quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Loira, a vaidosa

Viver sozinha tem as suas vantagens, poderia enumerar aqui uma vasta lista delas, mas este post serve para falar da fashion blogger que há em mim. Tenho uma espécie de obsessão por roupas de ciclismo, que ocupam a minha parte preferida do roupeiro há muito tempo. E se a parte do roupeiro dos calções e calças de licra com almofadas, dos jerseys, das térmicas, dos impermeáveis, dos casacos de inverno e de toda aquela piroseira que uso para pedalar já era impressionante, agora está um escândalo. Já não é uma parte mas um todo. O espaço a mais serviu-me para espalhar e separar aquilo que já começava a ficar apertado e desorganizado por excesso de compras e de paixão. Tenho, desde que fiz as arrumações necessárias um imenso orgulho no meu roupeiro de pedalar, abro-o vezes sem conta, suspiro, sorrio, é só meu e é lindo. Sento-me no chão, em frente ao roupeiro mais fashion, colorido e piroso de todo o sempre e tento escolher o que vestir na próxima pedalada, mas parece que é cada vez mais difícil, a vaidade tem as suas desvantagens. Um dia destes fotografo o meu novo roupeiro só para publicar, vou ser mais fashion blogger do que nunca, um dia destes, depois de chegarem as muitas peças que vêm a caminho do meu roupeiro. Socorro, não consigo parar. Socorro, continuo a não ter nada para vestir. 

Querido diário

Mostras-me a diferença entre aquilo que fui e aquilo que sou.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Querido diário

Continua a ser fascinante escrever-me em ti.

Há coisas que ficam para sempre

Acabou a minha água, ainda tens? Força, é a última subida. Só faltam 10 km. Vamos mais devagar. Temos de parar uns minutos. Vamos ao teu ritmo. Deixa-se só recuperar. Tenho um furo. Tens um elo de corrente? Precisas de beber? Queres uma barrita? Ainda tenho um chocolate. Preciso da tua ajuda. Tens uma câmara-de-ar? Quem é que vem a fechar? Claro que aguentas. Agora é sempre a descer. Tira ferro. Não é preciso levar luzes, chegamos cedo. Eu sei o caminho. Anda atrás de mim. Falta pouco. Caí. Magoaste-te? Eu também vou. Vamos? Faço a tua inscrição? Apanha a minha roda. Estamos mesmo a chegar. Queres metade da minha fruta? Monta e anda. Chegamos. Conseguimos. Boa. Para a semana voltamos. No próximo ano a viagem será mais longa. Quantos km são? Qual é o acumulado de subida? Vamos treinar? Marcamos voltinha com almoço? Pedalamos o dia todo? Queres vir? Vou contigo. Marca com a equipa. Avisa o pessoal.

Há coisas que ficam para sempre, chamam-se amizades. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"Domingo sabe de cor o que vai dizer segunda-feira"


Não há nada de interessante, de mágico ou de desejoso em seguir pela estrada da vida em linha recta, sempre dentro dos limites de velocidade que nos são impostos e com um destino certo e esperado pelos outros a alcançar. Eu sou de instabilidade, sou de desejos, sou de instintos, sou de sonhos, sou de excessos, sou de aventura, sou faminta de inesperado e de vida, sou de viagens sem destino, mas sempre a alcançar novas metas e objectivos. Eu sou de curva e contracurva. 

Marco quilométrico

Há um marco quilométrico que me indica que faltam quinze quilómetros para chegar ao meu destino do coração, é o marco que marca a minha visão dos quilómetros, a mudança no meu corpo e o espírito com que encaro as viagens de vida. A primeira vez que lá passei, na minha bicicleta, olhei-o com um sentimento de cansaço e de desespero, olhei-o triste e com dores, pensei que ainda faltavam quinze quilómetros para o destino, suspirei, queria chegar rapidamente, queria que acabasse, já só pensava na meta e quinze quilómetros parecia-me tanto e tão longe. Passei lá uma segunda vez, na minha bicicleta, um ano depois e inconscientemente olhei para o mesmo marco e pensei com tristeza que já só faltavam quinze quilómetros para acabar, a minha tristeza desta vez era diferente, queria prolongar a viagem, estava bem fisicamente, queria aproveitar cada quilómetro, cada metro, cada bocadinho daquele tanto que a viagem me oferecia e quinze quilómetros parecia-me tão pouco e tão perto. Só em casa pensei nisto, só no regresso percebi a mudança que ocorreu em mim num ano, entre um caminho e o outro, só depois de rever as minhas viagens com calma e de coração cheio soube que aquele marco, além dos quilómetros, marcava também algo em mim.
Depois disso já lá voltei a passar incontáveis vezes na minha bicicleta e olhei-o sempre, ao marco quilométrico e de vida, com o carinho e a importância que ele merece da minha parte. Há bocadinhos de mundo que são mais nossos do que dos outros.
Se me dissessem há uns anos que um dia passaria por lá a pé eu não iria acreditar, mas aconteceu. Talvez as dores nunca tenham sido tão intensas, mas quando cheguei ao meu marco dos quinze quilómetros para o destino não tinha pressa de chegar, não tinha desespero de acabar com o sofrimento, não tinha a meta na minha cabeça. Queria aproveitar cada passo, queria demorar o máximo de tempo possível, sabia que aqueles últimos quilómetros seriam muito importantes para mim, queria viver o caminho sem pensar no destino e precisava que aquele final fosse eterno. Consegui. O marco quilométrico e de vida foi mais uma vez muito importante para mim, nunca quinze quilómetros tinham sido tão pouco e tanto, nunca quinze quilómetros tinham sido tão perto e tão longe. Há bocadinhos de mundo que são mais nossos do que dos outros, aquele marco quilométrico e de vida é bem capaz de ser só meu. A vida é uma viagem, não é um destino. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pela vossa saúde, não corram

Ainda não sou capaz de explicar como isto aconteceu, mas há uns tempos atrás umas pessoas que se dizem minhas amigas convenceram-me a correr um trail. Eu não corro, eu não sei correr, as pessoas que se dizem minhas amigas sabem que eu não corro, toda a gente no mundo e arredores sabe que eu não corro. Isto tinha tudo para correr mal a não ser o facto de eu, depois de entrar num desafio, não ter capacidade psicológica para desistir dele. Depois de alinhar nesta loucura a ideia passou a ser morrer, mas só depois de passar a meta e de ter conseguido cumprir o objectivo. Tentei treinar algumas vezes, mas confesso que eram só tentativas de corrida, porque aquele tempo era geralmente passado a caminhar e a ter uma boa conversa. Domingo passado lá fui eu, de trombas e em completa negação correr os 17 km que prometia o cartaz, mas que afinal eram 18,8 Km. Sim, correr 17 km era pouco, então a organização achou que quase mais 2 km era uma alegria para todos os participantes. Corri, caminhei, subi e desci encostas, passei rios, saltei, molhei-me, caí, levantei-me, voltei a correr, subi pedregulhos, quase voltei a cair, sonhei com a minha bicicleta e cheguei à meta, contrariada mas feliz, por ter conseguido atingir o objectivo e por ter superado o desafio. Ah... que coisa espectacular, dizem vocês. Não vão nessa. A pior parte é depois de passar a meta, são dores insuportáveis no corpo todo, são músculos que eu desconhecia existirem e que agora decidiram manifestar-se, são pernas que mal se conseguem mexer, são sensações que não consigo explicar. Pela vossa saúde, não corram, mas se correrem saibam desde já, vão ficar todos fodidos.

O lado B da vida

Num Maio já bastante longínquo da minha carreira profissional aconteceu o caos. Foi pedida a insolvência do nosso maior cliente. Era a tragédia, o pânico, o horror. Como iríamos nós sobreviver? Como fazer para liquidar os compromissos agendados? Como resolver os descontos bancários? O que fazer a seguir? De repente o mundo desabava à nossa volta, o desemprego naquela empresa não eram só números e estatísticas, tinha rostos, tinha nomes, ninguém conseguia ficar indiferente, nós falávamos com aquelas pessoas todos os dias, a seguir podia ser a nossa vez. Reuniões de urgência, planos, alternativas, soluções eram necessárias, mas não havia muito o que pudesses ser decidido ainda, era demasiado cedo para saber o impacto que aquilo poderia ter na vida da nossa empresa. O ambiente era de terror, o nervosismo tomava conta de todos.
Loira, e você, o que tem a dizer sobre isto? Não fique calada, diga qualquer coisa. Tem de haver algo que você possa dizer. Claro que sim... Já pensou no dinheiro que vamos poupar em ofertas no próximo Natal? 
Talvez seja possível que a vida tenha sempre um lado B.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Dilúvio

Desliguei a música e fiquei só a ouvir o som da chuva que cai torrencialmente. Estes dias apaixonam-me. Depois do dilúvio o renascimento. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Reaprender a ler

Ler um livro num dia, ler dois livros por semana, ler de oito a dez livros por mês, ler sem parar, ler por paixão. Há muito tempo que não o consigo fazer, tanto que corresponde a uma eternidade no meu mundo de capas, contracapas, páginas, personagens, histórias, imaginação e sonhos. Não conseguir ler é como se uma parte de mim se tivesse perdido, uma parte muito importante. Ontem, depois de muitas tentativas com outros livros separei A contadora de filmes de Hernán Rivera Letelier e A metamorfose de Frank Kafka, no meio do desespero de não me conseguir concentrar e de não conseguir viver as páginas de liberdade de que tanto gosto pareceram-me os livros ideais para reaprender a ler. Abri A contadora de filmes e só o fechei na última palavra, do último parágrafo, da última página, depois de um suspiro e de um enorme sorriso de felicidade. Hoje vou ler A metamorfose. Talvez reaprender a ler não seja assim tão difícil, só tenho de encontrar a parte de mim que andava perdida e agora tenho a certeza que é nas páginas dos livros que me reencontro. 


(Aos que perguntam pelas publicações dos livros que leio, estão muito atrasadas, mas em breve trato do assunto)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ganheeeeiiiiiii!!!! *

Pois que acabei de saber não só que ganhei um prémio como também que estava habilitada a conseguir uma coisa destas. Estou muito feliz pelo reconhecimento e principalmente pelo empeno. Uhhhhhh. Uhhhhhhh!!!!! Quase 7 anos depois de Blog e de pedaladas é bom saber que continuo a brilhar para vocês. E, sobretudo, é bom saber que não sou chata o suficiente para vocês se passarem ao caralho depois da primeira frase. Obrigada, obrigada, obrigada!

Óbvio que o maior reconhecimento vai para vocês que eu penso que me lêem, mas que clicam no feed por engano vezes suficientes para alimentar o meu ego. Este Blog existe para vocês saberem que eu sou a maior e que as minhas pedaladas são dignas de aplausos. Aos outros dois ou três que não chegam aqui enganados eu um dia destes pago um jantar.


Depois, obrigada a todos os que tornaram isto possível, os meus amigos que não têm outro remédio senão acompanhar-me porque eu os obrigo a isso, aos meus pais que vão aceitando a minha pancada porque não fizeram mais nenhum filho e têm de me suportar tal como sou, ao chefe que sem saber patrocina em horas não só a escrita como os sonhos e os planos de aventuras e a todos os que me inspiram a ser louca todos os dias. 

Por fim, obrigada a quem teve a iniciativa de organizar maratonas e de reconhecer as pessoas que querem pedalar por paixão e sobretudo a quem me acompanhou e ofereceu a roda durante todo o trajecto. Ser a blogger bttista mais fashion de todo o sempre e ainda ter direito a uma taça é muito especial para mim, claro que todos mereciam, mas eu não tenho culpa de ser mais gira e mais estilosa do que todos os outros. Da próxima peço que me avisem que ganhei assim que passar a linha da meta, ou pelo menos que me informem que há a possibilidade de isso acontecer, só para eu ter tempo de lavar a cara e apertar os cordões antes de ser chamada ao pódio.

O prémio é dedicado à minha bicicleta, sem ela seria impossível pedalar e ter tanto estilo. 



* Este post contém ironia (já tinham percebido, não já?)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Até parece um fashion post

Troquei os saltos pelos rasos. Mudei. Inventei-me. Caminho agora mais depressa e decidida, como se caminhar fosse uma dança. Não penso no destino, só penso no caminho a percorrer. Não me importa o estado do pavimento nem penso no desequilíbrio. Fiquei mais baixinha e mais gordinha, mas a cada passo sou mais feliz. Já não tento estacionar sempre perto da meta a alcançar, percorro as ruas e aprecio a calçada e as inclinações. Olho para o horizonte e para as pessoas sem os dez a quinze centímetros que me separavam sempre do chão. Todos os dias me surpreendo com o meu novo estilo e gosto cada vez mais. Sou mais livre agora. Estou mais perto do solo mas também mais perto do mundo da lua. Troquei os saltos pelos rasos. Mudei. Inventei-me. Até parece um fashion post. Até parece que estou a falar de sapatos. 

O meu amor morreu...

O amor morre. A vida não é sempre cor-de-rosa. Há sonhos que desaparecem no infinito. Não foi para sempre. Não durou a vida toda. O meu amor morreu. Não morreu de um acidente fatal e inevitável nem de morte súbita, morreu de doença prolongada e degenerativa. Foi enfraquecendo, perdendo as forças, perdendo o sentido, foi respirando cada vez mais devagar, foi-se alimentando cada vez com mais dificuldade. E morreu. Morreu à fome. A vida segue lá fora. O funeral está a ser difícil e doloroso, mas não há luto que dure para sempre, ou há, mas neste momento prefiro pensar assim. A vida segue lá fora. O meu amor morreu. E eu sigo com a vida, porque o amor morre, mas a vida não.