quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ando demasiado ocupada

A ver o comboio da minha vida descarrilar.

Loira, a fugitiva

Sentei-me sozinha no topo da montanha depois de carregar e montar as luzes e de a subir a um ritmo lento e doloroso. Fiquei por lá a ver o dia a ir embora e as luzes da cidade a aparecerem cada vez com mais intensidade. O trânsito e a vida passam lá em baixo a um ritmo vertiginoso enquanto eu os observo com a calma e a paz que a montanha me transmite. Ouvi a minha música e respirei calmamente enquanto a noite caía. Liguei as luzes e desci a montanha, mais uma vez lentamente porque rumo à cidade de onde fujo cada vez mais. A montanha é o sítio onde mais gosto de estar no mundo, é lá que me sinto em casa. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O vôo dos loucos...

Controlar a bicicleta nas descidas cheias de pedras até ficar com os braços a doer. Tentar escolher o melhor trajecto e ao mesmo tempo não perder velocidade. Travar o menos possível e no sítio certo. Não pensar em quedas, em ossos ou dentes partidos. Ficar com os gémeos a arder de descer tanta pedra. Dar saltinhos e sorrir. Divertir-me ao máximo. Largar os travões, abrir ligeiramente as pernas e puxar o rabo para trás. Sentir o vento na cara. Estar feliz. Há muito tempo que não me divertia tanto a descer. Pedalar são as minhas asas. Ontem voei. Ontem voei muito alto. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Loira, a pindérica. Ou... blogger de sucesso que é blogger de sucesso mostra pelo menos uma vez na vida o seu guarda-roupa

Transformei a minha bicicleta, rosa e amarela, única no mundo e arredores, pensada por mim em cada pormenor, perfeita, feminina, a mais bonita de todo o sempre. Mandei pintar também o capacete, para ficar exactamente igual, comprei sapatos de encaixe das minhas cores, escolhi óculos e luvas para combinações perfeitas. Uns lacinhos, umas pulseiras adequadas ao pedal, os acessórios ideais. Escolho e compro equipamentos com uma paixão indescritível, tenho casacos, térmicas, coletes, impermeáveis, calções, jerseys de manga curta e comprida, manguitos e tudo o mais que se possa imaginar de todas as cores e feitios. Apaixono-me por coisas diferentes e inesperadas. Terei quase uma centena de meias coloridas até ao joelho, não saio de casa para pedalar sem elas. Penso em todos os pormenores antes de me vestir para pedalar, como se cada dia fosse um dia muito especial. Faço combinações perfeitas ou improváveis, dependendo do meu estado de espírito. E mesmo de cara suja acredito que estou sempre gira com todas as minhas paneleirices.


Mas... e há sempre um mas. Domingo tenho uma maratona e... SOCORRO... não tenho nada para vestir. 

Às vezes penso em escrever...

Escrever não pode ser fabricado, não pode ser obrigatório, não pode ter hora marcada. Escrever é uma necessidade e uma paixão, escrever é natural, surge em qualquer sítio e a qualquer momento. Já me vi a apontar ideias enquanto esperava que o semáforo ficasse verde ou a acordar a meio da noite e procurar o meu caderno, já interrompi conversas para não deixar fugir um pensamento, já parei tudo para não perder uma frase que surgiu de repente na minha cabeça. Às vezes penso em escrever, mas quando penso nisso nunca consigo fazê-lo, escrever tem de ser imprescindível e inadiável, escrever tem de ser num momento de pura inspiração. Escrever é característico, espontâneo e genuíno. Às vezes penso em escrever, mas é quando penso que desisto de o fazer. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

E é assim que vejo o Outono a chegar...

Visto-me de colorido e limpo a corrente, mudo as lentes dos óculos e monto as luzes com a bateria carregada, encho o bidão de água e meto o capacete, volto atrás para pegar em roupa adequada ao frio que se adivinha, escolho as luvas e os sapatos de encaixes que fiquem melhor na roupa que vesti, não saio sem comer qualquer coisa, sem enrolar os phones no corpo e sem colocar a minha música a tocar.
Dou as primeiras pedaladas ainda com a luz do sol, vejo a noite a cair enquanto subo ao topo da montanha, além da música só existem os sons da natureza e da minha respiração. Faço a descida já com a escuridão da noite, à minha frente só vejo os metros que a minha luz consegue alcançar, sinto o frio da noite no corpo e pedalo ainda mais rápido para tentar aquecer-me, olho para o céu e vejo as estrelas e a lua, aproveito cada quilómetro de uma forma especial.
Haverá sensação de liberdade maior que esta? Talvez, se chovesse... E é assim que vejo o Outono a chegar...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A amizade é uma das mais bonitas formas de amor


Este blog não segue uma linha editorial

Aqui escreve-se sobre pedais, montanhas, liberdade, viagens, sonhos, realizações, livros, paixões, aqui contam-se histórias da minha vida, aqui escrevem-se as maiores parvoíces de que me lembro. Este blog não tem uma linha traçada no horizonte, é uma busca de inspiração constante e uma forma de mostrar ao mundo pedaços meus. Há dias em que este blog é cheio de tudo. Há dias em que este blog é cheio de nada. Há dias em que este blog só queria encontrar forma de contar rascunhos de vida sem ter de os esconder nas profundezas das entrelinhas. Este blog é uma confusão. Eu também. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Loira utópica

Um dia descobri que pedalar à chuva me lava a alma. Foi nesse dia que a chuva deixou de me molhar.

Já não quero ser princesa

Compro as minhas roupas em idas às compras esporádicas e de corrida, não sei quais são as últimas tendências nem as cores que devo usar, compro aquilo que vou gostando sem pensar em obedecer às regras da moda. Acho que nisto, ainda assim, consigo encaixar-me bem no meio das princesas, há coisas em que não é tão fácil assim integrar-me. Perdi o assunto com elas, não sei falar de moda, nem de compras, nem de promoções, nem de bolos ou de massas, não comento as cortinas nem o tom da cor dos sofás, não troco receitas e sinceramente não faço ideia de quando começam os saldos, não sonho com férias numa praia espectacular nem penso na ida ao shopping no próximo sábado. Faço um esforço para me enturmar, mas os meus assuntos são diferentes, eu falo de carbono ou alumínio, discuto o preço de correntes xt, comparo discos de travão, escolho entre xt ou slx, mavic ou skf, penso na revisão da suspensão, sonho com férias de aventura e só penso nos trilhos do próximo sábado. Continuo a ir à cabeleireira pelo menos uma vez a cada dois meses, mas se vou pela manhã será para usar por cima do penteado novo um capacete algumas horas depois, pinto as unhas para de seguida as ir sujar para a lama, passo um creme cheiroso para depois ir arranhar os braços e as pernas para o meio do mato, trago sempre um pico ou outro alojado na pele. A parte preferida do meu roupeiro é a da roupa de pedalar e é a ver novos equipamentos que perco o meu tempo de comprar. No mundo das princesas olham para mim de lado, algumas excluem-me, outras percebem as diferenças, poucas me entendem verdadeiramente. Não posso deixar de ser sincera, tenho pouca paciência para elas. Não faz mal, já não quero ser princesa, agora ando com marcas do sol no corpo, com medalhas das quedas, com arranhões, com a cara suja e as unhas estragadas, agora sou mais feliz. Já não quero ser princesa, mas, consequentemente ou não, há muito tempo que me sinto princesa todos os dias. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Chove miudinho na rua

Acordei várias vezes durante a noite para ouvir a chuva a bater na janela, já tinha saudades desta sensação de aconchego que me provoca o som dos pingos nos vidros que me separam da rua. Custou-me acordar e ainda mais levantar, hoje só queria ficar em casa a ouvir a chuva a cair. Quando já vinha para o trabalho cruzei-me com um ciclista, calças térmicas, um casaco, um impermeável, um gorro na cabeça e luzes de presença, a chuva não o assustou. No trânsito os outros devem olhar para ele como se ele fosse um maluco, com esta chuva e sair de casa assim tão cedo para pedalar. Eu olho-o com admiração, também eu faço o mesmo incontáveis vezes, também eu sou vista tantas vezes como uma maluca. Gostava de explicar aos outros a sensação incrível de liberdade que é pedalar à chuva, o cheiro intenso a terra molhada, a roupa completamente suja, o frio, o sabor da chuva e dos salpicos de lama na boca, a paixão na pele. É impossível explicar, ninguém é capaz de compreender. Chove miudinho na rua. Sorte a da rua. Cá dentro chovem tempestades. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Incongruência

Dormir cheia de certezas. Acordar cheia de dúvidas.

Loira, no mundo da lua

Dizem-me várias vezes que já vi aquele filme, mas se vi não me lembro, não me lembro da história, nem dos locais, não me recordo da banda sonora e não sei como acaba, fico atenta, o filme interessa-me e a cada cena tenho a impressão de que estou a ter uma recordação, que sim, que nada daquilo é novo para mim. Ainda assim não sei o que vem a seguir, surpreendendo-me várias vezes com o final. O oposto acontece quando o filme me marca profundamente, nesses casos sei cada cena como se a tivesse vivido eu mesma ainda há uns dias atrás, sei cada sentimento, sei cada frase, está tudo escondido num recanto profundo da minha alma.
Esqueço-me também frequentemente dos nomes das músicas, dos cantores e das bandas, quando quero mencionar algo sou incapaz, apesar de saber cada compasso, cada timbre, de me lembrar do sentimento de ouvir aquela música em determinado momento, de sentir o cheiro que ia no ar e o arrepio que me ia na pele. Também me acontece do nome de uma música não me sair da cabeça, são as que marcaram a minha vida para sempre.
O mesmo se passa em relação aos livros, leio sem parar e absorvo cada página e cada livro com intensidade para, por vezes, na semana a seguir não me conseguir lembrar do nome do autor ou da cor da capa. Se quero falar sobre os livros que li há dois meses tenho de ir pesquisar nas minhas anotações, se quero falar de um livro que li o ano passado tenho de lhe pegar e ler a contracapa. Alguns nunca esqueço, é certo, aqueles que me ficaram na pele e na alma. Os outros não tenho capacidade de memorizar, ainda que cada página me seja muito importante e que sejam os livros que me fazem mudar constantemente a minha visão da vida e do mundo.
Acontece-me até de me esquecer de coisas que se passaram na minha vida, ou não lhes dou importância e às vezes é preciso que alguém me relembre de algo que vivi e que lhe contei naquela altura ou vivo no presente e nos sonhos e do passado retiro somente o que sou hoje, sem pensar muito do que me levou a chegar aqui.

Lido desta forma pode até parecer grave esta minha incapacidade de decorar factos, datas, acontecimentos, nomes e títulos, mas a mim parece-me só a minha forma de viver no mundo da lua e de tantas vezes sentir mais do que aquilo que penso. Parece-me até que frequentemente me encontro sozinha e inspirada num mundo só meu. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Loira, a Louca

Na minha cabeça há sempre um objectivo para cumprir, um destino para alcançar, um cume para subir, uma descida para aproveitar, uma aventura para viver. Não sei, não consigo e não quero ser de outra forma. Ainda não terminei uma viagem e já tenho outra no pensamento. Tenho sempre planos. Tenho sempre ideias para realizar. Tenho sempre sonhos a nascer dentro de mim. Quero sempre mais. A vida só me faz sentido em movimento. Ainda está tudo por fazer. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Interpretações

Não lemos aquilo que está escrito, lemos aquilo que somos.

Coisas que as Fashion Bloggers nunca explicam

A melhor mala para uma mulher é aquela que consegue transportar o peso de todos os livros que andamos a ler. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Olhou-me nos olhos

Entre conversas sérias e gargalhadas e disse-me que sou a única pessoa verdadeiramente feliz que ela conhece.

A vida é uma viagem, não é um destino

Há um ano atrás tinha-me sentado naquele banco para comer, estava sozinha, um pouco cansada e muito longe de casa, tirei da mochila o tomate e o pêssego que tinha comprado há uns quilómetros atrás e comi enquanto observava as poucas pessoas que passavam. Deixei-me ficar ali por algum tempo antes de seguir caminho pela subida que me esperava.
Um ano depois cheguei ao mesmo local mais cansada do que nunca na vida, arranjei onde dormir, tomei um banho, tentei tratar do corpo o melhor que conseguia e descansar aquilo que me era possível, comi e ao final do dia fui sentar-me exactamente no mesmo banco. Desta vez não estava sozinha, tinha comigo a pessoa a quem posso desnudar a alma e foi isso que fiz, entre umas cervejas, um café, um gelado e uns cigarros, que nos pareceram adequados à circunstância, apesar de nenhuma de nós fumar. No dia seguinte seguimos caminho muito cedo, pela subida que nos esperava.
Era a segunda vez que partia dali cheia de certezas, de coragem, de energia e de pensamentos positivos. Hoje sei que por muito difícil que esteja O Caminho haverá sempre Mos e um banco de jardim à sombra, para recuperar corpo e alma. A vida é uma viagem, não é um destino. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Escrever sobre O Caminho

Nunca o fiz por fé, nunca o fiz por promessa, nunca o fiz por desporto, nunca tive um motivo realmente forte para me fazer ao Caminho. Sempre fui por paixão, por convicção, por determinação. Depois de por lá pedalar milhares de quilómetros e de seguir a direcção que incontáveis setas amarelas me indicavam nasceu em mim a certeza que tinha de o fazer caminhando. Que passo a passo seria a forma de viver tudo isto de forma ainda mais intensa. Fui. Voltei. Cheguei à conclusão que vivo do Caminho, que é de lá que trago perguntas e respostas, que é lá que vejo as pessoas com quem quero estar na minha vida e as que não me fazem falta absolutamente nenhuma, que é lá que descubro a essência dos outros e a minha. Parece que tudo tem a ver com O Caminho. O Caminho mostra-me sempre algo de novo em mim e ensina-me sempre alguma coisa, há sempre algo que me faz voltar uma e outra vez, ainda que nem sempre eu o consiga explicar. Parece que na minha vida todos os caminhos vão dar ao Caminho e que O Caminho me mostra o caminho. Quando regresso de lá tudo se encaixa. A viagem vale sempre a pena, o destino é sempre o início de um novo começo. O Caminho nunca acaba.

Banda sonora

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A companhia no Caminho

Vamos? Perguntei-lhe eu. Vamos. Respondeu-me ela. E foi assim que nos fizemos ao Caminho, sem pensar muito, porque se o fizéssemos desconfio que nunca tínhamos saído de casa. Mas porquê? Perguntava-me ela nos primeiros dias. Mas porque te foste lembrar de ir para Santiago a pé com estas grandes mochilas às costas? Já vais perceber. Garantia-lhe eu.
Caminhamos milhares e milhares de passos lado a lado, estivemos juntas nas subidas, nas descidas, nas histórias, nas conversas, na música, nas gargalhadas, na comida, no mimo, na dor, na recuperação, nas lágrimas, na emoção e nos sorrisos. Chegamos à Praça em paz, de mãos dadas e de alma lavada.
Eu sentia há muito tempo que precisava fazer isto e que ela precisava fazer algo diferente. Eu queria arranjar perguntas e sabia que ela precisava encontrar respostas. Foi por isso que lhe fiz a pergunta. Vamos? Vamos. Respondeu-me ela, que diz que comigo vai para todo o lado.
Foram dias muito intensos, foram dias de confissões, de recordações, de conversas, de conclusões, de descobertas, de paz, de uma amizade e compreensão inexplicáveis, de muito amor. Foram dias que nos mostraram aquilo que somos e que sentimos uma pela outra há 11 anos. 
No fim tudo fez sentido, tudo se encaixou, no fim ambas percebemos que O Caminho nos mudou e nos uniu ainda mais, no fim soubemos que O Caminho das nossas vidas só fazia sentido uma ao lado da outra e no fim, ambas ficamos com a certeza que ficaremos juntas para tudo e seremos inseparáveis. Há alturas em que podemos não ter mais ninguém, mas vamos ter-nos uma à outra para sempre. 

Agosto 2016