domingo, 28 de maio de 2017

Reler-me #26

15 de Abril - Dia Internacional do Ciclista (dizem)

Alguns sites afirmam ser hoje o dia internacional do ciclista. Se considerarmos o ciclismo como um desporto de corrida de bicicletas cujo objectivo é chegar primeiro a uma meta ou cumprir determinado percurso em menor tempo possível, então eu não sou ciclista e não percebo nada disto. O que eu gosto mesmo é de pedalar, de passear de bicicleta, de me divertir, de viajar, de levar com o vento na cara e a emoção na alma, de despentear o cabelo com o capacete, de libertar toda a adrenalina possível numa descida técnica no meio do monte, de subir, subir, subir e atingir um topo que visto de cá de baixo nos parece inalcançável. O que eu gosto mesmo é de coleccionar sorrisos, gargalhadas, percursos, histórias, amigos e horas muito felizes. O que eu gosto mesmo é de parar para olhar o horizonte, é de sentir o sol, a chuva, o calor intenso e o frio gélido no rosto. O que eu gosto mesmo é de desafiar os meus limites, de acreditar que consigo tudo e de superar as minhas metas interiores. Não sei se sou ciclista, se sou cicloturista ou o que raio sou, só sei que isto é bom, que pedalar está-me no corpo, está-me na alma e que mesmo não ligando nada a isto, dos dias internacionais de tudo e mais alguma coisa, hoje é bem capaz de ser o meu dia.

Abril de 2015

sábado, 27 de maio de 2017

Reler-me #25

Há dias... e dias...

Há dias em que acordo a mais bonita, que caminho com segurança e com ar de quem domina o mundo e sabe exactamente o que quer e para onde vai. Há dias em que acordo completamente perdida e até os simples gestos rotineiros me parecem mecânicos, como se fosse difícil o simples acto de respirar. Há dias em que acordo magra e gira, em que escolhi a roupa e a cor de sombras mais fashion dos últimos tempos e os meus saltos me fazem sentir a Super Mulher. Há dias em que acordo gorda, quase obesa, em que nada do que tenho para vestir me serve ou me fica razoavelmente bem. Há dias em que acordo bem disposta, canto durante todo o trajecto de casa ao trabalho e me apetece beijar e abraçar toda a gente só porque a vida bela. Há dias em que o simples facto de estar a chover me faz sentir deprimida e infeliz. Há dias em que tenho as maiores certezas e a toda a segurança do mundo. Há dias em que todas as dúvidas me povoam a mente. Há dias em que choro sem motivos. Há dias em que sorrio confiante e convincente, mesmo só tendo razões para chorar. Há dias que tenho tanta força que sou capaz de mover multidões. Há dias em que sou fraca, como uma ave ferida. Há dias em que o simples nascer do sol ou pintar as unhas me faz feliz. Há dias em que nada me consegue tirar esta ansiedade do peito. Há dias em que me encho de esperança. Há dias em que o mundo acaba amanhã, ou já daqui a pouco. Há dias em que amo. Há dias em que odeio. Há dias que sim. Há dias que não. Inconstante? Não, simplesmente Mulher, como todas as outras.

Abril de 2012

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Em busca da Blogosfera perdida

A Blogosfera já não é o que era. É certo que eu também já não sou o que era e que a Blogosfera hoje em dia só me serve para escrever e para visitar meia dúzia de Blogs dos quais não abdico ou por causa do autor ou por causa da sua escrita. Ainda assim, a Blogosfera era um sítio certo e seguro para mim, a Blogosfera era um porto de abrigo, a Blogosfera era o local que eu podia abandonar porque ia estar sempre lá para mim, a Blogosfera era o recanto que nunca mudava e que me acolhia sempre da mesma forma, a Blogosfera era aquela amiga que eu podia estar longe durante muito tempo e que aquando do reencontro nada tinha mudado nela nem na nossa relação. O que é que aconteceu entretanto? A Blogosfera já não é o que era. Onde é que estão os "concordo contigo" incondicionais? Onde é que estão os "lol"? Onde é que estão os intermináveis smiles? Onde é que estão os "tens toda a razão"? Onde é que estão os "Eu poderia ter escrito isto"? Onde é que estão os "abracinho amiga"? Onde é que estão os "se me seguires eu também te sigo"? Onde é que estão os desafios sem lógica nenhuma? Onde é que estão os selos de Blog mais foleiro de todo o sempre? Mas é pior... muito pior... Onde é que estão as publicidades manhosas com as quais valia a pena gozar? Onde é que estão os outfits horríveis para a gente se rir? Onde é que estão aquelas cores de verniz que só davam vontade de vomitar? Onde é que estão os sapatos que nunca, jamais, alguém no seu perfeito juízo conseguiria usar? Onde é que estão as amigas que quando se zangavam faziam um escândalo de dar vergonha alheia? Onde é que estão os posts sobre a actualidade iguais em todos os Blogs, dia após dia? Mas é pior... muito pior... Onde é que estão os bons Blogs? Onde é que estão os Blogs interessantes? Onde é que estão os Blogs realmente bem escritos? Onde é que estão os Blogs que nos inspiram? Onde é que estão os Blogs que nos emocionam? Onde é que estão os Blogs que nos fazem chorar de tanto rir? Onde é que estão os autores por os quais nos "apaixonamos"? Onde? Onde é que está a Blogosfera tal e qual eu a conheci? É só impressão minha ou esta merda agora é uma seca do caralho?

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Passadiços do Paiva

Os Passadiços do Paiva são um local encantado que eu queria conhecer há muito e que me apaixonaram. Contornam, sobem e descem montanhas que seriam de acesso impossível às pessoas em geral, só os praticantes de desportos no rio e poucos mais teriam o privilégio de conhecer toda aquela imensidão se não tivessem construído os Passadiços. Não sei de quem foi a ideia, mas deixo-lhe aqui o meu aplauso. A grande subida à montanha e a descida são de cortar a respiração até aos que estão habituados a conquistar e a viver nas montanhas. As paisagens são deslumbrantes e toda a envolvência de montanhas, rio, verde, plantas e animais é fascinante. Escapei ao inconveniente do possível excesso de pessoas por ter ido até lá num dia útil, aproveitando desta forma da melhor maneira possível o feriado municipal da minha cidade. Poderia deixar aqui dezenas de imagens fascinantes, mas acho melhor dizer-vos para irem. Vão que vale muito a pena conhecer este bocadinho de mundo tão único.  


http://www.passadicosdopaiva.pt/

E se eu...

Tivesse acabado de escrever o meu primeiro post num Blog?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Nunca pensei que existissem tantos assassinos por metro quadrado

Devo começar por dizer que nunca gostei de generalizar as pessoas e que sei bem que este tema está muito longe de ser consensual. Ainda assim é preciso escrever sobre isto, é preciso não calar sobre isto.
Sempre fui uma mulher da montanha, dos trilhos, da terra, das pedras, das raízes, do mato, da lama, das subidas técnicas e das descidas radicais. Sempre fui uma aficionada por todo-o-terreno. Acontece que recentemente descobri uma nova paixão, o alcatrão. E se as minhas poucas experiências na estrada já me faziam ver um mundo ao contrário, agora que faço parte dela e que quero conquistar cada vez mais quilómetros consigo ver um mundo completamente assustador.
Nunca pensei que existissem tantos assassinos na estrada. São pessoas aparentemente normais mas que têm nas mãos uma arma mortal que lhes é dada sem grandes dificuldades, mediante um pagamento irrisório e sem qualquer teste psicológico, que diga-se de passagem, era mais que necessário, há imensa gente que não tem capacidade mental para possuir uma carta de condução.
Escrevo olhando para a estrada dos dois pontos de vista, como condutora e como ciclista, mas acima de tudo como pessoa, porque como comecei por dizer, nunca gostei de generalizar e os condutores não são todos iguais, assim como os ciclistas não o são. Como pessoa erro, já cometi muitas infracções ao volante de um carro e como ciclista também erro, já fiz o mesmo em cima da minha bicicleta. Actualmente, como ciclista, estou mais atenta do que nunca e tento não só cumprir todas as regras como olhar para cada carro como um atentado à minha vida e por isso defender-me constantemente. Ainda assim são carros que se metem à minha frente numa rotunda e que me obrigam a travagens perigosas e quase impossíveis quando eu tenho prioridade, são carros que não param nos sinais de stop nem cedem prioridade em cruzamentos quando têm que o fazer, são carros que além de não respeitar a distância de segurança de um metro e meio ainda me fazem tangentes como se isso lhes desse imenso prazer, são carros com atrasados mentais dentro que buzinam e esbracejam só porque estamos ali, são carros com condutores que fazem de conta que não nos vêm e/ou que não existimos, são carros que perante outros que nos cedem prioridade sobem passeios, gritam, barafustam e tentam abalroar-nos propositadamente. São carros com loucos dentro. São carros com gente que olha para nós e vê somente uma bicicleta, roupas de licra coloridas, luvas, um capacete e uns sapatos de encaixe fluorescentes, são carros com gente como nós, mas sem a capacidade de perceber que em cima de uma bicicleta está uma mãe de alguém, está um pai de alguém, estão filhos, estão irmãos, tios, primos, amigos, vizinhos, estão pessoas, estão vidas. E que existam pessoas que estejam de mal com o mundo eu até compreendo, não fossem as minhas grandes paixões e esta forma de olhar para a vida eu também acharia que o universo é uma merda, se eu só tivesse pressa para chegar a sítios onde me obrigam a estar e só mexesse um rabo gordo, mole ou cheio de celulite para entrar e sair de um carro, possivelmente também estaria zangada com tudo e todos, principalmente com as pessoas felizes e apaixonadas por algo que as faz ver a vida mais colorida, mas por muito zangada e de mal com o mundo que pudesse estar tenho a certeza que nunca isso me levaria a colocar a vida de outros em risco.
Por hoje é só. Termino por onde comecei, nunca gostei de generalizar. Resta-me dizer que acidentes são uma coisa, tentativas de os provocar propositadamente para ferir alguém sem defesa são outra.

sábado, 20 de maio de 2017

Desculpa Salvador

Mas não se pode amar pelos dois. O amor tem de ser único, tem de ser partilha, tem de ser mútuo, tem de ser recíproco, tem de ser em comum, tem de ser união. O amor tem de ser a dois. O amor não se aprende nem chega devagarinho, o amor acontece, o amor é intenso, o amor é arrebatador, o amor é surpreendente, o amor é extasiante. Desculpa Salvador, mas não se ama sozinho, não se pode amar pelos dois. O amor só faz sentido a dois. O amor só faz sentido partilhado. O amor só faz sentido gritado ao mundo na primeira pessoa do plural. 





Obrigada Salvador. Obrigada Luísa. Não se pode amar pelos dois, mas pode cantar-se por uma nação inteira. Parabéns Salvador. Parabéns Luísa. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Condenadas à nascença

Passaram mais de dois anos desde que comprei vasos pela primeira vez na minha vida, primeira e última, diga-se, que não tenciono meter-me em mais aventuras destas. Desde logo senti o peso da responsabilidade de manter as flores vivas. Eu, que sempre fui apaixonada pela natureza, tinha a partir desse dia um bocadinho dela dentro de casa, dois vasinhos pequenos e em forma de bicicleta, com umas lindas e coloridas flores, capazes de me fazer sentir adulta e responsável, que felicidade. As flores morreram ainda não tinha passado uma semana e eu, profundamente desiludida, tinha a certeza que a culpa era delas e não minha, ainda assim decidi não arriscar e comprei cactos. Cactos e mais cactos, porque me morreram uns atrás dos outros, os primeiros possivelmente afogados entre o meu medo de os deixar morrer e o facto de não fazer a mais pequena ideia de como cuidar deles, os que se seguiram possivelmente à sede, entre a minha certeza de não saber cuidar deles e o esquecimento da sua existência. Cactos e mais cactos, de todas as formas, cores e feitios morreram por minha culpa, minha tão grande culpa. 
Ontem decidi mudar, comprei duas lindas roseiras para os meus vasinhos e fui para casa feliz, disposta a dedicar-lhes toda a minha atenção, mas agora estou em pânico, não sei o que lhes fazer, não sei como cuidar delas, não sei como conseguir que sobrevivam no meu mundo. Paz à sua alma, estão condenadas à nascença, temo que na próxima semana seja necessário ir comprar tulipas, ou atirar os vasos em forma de bicicleta pela janela.
Muito prazer, eu sou a Loira e o meu passatempo preferido é assassinar plantas. Socorro. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Os Deuses devem estar loucos

Perante a frase que se impunha - é proibido circular de bicicleta - respirei fundo e reservei os bilhetes.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Loira on the road

Queridas pessoas que me lêem, tenho a informar que a partir de agora além de andar por aí a conquistar trilhos ao pedal também vou andar por aí a conquistar quilómetros em estrada, fujam daqui porque eu vou ficar cada vez mais insuportável.
Queridas montanhas, preparem-se porque eu agora ataco de todos os lados e tenho intenção de conquistar cada vez mais cumes.
Queridos condutores, por favor, respeitem um metro e meio de segurança de distância quando me virem, eu juro que já sou perigosa quanto baste.
 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Isto é bem capaz de ser felicidade

Dupliquei o objecto da minha paixão, em vez de uma agora são duas, as mesmas cores, a mesma dedicação, a mesma espera pela transformação que eu inventei e a mesma ansiedade pelo resultado final. Agora descansam, lindas, as mais giras do mundo e arredores, lado a lado, olho-as com orgulho e com paixão, olho-as novamente e suspiro por elas, minhas. Isto é bem capaz de ser felicidade.

Do Pedal para o Blog #7



domingo, 7 de maio de 2017

Reler-me #24

Vou sempre com demasiada sede ao pote

Estou sempre com sede e tento matá-la com toda a ganância do mundo. Sinto uma secura indescritível, uma vontade incontrolável. Às vezes entorno a bebida, molho o que não devo, quase me afogo ao derramar o tão esperado líquido. Bebo como quem está perdido no deserto há dias e consegue água pela primeira vez. Bebo como quem se excedeu mortalmente no salgado. Absorvo, consumo, trago, engulo, sugo para dentro de mim como se estivesse prestes a ficar desidratada. Não sei beber de outra forma, não sei ser diferente. Bebo os bocados de vida com um desejo ardente que nunca consigo tranquilizar.

Março de 2016

Reler-me #23

Loira, a incentivadora.

Quando comecei a andar de bicicleta inscrevi-me numa maratona de 40 Km, foi a minha primeira vez, assim que me inscrevi mil vozes se ergueram para me dizer que eu estava maluca, que 40 km faziam as pessoas experientes, que eu não devia ir, que eu não conseguia. Consegui. Pouco mais de um mês depois marquei a minha primeira viagem de bicicleta e logo mil vozes se ergueram para me dizer que 200 km eram impossíveis para mim, que eu estava maluca, fizeram-se apostas porque era uma realidade, eu não conseguia. Consegui. Meio ano depois quis aventurar-me a primeira vez e marquei a minha tão sonhada viagem pelo Caminho de Santiago, logo mil vozes se ergueram para me falar das dificuldades, para me falar da minha falta de preparação física, para me dizer que eu não conseguia. Consegui. O mais grave aconteceu quando em 2013 comecei a planear as minhas férias e comecei a preparar-me para O Caminho Francês de Santiago, mil vozes se ergueram para me dizer que agora sim, eu estava completamente maluca. 1000 Km de bicicleta? Impossível. E com alforges? Em autonomia total? E se me acontecesse alguma coisa? Que faria eu? Dormir em albergues? Partir de manhã de uma cidade sem saber exactamente onde se vai dormir à noite? E se não arranjasse local para pernoitar? Dormia na rua? E para chegar lá, tinha de levar a bicicleta desmontada? E para a montar? Se corresse alguma coisa mal? E as roupas? Tinha de levar pouquíssimas coisas, tinha de lavar todos os dias a roupa que queria usar dois dias depois? E se tivesse uma avaria na bicicleta? E se me perdesse? E se fosse assaltada? E se caísse? E se...? E se...? E se...? Eu consegui.

De cada vez que me quis aventurar se tivesse ouvido as mil vozes que se ergueram para me dizer que eu não conseguia, que eu não era capaz, que era demasiado perigoso, que eu estava maluca, que não compreendiam como eu ousava sequer sonhar com uma coisa assim, ainda que eu nunca tenha pedido opinião a nenhuma dessas pessoas que erguiam as vozes para me dizer que era impossível, se as tivesse ouvido, nunca teria saído de casa, nunca teria arriscado, nunca teria feito aquela que foi a viagem da minha vida. Estaria até hoje a andar de bicicleta à volta de casa como se fosse um ratinho amedrontado.

E se eu contrariei mil vozes negativas tantas vezes, e se eu pretendo continuar a contrariar quantas vozes, quantas vezes, se erguerem para me aclamarem com o impossível, quem sou eu para fazer o mesmo? Eu apoio as pessoas em tudo o que elas me dizem que querem fazer, eu digo sempre que sim, que conseguem, que são capazes, que façam e que aconteçam. Eu digo "força", faço um grande sorriso e ofereço ajuda para o que precisarem. Porque se eu acredito do fundo do coração que sou capaz de tudo, acredito de igual forma que os outros também são. 

E às vezes os outros só precisam de ouvir uma voz positiva no meio das mil vozes negativas.

Março de 2015

sábado, 6 de maio de 2017

Reler-me #22

Estou cada vez mais transparente...

Estou cada vez mais transparente. Durante muitos anos consegui viver sempre de sorriso no rosto e piada fácil para todos. Para ver algo mais que isso era necessário olhar-me bem lá no fundo dos olhos e tirar-me uma espécie de radiografia à alma de diagnóstico muito vago para a maioria dos que tentavam. Estou cada vez mais transparente. Não sei fingir estados de espírito e emoções. Se estou chateada faço uma cara de chateada e fica-me vincada uma ruga no meio dos olhos, mesmo em cima do nariz, se estou irritada, cansada, ansiosa, as minhas expressões mostram cada vez mais as minhas emoções. Se estou perdida fico com um ar totalmente perdido. Estou cada vez mais transparente. O rosto desnuda-me também os sentimentos. Quando não gosto, não gosto, não consigo olhar nos olhos, não consigo ficar atenta ao que me dizem, não me interessa e ponto final, fico com ar de quem está no mundo da lua. Quando gosto confesso-me, brilham-me os olhos, ilumina-se-me o sorriso e expresso-me com o coração. Estou cada vez mais transparente, mas às vezes precisava ser um bocadinho actriz neste palco que é a vida, só às vezes...

Março de 2012

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Bloqueio de leitora

Já não leio. Ou já não leio como lia. Meia dúzia de páginas cansam-me profundamente. Quero muito voltar a perder-me nas páginas de um livro, mas por muito que tente não estou a conseguir. Em vez de cerca de dez livros por mês tenho lido um ou dois, com algum esforço e força de vontade de tentar voltar aquilo que era. Já não leio. Ou já não leio como lia. Ainda assim continuo a carregar um livro sagradamente comigo, em casa levo-o atrás de mim para todo o lado e não saio para a rua sem o meter na mala, como se abandoná-lo fosse perder a esperança de voltar a perder-me na minha grande paixão. Já não leio. Ou já não leio como lia. Ainda assim continuo a carregar o peso dos livros comigo, talvez para provar a mim mesma que não me esqueci dos livros, talvez para provar aos livros que não me esqueci de mim. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Chegar

Pedalei 420 km e subi mais de 6400 metros de acumulado, atravessei montanhas e vales, descobri sítios novos,  larguei os travões e desci, olhei em redor até ao infinito, respirei fundo e encarei a subida de frente, cansei-me e recuperei, atingi metas e sorri muito, cheguei feliz, tranquila e em paz. Uma paz inexplicável. Chegar em paz tem outro sabor, é menos emotivo mas muito mais intenso. Em cada Caminho há algo que muda, sou eu e a forma como olho para a vida e para o mundo. Chegar não é a meta, a meta é O Caminho, a meta são todos os caminhos que há a percorrer, a meta é viver. Chegar, que seja sempre em paz, nesta paz imensa e infinita.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Vou ali e já volto





Mas só depois de 4 dias a pedalar, 420 km e quase 6000 metros de acumulado de subida. Só depois de mais um Caminho, de mais uma viagem e de mais uma grande aventura. Só depois de trazer comigo mil histórias para contar. Que seja um Bom Caminho. E que O Caminho nunca acabe.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Suspiro...

Tracei no meu mapa novos horizontes, delineei novas metas, arrisquei a percorrer estradas sem fim e sei agora que há infinitos trilhos para descobrir. Colori os meus dias como nunca. Esqueci-me de escrever sobre tudo isto mas continuo a inspirar-me na vida e escrever sobre ela continua a ser necessário e apaixonante. Vejo, descubro e sinto coisas novas todos os dias, os sonhos multiplicam-se a cada minuto, a lista de objectivos a atingir é interminável neste momento. Quero ver mais, ouvir mais, conhecer mais, fazer mais, sentir mais, quero mais de tudo para mim. Quero partir, ir, fazer, acontecer. Viver é intenso e eu estou apaixonada pela vida. Suspiro...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Biomecânica, essa coisa do demo

Resolvi um destes dias fazer uma biomecânica à minha bicicleta. O que é uma biomecânica? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Uma biomecânica é uma medição e ajuste da bicicleta ao atleta, de forma a que os dois estejam em plena sintonia na pedalada. Pelo menos era nessa treta que eu acreditava quando inocentemente fui fazer a merda da biomecânica. O que é que aconteceu? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Aconteceu que me mexeram tanto nas medidas da minha bicicleta que o meu corpo que antes se encaixava nela de forma natural agora simplesmente nem a reconhece. Teoricamente agora os meus músculos, as rotações das pernas, os tendões, os ossos e tudo o resto está a trabalhar de forma correcta enquanto pedalo. Na prática é um desconforto, são dores, é falta de força, é uma irritação que só me apetece voltar para casa o mais rápido possível. Teoricamente tudo isto é normal, há um período de adaptação e daqui a uns dias eu vou sentir-me em casa a pedalar, basta ter calma e pensar na minha saúde no futuro. Na prática apetece-me mandar quem me diz isso para o caralhinho que o foda e voltar a colocar a minha bicicleta como estava.
Pronto, era só isso, um desabafo, podem ir às vossas vidas as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano.
A biomecânica? A minha mãe agradece, anda há mais de 7 anos a foder-me a cabeça para eu deixar de pedalar sem qualquer sucesso e agora esta obra do demo aparece e faz com que todos os desejos dela quase se tornem realidade.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Discriminação?

Porque é que numa prova de tempos cronometrados as equipas masculinas e mistas podem optar pelo trajecto maior ou pelo trajecto menor, conforme a sua vontade e a sua preparação física, e as equipas femininas só podem fazer o trajecto menor, ficando desclassificadas se escolherem fazer o maior? 
Discriminação? Claro que não. É só porque nós mulheres temos de ir virar o assado que deixamos no forno antes de ir para a maratona, não vá aquela merda queimar-se e depois já não há almoço. E isso sim, era uma grande chatice.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Mas que doença é esta?

Não é falta de tempo e muito menos de concentração, não tenho nenhum problema para resolver, nem nada que me preocupe, não me perco a meio da página a pensar numa outra coisa qualquer, simplesmente não me apetece ler, tenho os livros ali de lado, sem vontade nenhuma de lhes pegar, não me lembro da última vez que li e estou quase a cortar os pulsos por causa desta falta de vontade de me perder numa das minhas grandes paixões. Não arranjo explicação nem sei onde encontrar o meu síndrome de leitora compulsiva. Não consigo simplesmente sentar no sofá e ler, tão natural e necessário como quem respira, como sempre foi. Mas que doença é esta, que não curou, nem quando fiquei doente e não tinha mais o que fazer?

Do Pedal para o Blog #4

domingo, 26 de março de 2017

Reler-me #22

Da relatividade do tempo...

Um segundo pode durar a eternidade. Num minuto podemos reflectir toda uma vida. Um sorriso pode ficar para sempre na nossa mente. Um cheiro pode penetrar a nossa alma irremediavelmente. Uma hora pode demorar mais tempo a passar do que vinte e quatro horas. A noite pode nunca mais acabar. Em alguns minutos podemos mudar toda uma vida. Sessenta segundos contados podem demorar bem mais que um minuto a fantasiar. O tempo descobre-se na alma, num relógio imaginário que ora para, ora avança descompassadamente ao ritmo do bater do coração. Há coisas que acabaram ontem, há coisas que acabaram para sempre, para sempre ontem...

Março de 2012

Reler-me #21

Post que fala da minha bicicleta (ficam já avisados, visto que é um assunto que não vos deve interessar para nada)

Toda a gente sabe (ou pelo menos uns dois de vocês) que quem pedala, seja no monte seja na estrada tem obrigatoriamente uma grande paixão (pancada, mesmo) pela bicicleta. É um sentimento inexplicável e extraordinário. Para começar ninguém, mas mesmo ninguém tem uma bicicleta igual à nossa. A nossa bicicleta é sempre a melhor (mesmo que custe só metade do preço da bicicleta do nosso colega) e a mais bonita (mesmo que já tenha uns bons anos). A nossa bicicleta não se empresta a ninguém. A nossa bicicleta custou provavelmente mais que o nosso carro, aliás, nós achamos mais útil a nossa bicicleta que o nosso carro e chegamos a pagar o dobro para lavar a bicicleta do que para lavar o carro numa oficina especializada. A nossa bicicleta merece sempre melhorias que custam umas centenas de Euros para ficar mais leve trezentas gramas. A nossa bicicleta é a nossa amante, é a nossa menina, é a nossa companheira. A relação que temos com a nossa bicicleta é uma espécie de casamento, mas na versão feliz. A nossa bicicleta acompanha-nos nas subidas e nas descida, nas quedas e nas aventuras, na glória e na dor e ninguém nos consegue separar. Perante isto, deixo uma fotografia da minha, para poderem comprovar que ela é mesmo muito bem tratada.


Março de 2012

sábado, 25 de março de 2017

Reler-me #20

Do coração...

Penso que é a isto que chamam de maturidade já que foram os anos e as experiências de vida que mudaram em mim o coração. Sempre me apeguei demais às pessoas, aos momentos. Achava que entravam na minha vida para nunca mais sair, o meu coração era uma espécie de hotel onde só era permitido fazer o ckeck-in, depois de entrar tinham que viver lá para sempre. E era enorme este hotel, poderia viver cá o mundo inteiro, sem nunca precisar de fazer o check-out. Por causa disso, o coração ficou-me destroçado tantas e tantas vezes e o hotel quase desmoronou. Demorei alguns anos, mas consegui construir cá dentro do peito uma espécie de chalé aconchegante onde habitam pessoas realmente importantes. Há sempre lugar para mais um aqui, os hóspedes são sempre muito bem recebidos, mas a gerência (ou o coração) tem a plena consciência que uns querem cá viver, outros alugam o espaço por tempo indeterminado e há aqueles que só querem lá passar férias. Por vezes ainda há algumas lágrimas na despedida, mas o melhor é fazer uma limpeza, preparar o quarto para os que chegam a seguir e manter sempre as portas abertas, para os que querem realmente viver por lá (ou por cá) para sempre.

Março de 2012

Reler-me #19

Terapia...

O corpo cada vez mais cansado e a respiração cada vez mais ofegante. As gotas da água gelada no rosto cada vez mais frio, os olhos fecham-se e não resistem a deixar cair algumas lágrimas de chuva, já não se vê com nitidez tudo o que é necessário. Os braços completamente gelados, as pernas pesadas, molhadas, um vento frio que faz com que deixe de sentir os pés e as mãos. O sabor de terra molhada nos lábios, consequência dos salpicos de lama. O ritmo cardíaco cada vez mais acelerado, com a pressa de chegar a casa, com a ansiedade de um banho quente e do conforto da roupa limpa. Os trilhos cada vez mais difíceis. Desaba em mim uma tempestade, mas fica-me a alma lavada e brilha-me o sol no coração.

Março de 2012

sexta-feira, 24 de março de 2017

Blog meu... Blog meu... há em toda a blogosfera Loira mais fashion do que eu?


Socorro, não tenho nada para vestir. Ou: posso criar uma série de posts sobre os melhores outfits para pedalar de todo o mundo e arredores?

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inspiração

Um dia não há nada para escrever, tudo parece chato e monótono, nada vale a pena ser passado para palavras, a inspiração adormeceu por tempo indeterminado e sem causa conhecida ou compreensível, às vezes chega a parecer que partiu para sempre. No dia seguinte o mundo inteiro é conjugável, as ideias, os temas e as frases surgem à velocidade da luz, tanto que é difícil conseguir captar tudo o que acontece. Escrever é tão natural como respirar e não há nada que não mereça ser contado e partilhado, a vida é descritível. Adormecer rascunho, acordar poesia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Que orgulho meus senhores, que orgulho

No fim de semana passado pedalei de calções pela terceira ou quarta vez este ano. Reparei, no domingo à tarde, que a marca do sol já se nota nas minhas pernas, mesmo de meias opacas. Ainda lá estava um tom moreno do verão passado e foi só sair a pedalar ao sol para acentuar as habituais marcas a meio das pernas. Que feio, pensarão vocês, que horror, dirá quem vir. Como é que consegues andar assim Loira? Perguntarão todos. Que lindas, digo eu, das marcas que me definem e que fazem parte daquilo que sou, daquilo que gosto e daquilo que faço. Que orgulho meus senhores, que orgulho, das marcas do sol na pele, dos arranhões do mato, dos picos entranhados na carne, das nódoas negras, das feridas e das cicatrizes. Que orgulho de ser o que sou, que é mais ou menos como quem diz, mais uma merda de um verão inteiro a usar calças. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Paz à sua alma

Afoguei-o. Desde 2010 que o meu passatempo preferido é afogar telemóveis, o primeiro afoguei-o na minha primeira grande viagem, debaixo de uma tempestade descomunal e todos os outros que se seguiram tiveram o mesmo fim. Afogaram em viagens, em maratonas, em passeios, afogaram por excesso de vida ou de humidades contínuas, afogaram em lama, em sujidade, afogaram em aventura. Matei-os, um por um, de forma radical. Até sábado passado, dia em que afoguei mais um, o primeiro a morrer sem fazer jus à reputação da dona, afogado enquanto eu lavava a loiça, como se em vez de eu ser a Loira das bicicletas, a Loira das montanhas, a Loira das aventuras, fosse uma simples dona de casa. Antes lhe tivesse acontecido uma morte de merda, afogado na sanita, sempre morria com uma história para contar. Afoguei-o, avé, salvaram-se os contactos e as fotos, que descanse em paz e que o actual morra com honra e glória, porque é assim que têm de morrer os que vivem intensamente. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Oh não... vai começar tudo outra vez...

A mistura improvável que eu sonhei um dia e na qual ninguém acreditava. Cada pormenor pensado ao pormenor. A ansiedade da espera e a espera por saber se terceiros conseguiram compreender e transformar exactamente aquilo que eu imaginei e quero. Os planos, as ideias, as imagens, a imaginação, os sonhos, a contagem do tempo. Oh não... vai começar tudo outra vez. Fujam todos, nos próximos tempos vou ficar insuportável, ainda mais insuportável.

domingo, 12 de março de 2017

Reler-me #18

Loira também quer dar dicas de maquilhagem e beleza à blogosfera nacional

Acordem bem cedo e coloquem creme e protector solar, ao fazê-lo dividam o vosso rosto a meio, a parte superior aos olhos e a parte inferior, na parte inferior podem colocar o creme e o protector à vossa vontade, na parte superior não se atrevam sequer a tocar, têm de sair de casa com essa zona do rosto completamente limpa, a não ser que queiram que aquela porcaria vos entre toda para os olhos ao primeiro sinal de suor. Não há necessidade de se pentearem, o capacete é fabuloso para as desgrenhadas. A demonstração que vos trago hoje demora exactamente 50 km de chuva e lama a ser conseguida, mas o resultado final é fantástico, como poderão comprovar mais à frente. Durante o processo o vosso rosto será sujeito a uma esfoliação à base de pingos de chuva fria com lavagem e massagem intensivas e gotas enviadas primeiro na perpendicular e depois na oblíqua, a uma média de 20 km por hora, com pepitas de areias naturais oriundas de uma praia de mar revolto e frio no norte de Portugal, salpicos de pedras e mistura de uma substância granular de alcatrão essencial. Aplicação de uma máscara de lama proveniente das montanhas e dos trilhos mais espectaculares, com extracto de bosta e uma pequena amostra de argila. Restauração corporal intensiva com três linhas de tratamento à escolha: mato, silvas e urtigas. E ainda, para o vosso cabelo, uma máscara reconstrutora e uma ampola de tratamento instantâneo à base de sedimento terroso do solo, mais vulgarmente conhecido como lama. Completamente grátis, completamente natural, resultado garantido e comprovado.


Fevereiro de 2016

Reler-me #17

Tragédia matinal

Estão a ver quando, enquanto separam a roupa acabada de lavar e secar, percebem que uma das meias não tem par? Quando pensam, e pensam, e voltam a pensar e têm a certeza absoluta que colocaram as duas meias na máquina de lavar no dia anterior? Quando voltam atrás para perceber se a meia não jaz no chão da vossa casa, algures entre o local da máquina de secar e do quarto que usam para separar a roupa? Quando vão a correr, e já em pânico, ao balde da roupa suja para perceber se a certeza que tinham de a ter colocado na máquina, era afinal uma incerteza? Quando voltam às máquinas de lavar e secar a roupa na esperança de ela ter ficado esquecida algures nas profundezas daqueles espaços? Quando vão a correr para junto da roupa já dobrada e separada e voltam a desdobrar e a juntar a roupa, e voam peças, na esperança que a meia esteja no meio de um lençol dobrado ou dentro de uma perna de calças que esperam para ser engomadas? Nunca vos aconteceu tal coisa? Então parabéns, estão no bom caminho para se tornarem umas perfeitas Bloggers de sucesso. Já vos aconteceu isso montes de vezes e não percebem onde está o drama? Então vão lá às vossas vidas que este post não é para vocês. Percebem-me perfeitamente? Compreendem a tortura, o medo, o pânico, a aflição, a falta de ar, a taquicardia, os suores frios, as tonturas, o tormento que é não saber de uma meia? Então imaginem tudo isso a dobrar, a triplicar, a quadruplicar. Imaginem o que é para mim não saber onde caralho se enfiou uma das minhas fashion meias das pedaladas. Uma tragédia, é o que vos digo, uma tragédia matinal, foi o que me aconteceu.

Fevereiro de 2016

sábado, 11 de março de 2017

Reler-me #16

Assobiar para o alto

Uma das coisas que adoro fazer quando começam a aparecer os primeiros sinais da Primavera, ou quando, como é hoje o caso, finalmente aparece o sol depois de tantos dias de chuva, é de assobiar para o alto. No meio da montanha, num jardim, ou num meio mais rural, basta assobiar uns segundos para que logo os pássaros nos respondam com cânticos alegres e radiantes. Aprendi a fazê-lo quando assobiava ao meu pai e ele me respondia de longe da mesma forma, certo dia não era o meu pai a responder, mas um pássaro que aprendeu a imitar-nos e quase sempre nos conseguia enganar. Eu e o meu pai continuamos a assobiar um ao outro e a fazer muitas vezes cantar os pássaros. Hoje está sol, os pássaros responderam-me, cantaram para mim, para nós.

Fevereiro de 2016

Reler-me #15

Porque na vida há coisas que não se explicam

Pedem-me frequentemente para explicar esta minha loucura. Afirmam que não entendem tanto entusiasmo, perguntam-me porquê e esperam que eu lhes explique algo inexplicável. Quem nunca andou de bicicleta não pode perceber o que é chegar ao topo de uma montanha que de cá de baixo nos parece inatingível, não pode perceber o que fazer uma descida técnica sem desmontar, não pode perceber o que se sente quando pedalamos cada vez mais km, não pode perceber a sensação de levar com a chuva e a lama no rosto e no corpo, não pode perceber o que é resistir ao calor, ao frio, à sede, à fome e ainda assim sentir-se feliz, não pode perceber o que se sente quando se pára lá em cima na montanha para olhar para a paisagem, não pode perceber quão grandes e quão pequenos nos conseguimos sentir naquele instante. Quem nunca pedalou não pode perceber o que se sente a chegar à meta, não pode perceber o companheirismo e a amizade que se ganha com os que nos acompanham, não pode perceber o que vale ultrapassar uma subida e divertir-se numa descida. Quem nunca foi para o monte não pode perceber o que é descobrir locais que de outra forma nunca poderíamos descobrir, não pode perceber a sensação de conseguir estar lá em cima só com a nossa energia. Quem nunca andou de bicicleta nunca viveu aqueles instantes em que entramos numa curva sem equilíbrio, em que nos vimos com a roda de trás no ar, em que o pneu derrapa e nós perdemos o controlo, em que queremos desencaixar um pedal e não conseguimos, em que sabemos que vamos cair e já não podemos fazer nada para o evitar. Quem nunca andou de bicicleta não pode perceber o que é fazer uma viagem de mochila às costas em autonomia total. Quem nunca pedalou não pode perceber o que é parar para descansar. Não perguntem mais, experimentem ou calem-se, porque na vida há coisas que não se explicam, a paixão é uma delas.

Fevereiro de 2015

sexta-feira, 10 de março de 2017

Estou tão fodida...

Não sei se foi amor à primeira vista (ai... suspiro) ou se uma paixão incontrolável (ai... suspiro), não percebo nada disto, de dar nomes aos sentimentos (ai... suspiro). Não consigo deixar de pensar nela (ai... suspiro), não consigo deixar de a imaginar comigo (ai... suspiro) e as coisas que podemos fazer juntas (ai... suspiro), a presença dela é constante desde o momento em que a vi (ai... suspiro), o meu coração palpita (ai... suspiro) e o meu corpo pede por ela a todo o instante (ai... suspiro), juro que quero negar todos os sintomas (ai... suspiro) e que estou a fazer de conta que sou super calma e ponderada (ai... suspiro), mas imaginar-me com ela é a melhor sensação do mundo (ai... suspiro), tudo nela é perfeito (ai... suspiro) e se encaixa em mim e na minha vida (ai... suspiro), não me consigo imaginar com outra (ai... suspiro) e imaginá-la com outra pessoa que não eu é insuportável para mim (ai... suspiro). Já só consigo pensar em nós, juntas, felizes (ai... suspiro) e no futuro risonho que temos pela frente (ai... suspiro), já só consigo sonhar com ela, com nós (ai... suspiro). Quero-a para mim, estou apaixonada, desejo-a, amo-a, não quero sequer imaginar viver sem ela (ai... suspiro). Estou tão fodida. E o pior disto tudo é ter de admitir que no fundo... bem lá no fundo... sou uma pindérica do pior (ai suspiro). Segurem-me, segurem-me porque quando me apaixono não sobra pedra sobre pedra. Merda. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Um post quase erótico

Reuni, um dia destes, as minhas miúdas lá em casa, uma espécie de ladies night com festa de aniversário à mistura, muita comida, muita bebida e uma diversão extra, ideia fantástica de uma delas. Recebemos durante umas horas uma espécie de formação sobre brinquedos sexuais, explicações, truques, formas de usar, de fazer, de acontecer. Todas adoramos aquele bocadinho e todas ficamos bastantes entusiasmadas, eu talvez um pouco mais que as outras, ou porque era a aniversariante, ou porque gosto mesmo daquele vinho tinto maduro alentejano, o certo é que no final da sessão eu encomendei tudo o que me inspirou e mais alguma coisa, muita coisa, diga-se. A noite foi falada por nós tantas vezes que o arrebatamento e a ansiedade foi crescendo enquanto esperávamos famintas de novidades que as nossas encomendas chegassem. E chegaram, chegaram esta semana, lancem os foguetes, toquem os tambores. Eu? Eu já não me lembrava do que caralho encomendei. Eu? Abri a encomenda e juro que não faço a mais pequena ideia de para que serve o quê. Eu? Acho mesmo que me vou divertir muito nos próximos tempos, sim... a tentar perceber o que é e para que serve tudo o que encomendei. Desejem-me sorte. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Os meus livros #11 - Suite Francesa (Irène Némirovsky)

SINOPSE

Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta. Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes (com base na estrutura da Quinta Sinfonia de Beethoven), Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte. O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial. Romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a Ocupação (enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de Irène Némirovsky), Suite Francesa ressuscita, numa escrita brilhante e intuitiva, um momento decisivo e marcante da nossa memória colectiva.



Não há muito a dizer sobre Suite Francesa, para além de que é extraordinário. A prova de que o tema nunca se esgota e há sempre páginas prontas a surpreenderem.

Reler-me #14

Por enquanto está tudo controlado, corro à noite e acho que as pessoas que se cruzam comigo não têm uma mente tão porca como a minha

Três dias depois da minha primeira corrida (de todo o sempre, amém), como já conseguia mexer-me mais ou menos, já quase conseguia caminhar sem mancar, já conseguia sentar-me sem parecer uma contorcionista aleijada e até já conseguia apanhar objectos do chão só com dois gritinhos e três gemidos, achei que estava pronta para outra. Ontem, começar foi mais difícil, uma vez que as minhas pernas ainda doíam, mas a corrida foi bem mais fácil. Os mesmos km, o mesmo trajecto, mas desta vez não me senti tão estúpida como anteriormente, a minha sombra já não parecia tão desengonçada, a minha passada estava mais segura e o movimento dos meus braços já começa a fazer sentido. Em vez de olhar para o chão e contar mentalmente e desesperadamente os metros que ainda me faltavam para terminar a tortura já consegui erguer a cabeça e ver aquilo que me rodeia. Terminei cansada mas não mais morta que viva. A certa altura, por breves instantes, cheguei mesmo a pensar que talvez um dia eu consiga gostar disto, talvez um dia o interminável horizonte que se estende até à meta já não me assuste, talvez um dia eu consiga sentir-me bem e talvez um dia eu consiga correr sem estar constantemente a pensar na respiração. Nesse dia, no dia em que respirar for tão fácil e tão natural como respirar, talvez eu possa mesmo correr o mundo livremente, linda, loira e sem fazer a boca de broche que faço agora.

Fevereiro de 2015

segunda-feira, 6 de março de 2017

Loira vai à neve

Desde que comecei a pedalar que andava a dizer a meio mundo que o meu sonho era  pedalar na neve, imaginava-me no topo da montanha, rodeada de branco, com um grande sorriso no rosto e a tirar fotos incríveis com a bicicleta mais gira do mundo, a minha, claro. Pedalar trouxe-me isso, pequenos sonhos que se tornam grandes conquistas.
Sábado partimos para mais uma aventura ao pedal e depois de percorrermos vários quilómetros de trilhos não cicláveis, se fazermos subidas e descidas com a bicicleta às costas, depois de passarmos rios e cascatas, pedras, raízes, lama e de estarmos com os pés completamente molhados e gelados percebemos que a neve já não estava lá ao longe no topo da montanha, que nós já estávamos na neve e que o topo da montanha branca era o nosso destino. Pedalar era praticamente impossível na maior parte do trajecto e a única alternativa era subir todos aqueles quilómetros a arrastar a bicicleta connosco, ou a suportar o seu peso às costas, com os pés completamente congelados num calçado que não é próprio de caminhar. Partes do percurso tornavam-se desesperantes e num momento em que me apeteceu animar uma das minhas amigas disse-lhe isso mesmo, que sempre tive o sonho de pedalar na neve, ela perguntou como é que eu me estava a sentir e eu disse-lhe que estava feliz, toda fodida, mas feliz. Alcançamos o topo da montanha e fizemos a descida ainda com neve até à nossa meta. Eu olhei para trás e vi-me no topo da montanha, rodeada de branco, com um grande sorriso no rosto e a tirar fotos incríveis com a bicicleta mais gira do mundo, a minha, claro. Tive frio, tive dores, caí, mas o fim compensou, compensa sempre, porque mesmo quando estou toda fodida, continuo feliz. Os pés? Esses ainda doem, mas isso é só um pequeno pormenor, dos tais pequenos sonhos que se tornam grandes conquistas.

Loira, o que vês do teu selim?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Reler-me #13

Querido diário,

às vezes dou por mim a ler-me, a reler-me ou a relembrar-me. Ainda não sei bem que nome atribuir a isto, mas de tempos a tempos vou ali ao arquivo ler qualquer coisa escrita há muito tempo atrás, parece sempre uma eternidade. Consigo surpreender-me sempre, mais de quatro anos a escrever e ainda é uma surpresa esta sensação de ler-me, de ler-te. Passamos, os dois, momentos muitos divertidos, esses são os que mais gosto de recordar, mas houve mais, muito mais, ficaste alegre e feliz comigo, ficaste triste, apaixonaste-te comigo, viveste comigo todas as minhas aventuras, todas as minhas desventuras, vimos juntos partir pessoas. Viste cair-me algumas lágrimas e chegar muitos sorrisos, muitas gargalhadas. Viste as mudanças na minha vida e em mim, acompanhaste-me. Deste-me ainda pessoas, pessoas que chegaram e continuam a chegar a mim por tua causa. Por vezes abandonei-te, voltei sempre, tu sabes, volto sempre. Mudei, cresci, mudaste e cresceste comigo, escondi sentimentos nas tuas entrelinhas e conjuguei emoções. Às vezes dou por mim a ler-me, a ler-te e olha... gosto de ti.

Fevereiro de 2014

Reler-me #12

É tudo uma questão de pele... e de paixão...

Não procures mais, por muito que o faças nunca mais o vais sentir, é o cheiro dela misturado com aquilo que sentias no exacto momento em que todos os poros da pele dela rogavam por ti. É tudo uma questão de pele, a dela. Podes comprar mil vezes o perfume que ela usa, podes sentir esse mesmo perfume em mil corpos diferentes, nunca mais será o mesmo. Nunca mais conseguirás que te desperte os sentidos daquela mesma forma. É tudo uma questão de pele, de paixão e de desejo.

Fevereiro de 2014

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Faz hoje 35 anos que nasci

Podia escrever um grande post e fazer as reflexões e balanços que a solene data e a ocasião obrigam, mas estou demasiado ocupada a viver isto e a ser feliz. Parabéns Loira. Feliz teu (meu) ano novo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Reler-me #11

Sinto-me um bocado perdida por aqui.

Não tenho cão, não tenho gato, não tenho sequer um peixinho. Gosto de me vestir bem mas detesto que me tirem fotografias. Selfies a fazer beicinho então era o fim. Não tenho instagram e até o facebook me cansa profundamente. Não sou mãe. Ao pequeno-almoço como pão e bebo leite com café ou na loucura uns cereais com iogurte líquido, mas com tanto sono se fosse fotografar aquilo era bem capaz de vos traumatizar. Pinto sempre as unhas de branco, preto ou vermelho, nada que vos interesse. Não sei cozinhar nada de jeito, muito menos teria coragem de vos dar uma receita de arroz com ervilhas. Não compro prendas para o dia dos namorados por isso também não tenho sugestões. Não faço pulseiras, nem gorros, nem capas para livros por isso não tenho nada para vender. Não gosto de ver televisão, comentar programas de entretenimento seria impensável. Não tenho patrocínios e seria uma desgraça a fazer publicidade. De tempos a tempos desapareço e perco completamente o fio à meada. Não tenho uma vida cor-de-rosa encaixada num mundo perfeito. Até hoje ainda não percebi o que caralho são as bagas goji.

Fevereiro de 2014

Reler-me #10

Pietro...

Construiu uma árvore e chamou-lhe de laranjeira. Um dia passou por lá um miúdo que lhe disse que a árvore não era uma laranjeira, a árvore só podia ser um limoeiro porque os frutos eram amarelos e desde então Pietro passou a chamar-lhe de limoeiro. Tempos depois passou por lá outro miúdo que lhe disse que aquilo não era uma limoeiro, aquilo só podia ser uma papeleira porque os frutos eram de papel e mostrou-se tão certo disso que Pietro passou a chamar-lhe papeleira. Tempos depois passou por lá um holandês meio louco que lhe deixou por baixo da árvore uma laranja, Pietro nunca mais tirou de lá a laranja e achou que desde início teve sempre razão, aquilo era mesmo uma laranjeira e desde então passou a chamar-lhe novamente de laranjeira.

"O conhecimento é limitado, a imaginação não."

Fevereiro de 2014

Os meus livros #10 - A Viagem de Felicia (William Trevor)



SINOPSE

«És linda», disse-lhe Johnny e, então, cheia de esperança e com apenas dezassete anos, Felícia atravessa o Mar da Irlanda para Inglaterra ao encontro do seu amado, para lhe dizer que está grávida. Desesperadamente em busca de Johnny nas desoladoras Midlands pós-industriais, ela é, pelo contrário, encontrada pelo Sr. Hilditch, um estranho e solitário homem, um coleccionador de jovens raparigas perdidas...




Tão bom, tão bom, tão bom. A Viagem de Felicia é daqueles livros que nos diz muito com a história e ainda mais nas entrelinhas. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Queridas Fashion Bloggers, conselheiras de moda e pessoas que percebem de fazer pandã em geral... SOCORRO

Há uns tempos atrás passeava eu por um site duvidoso, coisa que adoro fazer, em busca de novidades e de coisas giras para pedalar, quando me deparei com um colete lindo de morrer, pelo menos foi o que me pareceu naquele dia em que eu 1) ou estava com uma ressaca do caralho 2) ou tinha mesmo muito sono. Comprei o colete e como sempre esperei... esperei... esperei... até que um belo dia o colete chegou e eu olhei bem para ele e percebi que não ficava bem em absolutamente nada. Ok, também tive uma ajuda externa, uma voz que disse: "tens a certeza que isso fica bem com alguma coisa?", claro que eu não tinha a certeza, o meu roupeiro está cheio de rosas e de amarelos, de fluorescentes e de azuis, de verdes fortes e de cores com choque no fim, daquelas que fazem doer os olhos. Tristemente cheguei à conclusão que não podia usar o meu colete novo a não ser que comprasse o jersey igual e que aí sim, eu ia ficar linda de morrer com o meu conjunto super especial. Comprei o jersey e esperei... esperei... esperei... até que hoje o carteiro me trouxe a minha encomenda e com ele o jersey mais feio do mundo, exactamente igual ao colete mais feio do mundo. Felicidade das felicidades olhei para ele e percebi que não ficava bem com absolutamente nada a não ser com o colete que não fica bem com absolutamente nada. 
Posto isto, pergunto: o que caralho vou eu usar com o jersey e o colete que fazem o conjunto mais horroroso de sempre? E não me venham dizer para comprar uns calções todos pretos, porque a essa conclusão já eu cheguei. Que óculos é que eu uso com isto? Que sapatos é que eu uso com isto? Que luvas é que eu uso com isto? E o pior, o pânico, o horror, o terror, que meias é que eu uso com esta merda?



Reler-me #9

Sonhos muito meus...

Desde que comecei a andar de bicicleta, fez ontem precisamente 3 anos, desde esse primeiro dia que me nasceu um sonho aqui dentro do peito, ainda não tinha preparação física mas comecei a sonhar com Santiago de Compostela, sair daqui, da minha cidade e fazer O Caminho para chegar lá, aproximadamente 300 km e 3 dias depois. Treinei para isso, fiz quilómetros, fiz uma grande viagem num fim de semana para testar a minha capacidade física e estava tudo a correr bem para partir a caminho de Santiago em Maio, o meu corpo traiu-me, os meus joelhos não me deixaram partir e eu fiquei muito triste naquela altura. Um dos amigos que me acompanha nas pedaladas praticamente desde o início, aquele que estava a organizar a viagem, chamou-me, ofereceu-me o Jersey que tinha feito para as pessoas que iam e disse-me que estava a dar-me aquilo como promessa que eu ia a Santiago ainda naquele ano. Emocionou-me e deu-me força para continuar a treinar. Naquela altura, ainda não tinha praticamente equipamentos nenhuns, só uns foleiros daqueles que se compram nas lojas de desporto, não tinha Jerseys de equipa, não tinha Jerseys de maratonas, aquele era lindo e de cada vez que saía de casa para andar de bicicleta olhava para ele, mas nunca tive coragem de o vestir, não me achava digna de vestir um Jersey com o estampado do Caminho de Santiago, aquilo era algo maior, era um sonho por cumprir. Em Outubro desse ano o meu amigo organizou outra viagem e às quatro da manhã, num dia de temporal eu estava pronta para partir, levava o Jersey na mala, foi a viagem mais difícil de fazer de toda a minha vida, a tempestade, os joelhos que me voltaram a trair e a falta de experiência fizeram-me sofrer muito para lá chegar, duvidei se conseguiria, ainda durante a viagem não vesti o Jersey, pensava que se não conseguisse chegar à catedral nunca o iria vestir, só no último dia, já perto de Santiago é que me atrevi a vesti-lo e cheguei lá com ele. Desde esse dia, já ganhei vários, muitos Jerseys, já não me cabem numa gaveta, tenho inúmeros de maratonas, tenho de equipas, de lojas e até tenho um outro do Caminho de Santiago, desde esse dia já me nasceram aqui dentro muitos mais sonhos, um deles é fazer o caminho Francês de Santiago, sair de Saint-Jean-Pied-du-Port nos Pirenéus e pedalar cerca de 900 Km até Santiago de Compostela, desde esse dia já pedalei milhares de quilómetros, tenho incontáveis recordações, mas aquele primeiro Jersey e o que senti quando o vesti pela primeira vez vão ficar-me para sempre gravados na alma e no coração.

Fevereiro de 2016

Os meus livros #9 - A Cor do Coração (Barbara Mutch)


SINOPSE

Este romance de estreia de Barbara Mutch tem vindo a conquistar os meios literários internacionais, pela peculiar delicadeza e a sensibilidade que a sua escrita revela. A história inicia-se nas terras do Karoo, na África do Sul, onde uma jovem irlandesa chega para desposar o noivo que não vê há cinco anos e aí constituir família. O livro revela-nos as pouco ortodoxas ligações que se vão tecendo entre os diferentes personagens. Com o rebentar da Segunda Guerra Mundial tudo muda dolorosamente naquela casa, até que uma guerra se instala no próprio país — o apartheid—, dilacerando ainda mais as já fragilizadas relações. A Cor do Coração é, acima de tudo, um romance inteligente e desafiador, que retrata o drama e o sofrimento de duas mulheres capazes de se elevarem acima da crueldade e do preconceito em nome dos valores mais genuinamente humanos.



Um tema forte escrito de forma leve e fácil de ler. Um livro que se lê muito rapidamente e que nos mostra o mundo através de uns olhos muito especiais.