segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os meus livros #23 - A herança de Eszter (Sándor Márai)



Sinopse


Durante vinte anos Eszter viveu uma existência cinzenta e monótona, fechada sobre si própria, esperando a morte e sonhando com o retorno de um amor impossível. Até ao dia em que, inesperadamente, recebe um telegrama de Lajos, o único homem que amou e graças ao qual encontrou, por um breve período, sentido para a sua vida. Grande sedutor e canalha sem escrúpulos, Lajos não só traiu Eszter como destruiu a sua família, tirando-lhe tudo o que possuía. Agora, depois de uma ausência prolongada regressa, e Eszter prepara-se para o receber comovida e perturbada por sentimentos contraditórios.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Querido diário,

Não tentes caminhar lado a lado com quem quer chegar ao mesmo destino que tu. Caminha lado a lado com quem quer viver o caminho como tu.

A loucura é o meu estado natural

Grandes posts dariam as minhas loucuras, as minhas aventuras. Este Blog já viveu disso, dos meus momentos de insanidade ao pedal e na vida, agora anda um pouco perdido, adormecido, esquecido. No meio desta minha falta de inspiração e de organização de tempo ainda comecei a escrever num outro Blog. Tenho agora de alimentar dois espaços com pedaços de vida, de loucuras e de aventuras, que grandes posts dariam se eu ainda olhasse para os meus momentos de insanidade como situações únicas, espectaculares, raras e extravagantes, acontece que para mim esses momentos agora são normais, banais, usuais e por vezes até diários. Não sei o que me aconteceu entretanto, mas a loucura é o meu estado natural.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Reler-me #34

Estes dias tenho-me lembrado muito desse dia

Enquanto estava a fazer O Caminho Francês de Santiago, quase há um ano atrás, houve um dia em que fiquei doente. Durante a noite tive uma paragem digestiva e quando acordei em Mansilla de Las Mulas sentia-me muito mal, tinha dores de estômago, dores de cabeça, estava enjoada e tinha uma sede indescritível. Preparamos tudo para partir e eu sempre doente, os meus companheiros de viagem tomaram o pequeno-almoço e partimos. Pouco tempo depois de ter começado a pedalar vomitei e fiquei a sentir-me ainda mais doente. Continuamos a pedalar, paramos algumas vezes durante o dia para os meus colegas comerem, eu não conseguia. Pedalei todo o dia sem comer, sentia-me fraca mas continuei a pedalar, por vezes ficava sem forças, recuperava e continuava. O destino pensado para esse dia era Astorga e chegamos lá a meio da tarde. Não consegui lanchar. Fomos visitar o palácio de Gaudi, estivemos numa festa popular que havia no centro da cidade e fomos ainda a uma bênção de peregrinos para a qual nos haviam convidado. Já depois, enquanto os meus colegas jantavam e eu olhava para eles a minha amiga disse-me com o ar mais natural do mundo que estava muito orgulhosa de mim por eu estar doente e ainda assim pedalar todo o dia, disse-me ela que eu podia muito bem ter parado a meio do percurso ou simplesmente nem ter saído de Mansilla de las Mulas. Só nesse exacto momento é que pensei nisso, durante todo o dia nunca pensei sequer em parar, nunca foi uma opção. Estes dias tenho-me lembrado muito desse dia, quando na nossa cabeça não há outra opção, continuar em frente é a única solução. Ainda bem que nesse dia nunca houve outra opção para mim a não ser o destino planeado e ainda bem que estes dia me tenho lembrado muito desse dia, sempre como um exemplo a seguir. 

Julho de 2014

domingo, 16 de julho de 2017

Reler-me #33

As pessoas, sempre as pessoas.

Quando comecei a praticar BTT na cidade onde vivo seriam uns 30 que faziam o mesmo. Todos sabiam que se pedalava às terças e quintas às 20:00 H, aos sábados às 14:00 H e aos domingos às 08:30 H, partíamos sempre do mesmo local, todos sabiam disso, todos se juntavam para ir para o monte andar de bicicleta, para se divertir e para comer e beber com os amigos, eram todos amigos. Depois, andar de bicicleta virou uma moda e começaram a chegar os outros. Chegaram os que começaram a combinar partir exactamente à hora de sempre, mas num local diferente. Chegaram os que quiseram dividir as pessoas por grupos. Chegaram os que queriam competir. Chegaram os que queriam competir com os amigos. Chegaram os que só queriam elogios porque andavam muito. Chegaram os que quiseram criar o seu próprio grupo. Chegaram os que fizeram da bicicleta a sua vida. Chegaram os que se diziam amigos mas só ligavam quando precisavam de boleia. Chegaram os que se chatearam com os outros. Chegaram os que só olham para a bicicleta deles, que é como quem diz, para o umbigo deles. Chegaram os que fazem dos passeios uma corrida. Chegaram os que criticam tudo e todos. Chegaram os que "com aquele é que eu não ando". Chegaram os que são capazes de deixar um amigo para trás. Chegaram os que acham que os passeios deles são melhores do que os dos outros. Chegaram os que acham que são melhores que os outros. Chegaram muitos e o espírito inicial perdeu-se. Perdeu-se a cumplicidade que se tinha às terças e quintas à noite, aos sábados à tarde e aos domingos de manhã, sempre em frente da loja do Pedro, sempre para todos. Perdeu-se, mas não irremediavelmente, as coisas podem nunca mais ser como eram no início mas como em tudo na vida é fácil manter o espírito, o nosso espírito, basta pedalar com as pessoas que valem realmente a pena, porque as pessoas continuam a ser o mais importante, é só aprender a distinguir as pessoas, as nossas pessoas, e não se importar com as outras, como em tudo na vida.

Julho de 2014

Os meus livros #22 - Crónica de uma Morte Anunciada (Gabriel García Márquez)


Sinopse

Vítima da denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias, o jovem Santiago Nasar foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante, como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada e sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana: é esta a história verídica que serve de base a este romance, e que, logo nas suas primeiras linhas, é enunciada.

A capacidade de Gabriel García Márquez em reconstruir um universo possuído pela nostalgia, mágica e encantatória da infância e a sua genial mestria em contar histórias fazem deste romance mais uma das obras-primas que consagraram definitivamente este autor.

sábado, 15 de julho de 2017

Reler-me #32

Ravishankar Ragavan

Li por estes dias o livro Quem quer ser bilionário, quando a adaptação ao cinema saiu, há anos atrás, o Ravi disse-me para o ir ver, teria ido de qualquer forma mas o Ravi explicou-me que o filme retratava a Índia dele, falou-me dos pormenores, disse-me para estar atenta a algumas coisas e falou-me de locais e de formas de vida que eu desconhecia por completo. O Ravi trabalhou comigo durante alguns meses, tinha data marcada para regressar à Índia, estava de casamento marcado e tinha que ser naquela data exacta, nem mais um dia, nem menos um dia, os astros diziam que eles tinham que casar naquele dia, senão nunca mais casariam. O Ravi aproveitou a oportunidade única na vida de trabalho fora da Índia e veio, ainda que com a ressalva de voltar para aquele dia, o dia exacto que tinha de casar, senão nunca mais. E o Ravi regressou à sua Índia, com a notícia de que não poderia mais voltar e com a esperança que as coisas ainda pudessem mudar. O SEF não deu a autorização ao Ravi de voltar, apesar de ele ter residência em Portugal e de ter um contrato de trabalho assinado. A firma onde eu trabalhava na altura teve ainda de assinar um documento em que se responsabilizava por qualquer acto que o Ravi pudesse cometer enquanto esperava por outro avião na Alemanha, qualquer acto que ele pudesse cometer dentro do aeroporto durante um par de horas, uma vez que não tinha sequer autorização para sair do aeroporto, assim mesmo, como se fosse um foragido. O Ravi que só queria casar e voltar para cá já com a mulher para trabalhar, o Ravi que ficava com os olhos a brilhar só de falar na forma como conseguimos por cá organizar o trânsito e da limpeza nas ruas. O Ravi partiu triste, com a esperança de voltar um dia, esperança essa que nunca mais se concretizou, mas voltou feliz, com um sorriso fantástico através das fotos do casamento. A vida é feita de opções e de oportunidades, mas há pessoas que nascem já com as oportunidades muito limitadas. Enfim, o livro não tem nada a ver com o filme, o livro não me mostrou os pormenores da Índia do Ravi e não me emocionou como o filme, talvez a culpa tenha sido do Ravi mas eu passei o filme a chorar e a rir e a chorar novamente. Um destes dias tenho que rever o filme e mandar um email ao Ravi, há muito tempo que não tenho notícias dele.

Julho de 2014

Os meus livros #21 - O meu nome era Eileen (Otessa Moshfegf)

SINOPSE
O Natal é uma época que tem muito pouco para oferecer a Eileen Dunlop, uma rapariga modesta e perturbada, presa a um emprego enfadonho como secretária num instituto de correção de menores e forçada a cuidar de um pai alcoólico. Eileen tempera os seus dias vazios com fantasias perversas e sonhos de fuga para uma cidade grande. Enquanto não o consegue, entretém-se a fazer pequenos furtos na loja de conveniência e a fantasiar com Randy, um guarda do reformatório com corpo de homem e cabeça de rapaz. Quando Rebecca Saint John, uma ruiva vistosa, alegre e inteligente, é contratada como a nova psicóloga do reformatório, Eileen é incapaz de resistir à sedução de uma amizade que promete transformar a sua vida. Mas, numa reviravolta digna de Hitchcock, o poder de Rebecca sobre Eileen converte a rapariga em cúmplice de um crime a que pode ser impossível escapar. Com a paisagem nevada da Nova Inglaterra como pano de fundo, a história de Eileen é arrepiante, hipnótica e divertida. Com um primeiro romance cheio de força, que agarra e perturba o leitor até à última página, Ottessa Moshfegh faz uma entrada retumbante nas letras norte-americanas

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Reler-me é inspirador

No início de 2017 propus-me o exercício de reler o meu blog, de em cada mês voltar ao mesmo mês dos anos anteriores e de assim lembrar tudo o que escrevi para não esquecer e tudo o que escondi nas entrelinhas ao longo dos anos que o blog passou comigo, tenho conseguido até lembrar-me dos porquês das pausas e dos abandonos ao meu diário. Cumprir este desafio tem-me feito recordar e viver novamente, talvez seja essa a verdadeira utilidade de escrever pedaços nossos para um mundo desconhecido, inspirar-nos a escrever ainda mais, a transformar dias em histórias e momentos em parágrafos, a conjugar sentimentos e a arranjar palavras que descrevam o mais profundo recanto da nossa alma. Reler-me é inspirador, manter o blog vivo também.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Querido diário

Escrever nunca poderá ser obrigação. Escrever só por inspiração, só por paixão.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O registo fotográfico que faltava











De Fátima a Santiago pelo Caminho de Santiago, Junho de 2017

Um Caminho grande, um grande Caminho.

terça-feira, 27 de junho de 2017

As setas apontam para o mundo


E foi o mundo que as setas me mostraram, me mudaram. Talvez o mundo ache que foi aqui que me perdi, ao mundo só tenho a dizer que foi aqui que me encontrei. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Não sei se uma imagem vale mais do que mil palavras

Sei que na minha visão do mundo escolho sempre as palavras, apesar de me ter proposto há uns tempos atrás a arranjar mais imagens daquilo que vejo, por adorar fotografia, mas não é fácil para mim, quando olho para o espigueiro no meio da aldeia, para a flor amarela e solitária no meio do campo de erva, para o cão deitado no muro, para a idosa à sombra da árvore, para as flores coloridas da casa na descida, para o topo da montanha visto antes de começar a subida ou para a paisagem incrível que vejo lá de cima, quando finalmente a subida acaba, acho sempre que tenho de mostrar tudo ao mundo através das minhas palavras. Escolho sempre conjugar o que sinto, o que vejo e o que faço, as palavras são a minha primeira opção. Preciso arranjar mais imagens, não só para arranjar forma de mostrar ao mundo o quanto o meu mundo é belo, preciso arranjar mais imagens, para conseguir arranjar também mais palavras e descrever e conjugar tudo aquilo que me inspira, tudo aquilo que me apaixona, tudo aquilo que existe. Não sei se uma imagem vale mais do que mil palavras, ou se as palavras quando bem interpretadas valem mais que mil imagens, sei que ambiciono que as imagens e as palavras se confundam nos meus recantos mais profundos e que a minha visão do mundo seja uma união perfeita.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

As Bloggers

Já não me lembro quando a comecei a ler, ou ela a mim, sei que foi há alguns anos atrás e que o facto de ambas pedalarmos fez com que nunca mais deixássemos de nos ler. Vi-a pela primeira vez num NGPS, sem nada combinado, ficamos a saber pelos posts do dia que o desafio seria comum às duas. Passaram alguns anos entretanto, de leituras, partilhas e muito mais, até o ano passado, quando eu, já não me lembro muito bem como nem porquê a desafiei a vir comigo na minha viagem. Somos a prova que se pode gostar e interpretar uma pessoa por aquilo que ela escreve e que compreendendo as entrelinhas podemos mesmo conhecer essa pessoa, somos a prova de que não são precisas muitas palavras para dizer um gosto de ti. Foram os nossos blogues que nos fizeram confiar, eu confiei nela e naquilo que lia quando a chamei para o meu grupo de amigos, para a viagem, para minha casa e para o meu mundo, ela confiou em mim e naquilo que lia quando aceitou, quando apanhou o comboio e veio, quando montou o alforge e saiu de casa para uma aventura incerta. Este ano repetimos a aventura, voltei a desafiar a Gaja Maria e ela voltou a acreditar em mim, ainda bem que o fizemos, foi uma viagem muito especial esta. A Gaja Maria e a Loira há muito que deixaram de ser bloggers para serem amigas, com muito em comum. Foi bom, foi muito bom partilhar a grande viagem do ano com ela, sei que na próxima aventura não vai ser preciso convidar, ela vai lá estar, porque já faz parte. Gosto dela, gosto mesmo, gosto tanto que estava capaz de publicar uma foto das duas, tirada por trás, enquanto conversávamos e pedalávamos lado a lado, uma linda visão daquilo que foi a nossa viagem, só não publico porque a desgraçada é muito mais magra que eu.