terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os meus livros #4 - A invenção do amor (José Ovejero)

SINOPSE
Uma história de amor inventado, absolutamente real. Do seu terraço, Samuel observa a agitação quotidiana de Madrid, repetindo para si próprio que tudo está bem. Sobreviveu aos quarenta, a "idade maldita", não tem filhos, e as mulheres entram e saem da sua vida sem nunca pronunciarem as palavras "para sempre". Uma madrugada, alguém lhe comunica por telefone que Clara, sua ex-namorada, morreu num acidente. De ressaca, Samuel é incapaz de explicar que não conhece nenhuma Clara. Impelido por um misto de curiosidade e enfado, decide ir ao velório. É então que, fascinado pela possibilidade de usurpar a identidade da pessoa com quem o confundem, Samuel ficciona uma história de amor com Clara, que vai partilhando com Carina, a irmã desta.
Samuel vê nesse jogo de ilusões a possibilidade de reinventar a sua existência e sentir-se vivo, por fim. À medida que a memória de Clara vai ganhando verdadeira forma na sua cabeça, vai crescendo também a atracção que sente por Carina - e Samuel começa a perder o controlo do jogo que criou. Irá o amor que inventou ser a sua salvação ou a sua perdição?


O livro que nos deixa 3 questões. Queremos mesmo a vida que vivemos e que aparentemente é aquela que escolhemos? É possível inventar uma nova vida a partir de um facto? E ainda, a questão que nos deixa em aberto o final do livro e que na minha opinião cabe a cada leitor decidir e inventar. 

Tempo de ver #3 - Collateral Beauty



Completamente sem sentido

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Síndrome de leitora compulsiva

Ainda o filme não ia a meio e já eu lhe adivinhava o final. Bastou-me uma frase para perceber tudo aquilo que era suposto ocultar até aos últimos minutos da história. Na grande cena que anunciava o inesperado ouviram-se por toda a sala murmúrios de admiração. Para mim já não era novidade. Como é que sabias? Perguntou-me a minha amiga. E eu lá lhe expliquei quando e como percebi tudo. Como é que a mim passou despercebido enquanto que a ti não? Perguntou-me ela novamente. E eu fiquei a pensar nas histórias, nas personagens, nos locais, na forma de analisar o que leio, nos pormenores desde a primeira página que vão fazer todo o sentido até à última, nas páginas de leituras que inundam os meus dias e respondi, síndrome de leitora compulsiva. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

É tão bom fazer sofrer quem nos fez sofrer a nós, não é? (inserir gargalhada maléfica)

Corria o início do longínquo ano de 2016, logo nos seus primeiros dias e a Su começou a enviar-me mensagens sobre a minha prenda de aniversário. Para o meu aniversário faltavam cerca de 45 dias e as várias mensagens por dia faziam-me adivinhar que não ia ser nada fácil lá chegar. No telemóvel, no messenger ou no email, que nós temos de estar sempre em sintonia e às vezes até conseguimos estar a falar de várias coisas ao mesmo tempo nos vários sítios que nos permitem fazê-lo, o assunto nunca ficava esquecido. E a prenda de aniversário que pensei para ti? E a tua prenda?  Tou tão ansiosa que abras a tua prenda. Pedi ajuda a uma pessoa para fazer a tua prenda. E a tua prenda? E a tua prenda? E a tua prenda? Vais desmaiar quando abrires a tua prenda.
Não feliz por infernizar a minha vida durante tanto tempo ainda enviou a prenda com vários dias de antecedência para que eu a tivesse em casa, a olhar para mim, sem lhe poder tocar e sem conseguir adivinhar o que estaria ali, dentro do misterioso embrulho. A espera compensou, a prenda era a minha cara, ou melhor, a cara do blog.
A vingança é um prato que se serve frio, que é mais ou menos como quem diz, por o retorno é que a Su não esperava. E nem estou a falar do aniversário dela e da pressão psicológica que poderia ter feito com a prenda que lhe comprei. Corria o passado mês de Outubro quando eu lhe disse que pretendia comprar um determinado livro e a Su foi obrigada a dizer-me que o Pai Natal já estava a ficar fodido comigo porque esse livro já estava em casa dela como parte da minha prenda de Natal. Não pensem que ainda assim escapei, com a outra parte da prenda também não foi fácil aguentar a ansiedade da Su, o que é compreensível, foi só uma das coisas mais especiais de sempre. Ora, neste momento falta cerca de 1 mês para o meu aniversário e ontem disse à Su que não ia comprar livros, que tenho imensos para ler, que bla... bla... bla... só ia mesmo comprar um, porque era o livro que eu queria mesmo e porque tinha de o ter e... tcharan... a Su já tem esse livro para o meu aniversário. O que quer dizer que depois de a Su me fazer sofrer tanto chegou a minha vez de a fazer sofrer a ela e adivinhar duas prendas consecutivas. Ela insultou-me um bom bocado e eu ri às gargalhadas, com a certeza de que no meu aniversário vou receber exactamente o livro que eu quero.
A amizade talvez seja capaz de ser isto, fazer sofrer um bocadinho uma à outra e saber sempre aquilo que é importante e especial. 

Os meus livros #3 - Filho de Deus (Cormac McCarthy)



SINOPSE


Filho de Deus é a história de Lester Ballard, um solitário homem rural que foi afastado das suas terras. Psicologicamente desequilibrado, mas dotado de uma imaginação fértil, cruel e pervertida, deambula pelos montanhosos domínios do Tennessee.




Conheci Corman McCarthy quando li A Estrada, livro que nunca mais consegui esquecer e que me vai ficar para sempre na alma. Corman McCarthy consegue mostrar-nos aquilo que temos de mais humano e de mais desumano, assim como os instintos de sobrevivência que criamos quando nos tiram do nosso habitat natural ou os instintos primitivos com que crescemos, quando somos privados de educação e de uma sociedade. Quero ler todos os livros de Cormac McCarthy. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Consegues vê-lo?

Do topo da montanha olhas para o infinito que não te cabe na alma. Quem nunca conquistou a montanha não é capaz de ver isto de que vos falo. São sítios únicos que estão lá para nós, são lugares que cantam músicas que nunca foram ouvidas, que contam histórias que nunca foram partilhadas, que preenchem textos que nunca foram escritos, são enquadramentos perfeitos. O topo da montanha ocupa-nos o peito, o coração, o corpo, a alma, os sonhos. Mostra-nos as cores que nunca vimos, os caminhos que desconhecíamos, as palavras que nunca dissemos, o chão que nunca pisamos, os trilhos por onde nunca nos aventuramos. No topo da montanha vivemos momentos únicos e inesquecíveis que queremos guardar para sempre, são abraços de vento, são vontades. 


Do topo da montanha olhas para o infinito que não te cabe na alma. Consegues vê-lo?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Fashion mais fashion não há

Mami adora preto, branco e cinzento e elogia sempre qualquer peça ou combinação que eu tenha ou faça com essas cores. Desengane-se quem pensar que são elogios de mãe, ninguém melhor que a minha para dizer que aquela saia me faz mais gorda dez quilos, que aquelas calças são horrorosas, que não sabe onde raio fui arranjar um vestido tão feio, que não percebe porque é que sempre que saio com ela tenho de ir mal vestida. Hoje estou a usar um casaco de pêlos com as cores favoritas da minha mãe e o elogio não tardou a chegar, que estou tão linda, que me fica mesmo muito bem, que estou tão fofinha, que adora o meu casaco. E quando já eu ia à minha vida, agradecendo os elogios e feliz, a desfilar a minha vaidade, diz o papito que sim senhor, que estou linda, tão linda que mais pareço um texugo. 


Por favor, mandem-me contactos de associações de apoio à vitima de violência psicológica por parte dos progenitores.

A lebre e a tartaruga

Sigo caminho sem pressas nem ansiedade de chegar, aproveito cada bocadinho de chão, paro para olhar e desfrutar da paisagem, observo o que me rodeia, sinto e distingo os cheiros que a caminhada me oferece, guardo lembranças na alma que vão ficar para sempre, respiro fundo enquanto observo o céu e o infinito, experimento sensações nunca antes conhecidas, sinto na pele a brisa de que necessito, tento conhecer de cor o mundo que é só meu, tento absorver cada gota daquilo que me proporciona este caminho. Um passo de cada vez e sigo para bem longe, sem saber ainda onde me leva este trilho, uma grande caminhada começa sempre por um pequeno passo, cada pequeno passo me aproxima mais do horizonte. Caminho devagar, mas nunca volto para trás.

A lebre não passou primeiro a linha da meta e toda a gente sabe que quem mais aproveitou o caminho foi a tartaruga. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017