacional e que há uns meses atrás começou a cobrar dinheiro à entrada. Os 3 € que se pagam para entrar na Lello são dedutíveis na compra de livros e segundo li na altura, com esta decisão a Lello pretendia voltar a ser reconhecida como livraria e não apenas como espaço turístico.
Comprei o bilhete e fiquei na fila à espera, para entrar. Já lá dentro não me conseguia deslocar e entre encontrões e minutos de espera para que os grupos acabassem de tirar as suas fotos lá percorri o espaço, sem espaço. Subir as escadas exigiu-me paciência e uns bons reflexos para me conseguir desviar de um e outro flash. Aproximar-me dos livros era praticamente impossível para mim. Sou suspeita, detesto multidões e sou completamente apaixonada por livros, queria estar na Lello em silêncio, queria poder percorrer os corredores, analisar os livros, cheirar a paz e apreciar as paredes repletas de páginas, de histórias e de vida. Queria poder viver o momento de estar ali, como quero sempre que entro num local de veneração. Sim, para mim uma livraria é tudo isso. Posso também ter entrado na Lello na hora errada, pode ter acontecido de toda a gente querer ir lá na mesma hora que eu, mas se a Lello é sempre aquilo que vi quando lá fui não quero lá voltar. Vim embora rapidamente com o primeiro livro da minha extensa lista que tive a sorte de deslumbrar e com a sensação de que os 3 € que cobram à entrada não chega, deviam cobrar mais, limitar a entrada a um número reduzido de pessoas, limitar o tempo para se poder estar lá, fazer qualquer coisa. Estar dentro de uma livraria como a Lello é algo único, não deveria ser, jamais, uma espécie de romaria.
Loiretes ao poder - 12
Nem consigo explicar o orgulho que tenho desta Loirete, começou a pedalar há pouquíssimo tempo e além de um grande estilo e de grandes fotografias já tem uma grande pedalada. A Uva Passa chegou à blogosfera e conquistou-me no mesmo dia, escreve maravilhosamente bem e é uma passada, capaz de tudo, até de começar a pedalar. Adoro-te Uva, estou mesmo feliz por seres uma Loirete.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
O post genial
Há dias em que até a coisa mais insignificante serve de tema para o post genial. Há dias em que a coisa mais importante do mundo não merece ser escrita. O post genial é aquele que temos a certeza absoluta que o é no momento em que clicamos no "Publicar".
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Não consigo explicar
Imaginem que vão a uma maratona de BTT com quase 3000 inscritos, imaginem a linha de partida da meta com aquelas pessoas todas e com tantas bicicletas, imaginem o que é começar a pedalar no meio daquela gente toda, imaginem o que é entrar no monte, subir, descer, fazer trilhos espectaculares e viver aqueles km no meio de tantas pessoas, imaginem o que é centenas de ciclistas a invadirem as montanhas e o sentimento que é estar lá no meio. Imaginem que vão a pedalar e no meio do nada, num trilho só com visão para uns campos alguém grita o vosso nome bem alto, imaginem qual é a sensação de encontrar uma pessoa que está ali à vossa espera, para vos apoiar, sem vocês fazerem a mais pequena ideia sequer de que ela sabia que vocês iam estar ali. Imaginem o que é verem que é uma das vossas Loiretes, daquelas pessoas que o blog vos trouxe e que faz isto tudo valer a pena. Conseguem imaginar? É que eu não consigo explicar. Obrigada SOL.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Sabiam que um em cada cinco portugueses tem anemia? E que duas em cada três bloggers não sabem estacionar?
Mas não sou eu. Eu não estou nada cansada, esta foto foi tirada a meio de uma bruta subida que eu fiz praticamente toda em cima da bicicleta enquanto passava homens e mais homens a pé que já nem força tinham para puxar a bicicleta monte acima e enquanto ia mandando umas bocas foleiras do tipo "deixem andar quem sabe", "não me obriguem a travar"ou "desviem-se que eu estou sem travões". Claro que se me lembrasse de tudo o que leio podia ter perguntado a um ou a outro, entre as tais bocas foleiras que eu não dispenso, se já fizeram o teste da anemia, mas paciência, uma gaja só se lembra do que realmente é importante quando abre os blogues de sucesso.
Ah... e não comprem um Smart, comprem uma bicicleta, com uma bicicleta sim, podem estacionar em todo o lado. Vá lá... sejam fofinhos e digam comigo: se calhar só preciso de uma bicicleta. A sério, deviam pagar-me para isto.
Loira, a Totó
Quando tenho uma prenda para oferecer a alguém fico mais ansiosa que os putos no Natal ou no dia de aniversário. Já aconteceu ir acordar a minha mãe para lhe oferecer a prenda de anos pouco depois da meia-noite porque não conseguia aguentar até ao outro dia de manhã. As pessoas ou recebem as minhas prendas com tanta antecedência que quando chega o dia de efectivamente receber a prenda já se esqueceram que a receberam, ou ouvem falar tantas vezes da mesma merda que já sabem o que raio vão receber há três séculos. Sim, sou uma chata, fodo mesmo a cabeça às pessoas quando tenho alguma coisa para elas.
Pouco depois de voltar de férias começaram a aparecer-me à frente dos olhos coisas que eu tinha mesmo de oferecer às minhas amigas dos pedais, coisas para lá de espectaculares e com todo um significado para nós. Comprei algumas e encomendei as restantes. Tive a extraordinária ideia de ir fazendo vários embrulhos, de colocar dentro de uma caixa e de guardar para oferecer no Natal, assim elas estariam no mínimo meia hora a abrir prendas. Claro que não consegui e comecei a falar nas prendas e de como elas vão desmaiar quando receberem uma delas, de como elas vão entrar em estado de coma quando receberem a outra, de como elas vão dar saltinhos histéricos quando receberem uma outra. Sim, fodi-lhes tanto a cabeça que acabei por ter outra ideia fantástica, de qualquer forma não ia conseguir aguentar tanto tempo para lhes dar as coisas, decidi fazer uma pista para cada uma das prendas e se elas acertarem recebem já, se não acertarem só recebem no Natal. E foi assim que a dia 17 de Setembro enviei a minha primeira prenda de Natal.
Por falar nisso, antes que todos comecem, Feliz Natal, sim?
Loiretes ao poder - 11
A minha Loirete n.º 9 é a Rosa, ela é a prova de que quem quer ser uma Loirete não precisa ser uma profissional do pedal nem ter uma bicicleta XPTO, basta querer, tirar uma foto e mandar para mim, a Rosa é Loirete de coração e eu agradeço muito por isso. Rosa, não ganhaste umas meias mas já és uma Loirete.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
A sem lágrimas
Não me lembro da última vez que chorei, daquele choro a sério, de pura emoção, de extrema felicidade ou de tristeza profunda. Amiúde acontece um quase choro, umas quase lágrimas, um quase qualquer coisa que não chega a acontecer. Não me lembro da última vez que chorei com vontade, com lágrimas grossas e suspiros que vêm do mais íntimo de nós, um pranto avassalador e descontrolado. Não me lembro da última vez que chorei, daquele choro que nos lava a alma e nos acalma o coração, que nos faz falta.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Tudo pode acontecer
Sair de casa ainda de madrugada com três bicicletas em cima da carrinha e mais uma desmontada na mala. Chegar mais tarde que o previsto à cidade da maratona. Tirar as bicicletas de cima da carrinha, começar a desmontar a quarta e perceber que perdemos uma peça da bicicleta. Procurar arranjar uma solução que não existia. Ser entrevistada por ter uma bicicleta muito gira e uma camisola da Minnie. Pedirem para tirar fotos comigo porque tenho uma bicicleta personalizada e muito gira, a sério, acho que esta bicicleta me rouba o protagonismo. Ir para a linha de partida muito tarde sem tempo de tomar um café e comer um bolo. Partir quase com 2500 atletas à nossa frente. Fazer quase 50 km em pouco mais de três horas e meia. Subir como nunca e descer como nunca. Ver algumas quedas. Quase ser atropelada por rapazes com a mania que são os maiores do mundo e que como não têm pernas para subir têm de aproveitar tudo o que podem a descer. Comer uma bola de Berlim no meio do monte. Ouvir gritar bem alto o meu nome e reparar que era uma das Loiretes. Subir o último cume quase sempre em cima da bicicleta enquanto os elementos de sexo masculino que quase se matam para descer mais depressa sobem tudo com a bicicleta à mão. Engolir pó e voar em cima de uma bicicleta. Chegar à meta com a sensação de que podemos tudo. Ir tomar banho e ainda ter que ver meia dúzia de rapazes nus no corredor. Almoçar em boa companhia e com mil histórias para contar. Chegar a casa com dois sacos de desporto cheios de roupa para lavar. Abrir um livro que não consegui ler e adormecer imediatamente, demasiado cedo. Acordar para um novo dia, ainda cheia de sono mas feliz. Agora é procurar as fotos da maratona e recordar, com a certeza de que os melhores dias são estes, em que tudo pode acontecer.
domingo, 20 de setembro de 2015
Emoções fortes
São mais de 2500 pessoas na partida, cada uma com a sua bicicleta. Eu sou uma delas, há cinco anos consecutivos. Mais de 2500 pessoas, mais de 2500 bicicletas, prontas para partir em direcção à aventura da montanha e eu estou aqui no meio. Não venho, nunca fui, às maratonas numa vertente competitiva, acho que nunca o farei, mas a sensação de estar aqui é tão única, tão extraordinária, que é indescritível. Mais de 2500 pessoas, mais de 2500 bicicletas na avenida, prontas para ouvir o tiro da partida, os outros não sei como se sentem, mas eu estou com o coração aos pulos, com a respiração alterada, estou nervosa, ansiosa e a tremer por dentro. Assim que der a primeira pedalada isto passa-me, passa sempre, mas não há como não querer guardar este momento para sempre, não há como não querer manter vivo na minha memória este sentimento e esta comoção incomparável.
sábado, 19 de setembro de 2015
Finais infelizes
Ele é o Emil Börner e ela é a Johanna Eklöt, são suecos e estavam a fazer uma viagem de bicicleta pelo mundo, uma daquelas coisas que eu sonho com uma certa distância da impossibilidade. Andavam pela América do Sul e no passado dia 15 foram atropelados no Brasil. Ele sobreviveu mas a viagem dela terminou para sempre. Para mim é difícil olhar para isto sem me envolver emocionalmente com eles e sem me identificar com ela pela paixão comum e pelo sonho, por isso não consigo, desde que soube, deixar de pensar neste triste desfecho, deixar de me sentir revoltada com a vida e profundamente infeliz.
A fotografia é da página deles, onde contavam e mostravam ao mundo a sua grande aventura: http://thebigtrip.se
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Conversas motivacionais, aquela grande treta
Bla... bla... bla... precisas sair da tua zona de conforto. Bla... bla... bla... a vida começa no fim da tua zona de conforto. Bla... bla... bla... fora da zona de conforto é quando a magia acontece. Tretas... Eu saio da minha zona de conforto todos os dias para vir trabalhar e não vejo aqui nada de especial nem porra de magia nenhuma. A minha zona de conforto é lá em cima na montanha a pedalar e estou plenamente convencida que nunca devia sair de lá. Precisas sair da tua zona de conforto.... pfff... as merdas que inventam para motivar as pessoas a viver.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
And the winner is...
No início de Setembro lancei o concurso mais fixe de toda a blogosfera:
Eu, a Su e a Joaninha não resistimos às pernas da Gaja Maria, tão sujinhas depois de uma pedalada, tão cheias de frio, tão desprotegidas, tão... mesmo, mesmo a pedir umas meias coloridas.
As outras, obrigada por participarem e pelas vossas fotos, não fiquem tristes que eu estou a preparar uma coisa muito gira para todas as minhas Loiretes.
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