terça-feira, 17 de julho de 2018

De Bragança a Lisboa são 9 horas de distância

Bragança recebeu-me para uma grande aventura ao pedal e de lá eu trouxe um trajecto espectacular, mais de 100 quilómetros de paixão, subidas duras e intermináveis, descidas que souberam tão bem, caretos e música popular que animavam a malta do pedal nos topos das subidas, boa comida, boas fotos, uma visita a Espanha e a subida da linda Sanabria, paisagens de tirar o fôlego e locais lindíssimos, trouxe ainda uma organização como nunca vi, experiência e recordações. De Bragança trouxe um grande empeno, um jersey para a colecção, enchidos, felicidade e um grande sentimento de superação pessoal. De Bragança a Lisboa, são 9 horas de distância, queria ter um avião, para lá ir mais amiúde.

domingo, 15 de julho de 2018

Os meus livros #40 - a máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe)



Sinopse 


Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura.

a máquina de fazer espanhóis é um dos mais importantes romances contemporâneos. Surpreendente retrato da vida dos velhos, este livro fala intimamente dos fantasmas da portugalidade e da candura que, afinal, existe mesmo nos momentos mais tristes.

A vida de um barbeiro reformado é o modo de ilustrar os conceitos de família e solidão, amizade e compromisso.

Este é um livro delicadíssimo, corajoso e inesquecível.





Este é o livro que me esqueci que já tinha lido, mas que é tão bom que era quase familiar. A máquina de fazer espanhóis é mesmo muito bom.

sábado, 14 de julho de 2018

Os meus livros #39 - Beatriz e Virgílio (Yann Martel)




Sinopse 


Henry, um escritor reconhecido, decide escrever um livro, meio ficção e meio ensaio, como forma de abordar todos os aspectos de um mesmo tema. Completamente desencorajado pelos seus editores, desiste do projecto e vai viver para outra cidade. Aí, contudo, continua a receber cartas de leitores e, um dia, um taxidermista escreve-lhe a pedir ajuda. Henry apercebe-se então de que estão ambos a tentar escrever sobre o mesmo tema. Um livro polémico e provocador, que confirma o autor de A Vida de Pi, o Man Booker Prize de 2002, como um dos mais surpreendentes escritores canadianos da actualidade. 






Beatriz e Virgílio é para mim um livro muito especial, em conversa com uma amiga que consome livros compulsivamente, tal como eu, lembramos dele e aproveitei uma tarde de chuva para o reler. Há livros que conseguem ser sempre bons como da primeira vez.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

Larouco

Venho de longe e o topo da montanha parece mais longe ainda, às vezes inalcançável aos olhos de quem, pequenino, o olha cá de baixo. Nos dias de maior cansaço, como era o caso, perguntamo-nos muitas vezes o que estamos ali a fazer, porque viemos, porque não desistimos afinal, mas as pernas continuam num movimento certo e ritmado, como se estivessem programadas para somente parar no topo da montanha, no topo do mundo. Devagar, muito devagar, lá vou conquistando uma montanha depois da outra e há cumes que me vão ficar para sempre na alma. Devagar, muito devagar, vou subindo os quilómetros necessários para chegar aos locais mais especiais de sempre. Devagar, muito devagar, esqueço tudo para aproveitar cada bocadinho de montanha e de mundo.


Cada um voa com as asas que tem, pedalar são as minhas.  

domingo, 8 de julho de 2018

Os meus livros #38 - O Leitor (Bernhard Schlink)

Sinopse

Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.

Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor, é desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 39 línguas, a obra foi adaptada ao cinema. Para além disso, este romance foi galardoado em 1997 com os prémios Grinzane Cavour, Hans Fallada e Laure Bataillon. Em 1999 venceu o Prémio de Literatura do Die Welt. 



Nos dias em que me apetece reler algo escolho sempre aqueles que me marcaram de uma forma muito especial. O Leitor é para mim um dos melhores livros de sempre.

sábado, 7 de julho de 2018

Os meus livros #37 - Um Bom Homem É Difícil de Encontrar (Flannery O'Connor)




SINOPSE



Este clássico moderno mostra-nos Flannery O'Connor como uma das mais originais e talentosas escritoras do Sul dos E.U.A. A sua visão apocalíptica da vida evidencia-se em situações grotescas e por vezes divertidas em que a personagem principal defronta um problema de redenção: a avó, que enfranta um assassino; um rapaz de quatro anos que procura o Reino de Cristo nos rápidos dum rio; o general Sash está prestes a conhecer o seu derradeiro inimigo.







Um livro de contos que conta a vida tal como ela é.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A máquina de fazer leitores

Cheguei a uma fase da vida em que compro livros repetidos. Eu sabia que já tinha lido Valter Hugo Mãe, mas já se passaram uns anos e não sei como nem porquê achava que tinha lido A Desumanização. Uma coisa tão estúpida que quando a Leninha me viu a ler a máquina de fazer espanhóis e disse que quando acabasse trocávamos porque ela tinha A Desumanização eu lhe respondi que emprestava o meu, mas que não precisava, também tinha A Desumanização.  Encontrei a máquina de fazer espanhóis em promoção e não resisti, como leitora e compradora compulsiva de livros 50% de desconto num livro que sempre se sonhou ler é irresistível. Foi isso mesmo que disse à Susana quando lhe mandei a foto do livro, que não dava para recusar, que sempre sonhei ler isto, o que não deixa de ser verdade, sempre sonhei mesmo, tanto que já o comprei e já o li, há alguns anos atrás. Depois de reler o livro, um dos exemplares vou oferecer à Susana, a única pessoa que conheço e que lê compulsivamente como eu, o outro vou emprestar à Leninha, e trazer comigo A Desumanização, para ler pela primeira vez. A máquina de fazer espanhóis estava a ser tão bom que me soava familiar, tão familiar que me decidi a colocar em frente à estante, à procura do Valter Hugo Mãe que habitava por lá.
A máquina de fazer leitores anda confusa por aqui, tanto que cheguei a uma fase da vida em que compro livros repetidos. Socorro, acho que isto é grave.

sábado, 30 de junho de 2018

Os meus livros #36 - A rapariga das laranjas (Jostein Gaarder)

Sinopse

O que fazer quando um pai, falecido demasiado cedo para nos lembrarmos dele, decide falar com o filho, através de uma carta escrita há onze anos? Esta é a experiência de Georg Roed, de quinze anos, quando a família descobre a carta do seu pai. Juntos, Georg e o pai vão dialogar e manter finalmente a conversa de adultos que não puderam ter em vida. Nessa carta, Jan Olav, o pai de Georg procura uma bela rapariga carregada com um saco de laranjas. Nada o demove, nem o facto de não saber nada dela, nem o nome. Procura-a com todo o entusiasmo da juventude, enquanto imagina qual a razão que a leva a atribuir um valor tão grande às laranjas que ele, desastradamente, fez rolar nesse primeiro encontro. Georg mergulha nesta aventura descrita com grande paixão pelo pai, falecido quando ele tinha apenas quatro anos. Autor do bestseller internacional O Mundo de Sofia que em 1995 foi o romance que mais vendeu em todo o mundo, registando 25 milhões de cópias, Gaarder traz-nos em A Rapariga das Laranjas um romance mais direccionado ao público jovem. Através de uma belíssima carta de amor para um filho de quem o pai sabe que não poderá acompanhar o crescimento, esta obra é um hino à vida e ao mistério insondável que ela encerra. 



Muito fácil de ler e a abordar temas muito sensíveis este é um óptimo livro para nos fazer olhar para os pormenores da vida.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Quem somos

Julgam-nos sempre pelo nosso lado que mais mostramos ao mundo, eu sou tanto as marcas de sol, os arranhões e nódoas negras que tenho, sou tanto os quilómetros que faço a pedalar, como sou o prémio Nobel da literatura que trago comigo para ler em cada bocadinho livre. Eu sou as viagens que faço, os quilómetros que pedalo, os livros que leio, sou a minha casa, os meus amigos, a minha família, a paixão pelas gatas, as pessoas que trago na alma e no coração, sou a música que ouço, as conversas que tenho, sou os filmes que vejo, sou aquilo que aprendo e apreendo a cada dia, a cada instante, sou as estradas que percorro e os trilhos que vou conhecendo, sou as montanhas que conquisto, eu sou aquilo que escrevo e muito, muito mais. O mundo obriga-nos a mudar a cada instante, obriga-nos a adaptar às circunstâncias, a nossa verdadeira essência está sempre lá, mas quem somos vai-se alterando com a vida, sendo certo que somos milhões de pessoas dentro de uma só e que a cada minuto nos surpreendemos a nós próprios, porque quando o universo nos obriga nós somos capazes de vencer batalhas antes impensáveis. Quem somos é sempre surpreendente, até para nós.

terça-feira, 26 de junho de 2018

As aventuras da Loira

Sábado saí para pedalar, fiz 90 km debaixo de um calor insuportável, subi montanhas intermináveis e desci estradas alucinantes, almocei num local fantástico e diverti-me muito apesar de sentir que o calor me esmagava.
Domingo voltei a sair para pedalar, desta vez a volta da preguiça, percorri o caminho mais rápido até à minha barragem e voltei directamente para casa, não cheguei a fazer 20 km, para passar a manhã toda sentada numa sombra, à beira da água e a aproveitar a paz do descanso.

Estas são duas vertentes completamente opostas da modalidade, mas de uma forma ou de outra:


A estalar, que está calor e a vida aos pedais é mais divertida quando aproveitamos para ser felizes. 

domingo, 24 de junho de 2018

Os meus livros #35 - Uma Viagem Inesquecível (Michael Zadoorian)

Sinopse

Uma viagem inesquecível! Um Bestseller no qual se baseia o filme do mesmo nome protagonizado por Helen Mirren e Donald Shutherland . Um ponto de vista carinhoso e sincero sobre um casal que se descreve como dois velhos em apuros, que não está disposto a ir facilmente desta para melhor… Tomara conseguirmos lidar tão bem com os nossos últimos dias como Ella e John Robina.

Os Robina partilharam uma vida maravilhosa por mais de sessenta anos. Agora, já com oitenta e tal, Ella tem cancro e John sofre de Alzheimer. Na ânsia de viver um grande aventura, estes "velhotes em apuros" fogem da supervisão dos filhos e dos médicos, que parecem querer controlar-lhes as vidas, deixando para trás a sua casa nos arredores de Detroit, decididos a viver uma férias proibidas e a redescobrir toda uma vida.

Com Ella a fazer de atenta copiloto, John conduz a caravana Leisure Seeker de 78 pelas vias esquecidas da Rota 66 até à Disneyland, em busca de um passado muito doloroso de recordar. Mas apesar disso, Ella está decidida a demonstrar que tudo se pode repetir na vida...mesmo que todos digam o contrário. 




Uma viagem inesquecível é tão bom que devia ser de leitura obrigatória, uma forma completamente diferente de olhar para a vida para a maioria de nós que olha, que nos achamos eternos. Um livro inesquecível e uma opção de vida surpreendente.

sábado, 23 de junho de 2018

Os meus livros #34 - A Mulher de cabelo ruivo (Orhan Pamuk)

SINOPSE

Perto de uma pequena cidade nos arredores de Istambul, um escavador de poços e o seu aprendiz são contratados para procurar água num terreno baldio. À medida que escavam o poço, metro a metro, sob um calor abrasador, vai-se desenvolvendo uma forte ligação entre ambos, como se fossem pai e filho, de uma forma nunca antes sentida quer pelo homem de meia-idade e fracos recursos quer pelo rapaz, de uma família da classe média, cujo pai desaparecera após ter sido detido por envolvimento em atividades políticas subversivas.

Os dois trocam histórias que refletem diferentes visões do mundo e acabam por depender um do outro. Mas na cidade, onde se abastecem de provisões e onde procuram distrair-se ao final do dia, o rapaz encontra uma atração irresistível. A Mulher de Cabelo Ruivo, uma artista encantadora ligada a uma companhia de teatro itinerante, atrai o seu olhar e parece igualmente fascinada por ele. o maior sonho do rapaz é realizado e, obcecado com este arrebatamento, esquece o escavador que vem a sofrer um acidente. o rapaz parte de regresso a Istambul e somente anos depois sabe qual o destino do seu mestre, e descobre finalmente quem era a misteriosa mulher de cabelo ruivo.

Uma envolvente história de amor, laços familiares e mistério, tradição e modernidade, escrita por um dos maiores escritores do nosso tempo.




Uma escrita tão fluída que rapidamente lemos sobre o cenário da Turquia nos últimos 40 anos e sobre temas e conflitos universais: relações entre pais e filhos, as origens, o sentimento de culpa, o destino e o sentido da vida. Este livro é genial.