sexta-feira, 30 de outubro de 2015

As meias do dia #5


Happy Halloween

A perfeição dos tempos modernos

É aquela que toda a gente partilha, diariamente, nas redes sociais. É aquela que apresentamos aos outros em forma de publicação. Parece que actualmente todos somos felizes, todos comemos coisas maravilhosas, todos vamos a locais espectaculares, todos temos a família perfeita, os amigos ideias, parece até que hoje em dia somos todos atletas de alta competição ou especialistas em tudo e mais alguma coisa, parece que hoje em dia todos temos uma vida perfeita, a perfeição dos tempos modernos.
E é aquela que nos exigem todos os dias, porque uma fotografia mal tirada, um erro ortográfico, umas gorduras a mais, uma atitude que fuja daquilo que está previsto, uma afirmação com a qual os outros não concordem, um erro, uma forma de vida diferente, uma fuga às supostas regras, um simples assunto banal ou uma história que deveria ser privada se pode tornar viral, se pode parecer com uma notícia capaz de fazer mudar o mundo, parece que hoje em dia todos nos exigem que tenhamos uma vida perfeita, todos nos apontam os erros, o dedo, todos nos criticam, todos nos dizem o que está bem e o que está mal em nós, todos esgotam os assuntos de forma irremediável, é a perfeição dos tempos modernos.
Parece que hoje em dia toda a gente a pode exigir, a tal da perfeição, porque já ninguém comete erros, já ninguém tem dúvidas sobre nada, toda a gente está em posse dela, da tal perfeição.

Talvez por isto eu goste cada vez mais de pessoas imperfeitas, por me identificar com elas, talvez porque a perfeição dos tempos modernos me assuste e eu não queira fazer parte disto.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Há luz ao fundo do túnel


Meio aniversário

No passado domingo a minha melhor amiga, a minha amante, a minha confidente, a minha companheira de aventuras, a minha mais que tudo fez seis meses, passou meio ano desde que a fui buscar uma noite, já de madrugada, para a levar poucas horas depois para a grande subida à chuva e uma semana depois para a primeira grande viagem do ano. Desde o primeiro dia nunca mais paramos, já fizemos grandes viagens, em grupo e só as duas, já fizemos grandes passeios, já fizemos grandes provas, grandes trajectos, grandes descidas, grandes subidas, grandes trilhos, sempre com grandes amigos e grandes paisagens. Parece que juntas tudo o que fazemos é em grande. Ela é a bicicleta mais bonita do mundo e eu, com ela, sou muito mais feliz. No passado domingo a minha companheira inseparável fez meio aniversário e não deve ser à toa que ao olhar para as nossas fotos juntas eu tenho sempre um grande sorriso no rosto.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Está oficialmente aberta a época da mini-saia

Adoro o frio, adoro os casacos de pêlo (todos sintéticos, não me fodam a cabeça com isto), adoro os lenços e os cachecóis quentinhos, adoro os chapéus, adoro casacos e botas, adoro estar na cama a ouvir a chuva a cair lá fora, gosto de chuva (ok, só não gosto mesmo nada quando está a chover na hora de ir pedalar), adoro a lareira, as maças assadas do meu pai, adoro ficar embrulhada no cobertor do sofá, adoro os livros acompanhados de chá quente, adoro ver as mudanças de cor na paisagem e as folhas a cair, adoro os dióspiros, adoro o aconchego dos agasalhos, da casa e dos abraços, mas o que eu adoro mesmo, é que depois de passar tanto tempo a usar calças para esconder as marcas de sol dos calções e das meias de BTT nas pernas, finalmente está aberta a época da mini-saia. Bendita a hora que um dia, alguém, algures, se lembrou de inventar as meias opacas. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os meus livros #62 - Por aqui e por ali

Sinopse
Há muitos livros sobre exploradores destemidos que escalam montanhas, atravessam oceanos, enfrentam intempéries e sofrem experiências traumáticas. Mas neste livro existe outro tipo de herói: pessoas comuns que se esfalfam para subir um monte, que ficam histéricas com os animais selvagens... Isto para não falar do horror que têm aos insectos! Bill Bryson decide com o seu amigo Stephen Kaz fazer três mil quilómetros pela floresta durante vários meses, percorrendo a pé o mais longo trilho do mundo. Um esforço enorme para o autor que tem o hábito de estar sentado e um suplício para o amigo, ex-alcoólico, gordo e que adora fast-food. Com o seu estilo irreverente e inconfundível, Bryson conta casos inacreditáveis de destruição ecológica e descreve os estragos causados pelo turismo, o qual critica impiedosamente - incluindo-se a si e ao companheiro neste rol de destruidores. Um livro para quem ama a natureza selvagem, mas que ao mesmo tempo adora os prazeres da civilização.


Este foi daqueles livros que me prometia tudo e que não me deu grande coisa. Uma viagem a pé, uma grande aventura, descrições de dias passados nas montanhas em autonomia total, tudo aquilo que eu podia desejar. Infelizmente o autor falou muito pouco sobre esta grande aventura, que apesar de não ter ficado concluída não deixa de ser uma grande aventura, e focou-se muito em números e estatísticas. Ninguém compra um livro destes para saber quantos árvores de uma determinada espécie havia num local há cinquenta anos e quantas há agora, ninguém compra um livro destes para saber quantas espécies de pássaros, de plantas, de tudo e mais alguma coisa existem naqueles trilhos. Eu queria saber pormenores da caminhada, queria que me falasse dos medos, das dores, das alegrias, das paisagens, de tudo o que rodeava aquela aventura e sobre isso tive pouquíssimo. Este livro pareceu-me mais um trabalho de pesquisa do que uma caminhada rumo a uma grande aventura. Ainda assim chegou no momento certo porque só o facto de o receber naquele determinado dia, de uma forma tão especial, despertou em mim uma energia e uma sede de leitura das quais eu estava mesmo a precisar.

Os meus livros #61 - A Ilha debaixo do Mar

Sinopse
Zarité foi vendida aos 9 anos a um rico fazendeiro de Saint-Domingue. No entanto, não conheceu o esgotamento das plantações de cana nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e conhecer as misérias dos amos, os brancos. Isabel Allende dá voz a uma mulher lutadora que singrará na vida, apesar das partidas do destino. Zarité é uma heroína que, contra todas as adversidades, conseguirá abrir caminho para alcançar a liberdade.


Este é daqueles livros que me agarrou desde a primeira à última página, é daqueles livros que enquanto os estamos a ler nos faz viver realidades completamente diferente das nossas, nos faz aprender e nos faz saber pormenores até então desconhecidos. Um livro que me ensina e que me faz viajar terá de ser sempre um livro fantástico. Terei de ler mais desta autora, que me veio parar às mãos por mero acaso. 

Os meus livros #60 - A Coleccionadora de Ilusões

Sinopse
Quando Laurel Estabrook é atacada durante um passeio de bicicleta pelas estradas secundárias do estado do Vermont, a sua vida muda por completo. Anteriormente expansiva, Laurel afasta-se, dedica-se à fotografia e começa a trabalhar num refúgio para os sem-abrigo. Aí conhece Bobbie Crocker, um doente mental com uma caixa de fotografias que não deixa ninguém ver. Quando Bobbie morre subitamente, Laurel descobre que ele afinal não mentira: antes de se tornar sem-abrigo, fora um fotógrafo bem-sucedido que trabalhara, de facto, com personalidades como Chuck Berry, Robert Frost e Eartha Kitt. O fascínio de Laurel pela vida de Bobbie começa a transformar-se numa obsessão, convencendo-se de que algumas das fotografias do idoso revelam um obscuro e bem escondido segredo de família. A sua busca da verdade vai afastá-la ainda mais da sua antiga vida e conduzi-la a um jogo do gato e do rato com perseguidores que afirmam quererem salvá-la. Neste arrebatador thriller literário, cheio de complexas e atraentes personagens, Chris Bohjalian conduz o leitor na sua mais intrigante, assombrosa e inesquecível viagem de sempre.


Uma viagem pelo mundo da mente humana de leitura fácil e com um final surpreendente. Este foi daqueles livros que comprei por acaso e que valeram a pena. Gostei muito de uma parte em que fala de pormenores sobre pedalar na montanha, é sempre bom identificar coisas nossas nos livros.

Os meus livros #59 - Os caçadores de Livros

Sinopse
Um thriller histórico sobre a luta das potências europeias para salvar uns livros e destruir outros A importância do domínio do Conhecimento para mudar o mundo e colocar fim à idade das trevas. No final da Idade Média, pouco depois da invenção da prensa de Gutenberg, uma misteriosa conspiração tenta vencer o obscurantismo da Igreja Católica, difundir a liberdade de pensamento e contrariar os limites da Inquisição.


Adoro livros sobre livros, normalmente apaixono-me por eles de imediato e quando vi este pela primeira vez achei que tinha de o ler, que seria um livro perfeito. Não gostei da forma como está escrito, poderá ser por o ter lido numa altura de cansaço, mas não consegui acompanhar a história, os personagens, os locais, tanto que pensei em abandonar a leitura muitas vezes, continuei a ler, mas nunca consegui entrar no livro e por isso não gostei nem um pouco dele. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Fashion mais Fashion não há

Qual será a probabilidade de ir a um evento de BTT no cu de Judas, com 250 participantes, entre os quais 4 mulheres, e nos aparecer uma Polaca com um Jersey igual ao nosso? Sendo que é um daqueles Jerseys quase exclusivos, que toda a gente questiona onde caralho o fui arranjar e eu não digo nem que me torturem. Estou cada vez mais convencida que ser Fashion BTTista é a cena mais complicada do mundo. 

O dorsal mais especial do mundo


Há quem coleccione dorsais, há quem os guarde com toda a dedicação do mundo, há quem preencha com eles paredes vazias. Eu não lhes dou importância absolutamente nenhuma, uso-os enquanto faço a maratona ou o passeio e depois vão para o lixo, não me servem para nada a não ser para participar. Mas este, por todos os motivos e mais alguns, por razões muito íntimas, é para mim o dorsal mais especial do mundo, merece um destaque especial, é um dorsal do coração. E é a segunda vez que me é atribuído. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Loira, a Fashion Bttista #1

Depois de horas e horas de reflexão, depois de analisar os prós e os contras, depois de abrir o roupeiro quinhentas e setenta e oito vezes, depois de tirar tudo cá para fora para voltar a colocar no sítio, depois de experimentar as peças mais prováveis, depois de pedir opinião a duas conselheiras, depois de fazer uma retrospectiva de todos os outfits usados nos eventos anteriores, depois de consultar trinta e seis vezes as previsões meteorológicas e depois de ponderar ainda mais um pouco já escolhi o outfit para usar na pedalada de amanhã (mostrar não posso porque toda a gente sabe que o efeito surpresa é tudo no mundo da montanha Fashion pedalada). Agora só me falta escolher o outfit para o almoço após pedalada, SOCORRO, Fashion BTTista que é Fashion Bttista nunca sabe o que caralho vestir. 


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A partir de agora estou completamente protegida de pessoas iguais a mim

Sempre que vejo alguém a ler num local público não descanso enquanto não sei que livro é. Quero descobrir novos livros, quero apontar para pesquisar mais tarde, quero saber se já li aquilo, quero saber se conheço o autor, quero saber que livro é, não descanso enquanto não conseguir ver que livro é. Dobro-me um pouco, estico-me em bicos de pé, faço-me distraída e volto a tentar, dou saltinhos, estico o pescoço, puxo-me para trás na cadeira, deito a cabeça em cima da mesa, espreito uma e outra vez, faço autênticos números de contorcionismo. Mas agora... senhoras e senhores, meninos e meninas, vocês os três que ainda continuam a passar cá, estou completamente protegida de pessoas iguais a mim, tenho uma capa para os meus livros, feita por uma amiga que faz coisas maravilhosas à mão. Agora... senhoras e senhores, meninos e meninas, vocês os três que ainda continuam a passar cá, fiquem a saber que quem se cruzar comigo numa qualquer esplanada, num qualquer consultório médico, num qualquer jardim e quiser saber o que estou a ler tem de vir falar comigo e perguntar, porque agora... senhoras e senhores, meninos e meninas, vocês os três que ainda continuam a passar cá, a única coisa que as pessoas iguais a mim vão conseguir saber é que estou a ler e que I want to ride my bicicle.  



Isto é ou não é a coisa mais gira do mundo?

Deve ser muito complicado ser Fashion Blogger

Imaginem o que é ter de pensar em todos os pormenores da vossa roupa antes de saírem para a rua para serem fotografadas, imaginem o que é conjugar todos os tons, todos os padrões, todos os estilos sem desiludir os leitores (ou pelo menos tentar), imaginem o que é ter de andar sempre com as unhas impecavelmente arranjadas, os cabelos e a maquilhagem perfeitos, as sobrancelhas sem um pêlo a mais, imaginem o que é não poder repetir dez mil vezes aquelas calças que adoram, que vos assentam espectacularmente bem e que sabem que daqui a pouco já não poderão usar porque vai mudar a estação, imaginem o que é ter de pensar sempre em todos os acessórios e não poder usar um completamente fora do contexto, imaginem o que é não poder andar com a mesma mala um inverno inteiro, imaginem o que é fazer aquelas figuras ridículas na rua para arranjar a melhor pose, só para mostrar ao mundo o outfit do dia. Deve ser mesmo muito complicado.

Mas sabem o que é pior? É ser Fashion BTTista. Imaginem o que é ter de andar no meio do monte sempre linda, imaginem o que é conseguir encontrar locais onde vendam óculos, sapatos de encaixe e luvas com os tons da vossa bicicleta e do vosso capacete, imaginem o que é arranjar jerseys completamente diferentes de todos os que os outros têm, imaginem o que é tentar arranjar calções com uma grande almofada no cu e que ainda assim vos assentem mais ou menos bem, imaginem o que é arranjar meias até ao joelho que conjuguem com os equipamentos e capazes de surpreender toda a gente, imaginem o que é não querer repetir sempre os mesmo equipamentos em provas e passeios, imaginem o que é arranjar acessórios sobre pedalar para poder usar, imaginem o que é ter de estar sempre gira, fashion, ou no mínimo apresentável quando estou lá em cima, na montanha, toda suja. Muito complicado, acreditem, muito mais cansativo do que ter de pedalar a maratona é ter de escolher que outfit levar à maratona.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Começo a ficar preocupada

Uma pessoa que trabalha numa empresa e que não é capaz de fazer absolutamente nada sozinha, e quando digo absolutamente nada não estou a exagerar, até para enviar um simples e-mail é capaz de consultar a outra umas três vezes, a qualquer instante pode achar normal pedir para alguém lhe coçar os tomates, não?



Preparem-se porque em breve vai chegar à blogosfera a série: "As cenas do meu trabalho davam um livro de anedotas".

Há coisas que ficam para sempre

Em Março roubaram-nos o carro. Só temos um lugar de garagem e dois carros, por isso um deles tem sempre de ficar na rua. Em Março levaram-no. Apareceu dois dias depois, completamente destruído, incendiaram-no a quase 200 km de distância. Há coisas que ficam para sempre, não é o medo, não é a lembrança do momento em que percebes que o teu carro não está ali, não é a recordação das horas passadas na esquadra da polícia, não é o sentimento de perda, não é a angústia, não é a revolta, não é o facto de teres de comprar um carro novo, não é a preocupação de ser sempre o carro novo a ficar no lugar de garagem, não é a imagem do teu carro completamente queimado, nem sequer é o trauma. Há coisas que ficam para sempre, para mim é a felicidade de ver o meu chaço velho todos os dias de manhã, tão velhinho, mas ali à minha espera. Chega a ser comovente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Tudo ou nada

É isto que me define. Ou é sim ou é não, não sei viver de não respostas. Ou é 100% certo ou não quero, não sei viver de probabilidades. Ou é para ir até ao fim ou mais vale nem começar, não sei viver de meios caminhos. Ou me atiro de cabeça ao abismo ou fico cá em cima a ver a paisagem, não sei viver de descidas controladas. Tudo ou nada, não sei viver de mais ou menos. Há coisas que é melhor nem começar, porque eu não saberia como parar. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

São meias, senhores, são meias...

Primeiro a Joaninha trouxe-me umas de Paris, dias depois a Su enviou umas super giras, a seguir começaram a chegar todas as que tinha encomendado num site manhoso, semana passada fui a uma maratona e ofereceram-me umas, na sexta-feira a Joaninha mandou outras e ontem recebi mais um par, iguais às que já tinha e que ficaram em muito mau estado na maratona da lama, a Su mandou uma meia para o meu local de trabalho e quando cheguei a casa tinha lá a outra, enviada pela Joaninha. Há quem diga que já tem mais um par para me oferecer.


Se isto não é o milagre das meias, então não sei o que será.