sexta-feira, 21 de abril de 2017

Vou ali e já volto





Mas só depois de 4 dias a pedalar, 420 km e quase 6000 metros de acumulado de subida. Só depois de mais um Caminho, de mais uma viagem e de mais uma grande aventura. Só depois de trazer comigo mil histórias para contar. Que seja um Bom Caminho. E que O Caminho nunca acabe.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Suspiro...

Tracei no meu mapa novos horizontes, delineei novas metas, arrisquei a percorrer estradas sem fim e sei agora que há infinitos trilhos para descobrir. Colori os meus dias como nunca. Esqueci-me de escrever sobre tudo isto mas continuo a inspirar-me na vida e escrever sobre ela continua a ser necessário e apaixonante. Vejo, descubro e sinto coisas novas todos os dias, os sonhos multiplicam-se a cada minuto, a lista de objectivos a atingir é interminável neste momento. Quero ver mais, ouvir mais, conhecer mais, fazer mais, sentir mais, quero mais de tudo para mim. Quero partir, ir, fazer, acontecer. Viver é intenso e eu estou apaixonada pela vida. Suspiro...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Biomecânica, essa coisa do demo

Resolvi um destes dias fazer uma biomecânica à minha bicicleta. O que é uma biomecânica? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Uma biomecânica é uma medição e ajuste da bicicleta ao atleta, de forma a que os dois estejam em plena sintonia na pedalada. Pelo menos era nessa treta que eu acreditava quando inocentemente fui fazer a merda da biomecânica. O que é que aconteceu? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Aconteceu que me mexeram tanto nas medidas da minha bicicleta que o meu corpo que antes se encaixava nela de forma natural agora simplesmente nem a reconhece. Teoricamente agora os meus músculos, as rotações das pernas, os tendões, os ossos e tudo o resto está a trabalhar de forma correcta enquanto pedalo. Na prática é um desconforto, são dores, é falta de força, é uma irritação que só me apetece voltar para casa o mais rápido possível. Teoricamente tudo isto é normal, há um período de adaptação e daqui a uns dias eu vou sentir-me em casa a pedalar, basta ter calma e pensar na minha saúde no futuro. Na prática apetece-me mandar quem me diz isso para o caralhinho que o foda e voltar a colocar a minha bicicleta como estava.
Pronto, era só isso, um desabafo, podem ir às vossas vidas as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano.
A biomecânica? A minha mãe agradece, anda há mais de 7 anos a foder-me a cabeça para eu deixar de pedalar sem qualquer sucesso e agora esta obra do demo aparece e faz com que todos os desejos dela quase se tornem realidade.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Discriminação?

Porque é que numa prova de tempos cronometrados as equipas masculinas e mistas podem optar pelo trajecto maior ou pelo trajecto menor, conforme a sua vontade e a sua preparação física, e as equipas femininas só podem fazer o trajecto menor, ficando desclassificadas se escolherem fazer o maior? 
Discriminação? Claro que não. É só porque nós mulheres temos de ir virar o assado que deixamos no forno antes de ir para a maratona, não vá aquela merda queimar-se e depois já não há almoço. E isso sim, era uma grande chatice.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Mas que doença é esta?

Não é falta de tempo e muito menos de concentração, não tenho nenhum problema para resolver, nem nada que me preocupe, não me perco a meio da página a pensar numa outra coisa qualquer, simplesmente não me apetece ler, tenho os livros ali de lado, sem vontade nenhuma de lhes pegar, não me lembro da última vez que li e estou quase a cortar os pulsos por causa desta falta de vontade de me perder numa das minhas grandes paixões. Não arranjo explicação nem sei onde encontrar o meu síndrome de leitora compulsiva. Não consigo simplesmente sentar no sofá e ler, tão natural e necessário como quem respira, como sempre foi. Mas que doença é esta, que não curou, nem quando fiquei doente e não tinha mais o que fazer?

Do Pedal para o Blog #4

domingo, 26 de março de 2017

Reler-me #22

Da relatividade do tempo...

Um segundo pode durar a eternidade. Num minuto podemos reflectir toda uma vida. Um sorriso pode ficar para sempre na nossa mente. Um cheiro pode penetrar a nossa alma irremediavelmente. Uma hora pode demorar mais tempo a passar do que vinte e quatro horas. A noite pode nunca mais acabar. Em alguns minutos podemos mudar toda uma vida. Sessenta segundos contados podem demorar bem mais que um minuto a fantasiar. O tempo descobre-se na alma, num relógio imaginário que ora para, ora avança descompassadamente ao ritmo do bater do coração. Há coisas que acabaram ontem, há coisas que acabaram para sempre, para sempre ontem...

Março de 2012

Reler-me #21

Post que fala da minha bicicleta (ficam já avisados, visto que é um assunto que não vos deve interessar para nada)

Toda a gente sabe (ou pelo menos uns dois de vocês) que quem pedala, seja no monte seja na estrada tem obrigatoriamente uma grande paixão (pancada, mesmo) pela bicicleta. É um sentimento inexplicável e extraordinário. Para começar ninguém, mas mesmo ninguém tem uma bicicleta igual à nossa. A nossa bicicleta é sempre a melhor (mesmo que custe só metade do preço da bicicleta do nosso colega) e a mais bonita (mesmo que já tenha uns bons anos). A nossa bicicleta não se empresta a ninguém. A nossa bicicleta custou provavelmente mais que o nosso carro, aliás, nós achamos mais útil a nossa bicicleta que o nosso carro e chegamos a pagar o dobro para lavar a bicicleta do que para lavar o carro numa oficina especializada. A nossa bicicleta merece sempre melhorias que custam umas centenas de Euros para ficar mais leve trezentas gramas. A nossa bicicleta é a nossa amante, é a nossa menina, é a nossa companheira. A relação que temos com a nossa bicicleta é uma espécie de casamento, mas na versão feliz. A nossa bicicleta acompanha-nos nas subidas e nas descida, nas quedas e nas aventuras, na glória e na dor e ninguém nos consegue separar. Perante isto, deixo uma fotografia da minha, para poderem comprovar que ela é mesmo muito bem tratada.


Março de 2012

sábado, 25 de março de 2017

Reler-me #20

Do coração...

Penso que é a isto que chamam de maturidade já que foram os anos e as experiências de vida que mudaram em mim o coração. Sempre me apeguei demais às pessoas, aos momentos. Achava que entravam na minha vida para nunca mais sair, o meu coração era uma espécie de hotel onde só era permitido fazer o ckeck-in, depois de entrar tinham que viver lá para sempre. E era enorme este hotel, poderia viver cá o mundo inteiro, sem nunca precisar de fazer o check-out. Por causa disso, o coração ficou-me destroçado tantas e tantas vezes e o hotel quase desmoronou. Demorei alguns anos, mas consegui construir cá dentro do peito uma espécie de chalé aconchegante onde habitam pessoas realmente importantes. Há sempre lugar para mais um aqui, os hóspedes são sempre muito bem recebidos, mas a gerência (ou o coração) tem a plena consciência que uns querem cá viver, outros alugam o espaço por tempo indeterminado e há aqueles que só querem lá passar férias. Por vezes ainda há algumas lágrimas na despedida, mas o melhor é fazer uma limpeza, preparar o quarto para os que chegam a seguir e manter sempre as portas abertas, para os que querem realmente viver por lá (ou por cá) para sempre.

Março de 2012

Reler-me #19

Terapia...

O corpo cada vez mais cansado e a respiração cada vez mais ofegante. As gotas da água gelada no rosto cada vez mais frio, os olhos fecham-se e não resistem a deixar cair algumas lágrimas de chuva, já não se vê com nitidez tudo o que é necessário. Os braços completamente gelados, as pernas pesadas, molhadas, um vento frio que faz com que deixe de sentir os pés e as mãos. O sabor de terra molhada nos lábios, consequência dos salpicos de lama. O ritmo cardíaco cada vez mais acelerado, com a pressa de chegar a casa, com a ansiedade de um banho quente e do conforto da roupa limpa. Os trilhos cada vez mais difíceis. Desaba em mim uma tempestade, mas fica-me a alma lavada e brilha-me o sol no coração.

Março de 2012

sexta-feira, 24 de março de 2017

Blog meu... Blog meu... há em toda a blogosfera Loira mais fashion do que eu?


Socorro, não tenho nada para vestir. Ou: posso criar uma série de posts sobre os melhores outfits para pedalar de todo o mundo e arredores?

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inspiração

Um dia não há nada para escrever, tudo parece chato e monótono, nada vale a pena ser passado para palavras, a inspiração adormeceu por tempo indeterminado e sem causa conhecida ou compreensível, às vezes chega a parecer que partiu para sempre. No dia seguinte o mundo inteiro é conjugável, as ideias, os temas e as frases surgem à velocidade da luz, tanto que é difícil conseguir captar tudo o que acontece. Escrever é tão natural como respirar e não há nada que não mereça ser contado e partilhado, a vida é descritível. Adormecer rascunho, acordar poesia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Que orgulho meus senhores, que orgulho

No fim de semana passado pedalei de calções pela terceira ou quarta vez este ano. Reparei, no domingo à tarde, que a marca do sol já se nota nas minhas pernas, mesmo de meias opacas. Ainda lá estava um tom moreno do verão passado e foi só sair a pedalar ao sol para acentuar as habituais marcas a meio das pernas. Que feio, pensarão vocês, que horror, dirá quem vir. Como é que consegues andar assim Loira? Perguntarão todos. Que lindas, digo eu, das marcas que me definem e que fazem parte daquilo que sou, daquilo que gosto e daquilo que faço. Que orgulho meus senhores, que orgulho, das marcas do sol na pele, dos arranhões do mato, dos picos entranhados na carne, das nódoas negras, das feridas e das cicatrizes. Que orgulho de ser o que sou, que é mais ou menos como quem diz, mais uma merda de um verão inteiro a usar calças. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Paz à sua alma

Afoguei-o. Desde 2010 que o meu passatempo preferido é afogar telemóveis, o primeiro afoguei-o na minha primeira grande viagem, debaixo de uma tempestade descomunal e todos os outros que se seguiram tiveram o mesmo fim. Afogaram em viagens, em maratonas, em passeios, afogaram por excesso de vida ou de humidades contínuas, afogaram em lama, em sujidade, afogaram em aventura. Matei-os, um por um, de forma radical. Até sábado passado, dia em que afoguei mais um, o primeiro a morrer sem fazer jus à reputação da dona, afogado enquanto eu lavava a loiça, como se em vez de eu ser a Loira das bicicletas, a Loira das montanhas, a Loira das aventuras, fosse uma simples dona de casa. Antes lhe tivesse acontecido uma morte de merda, afogado na sanita, sempre morria com uma história para contar. Afoguei-o, avé, salvaram-se os contactos e as fotos, que descanse em paz e que o actual morra com honra e glória, porque é assim que têm de morrer os que vivem intensamente. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Oh não... vai começar tudo outra vez...

A mistura improvável que eu sonhei um dia e na qual ninguém acreditava. Cada pormenor pensado ao pormenor. A ansiedade da espera e a espera por saber se terceiros conseguiram compreender e transformar exactamente aquilo que eu imaginei e quero. Os planos, as ideias, as imagens, a imaginação, os sonhos, a contagem do tempo. Oh não... vai começar tudo outra vez. Fujam todos, nos próximos tempos vou ficar insuportável, ainda mais insuportável.

domingo, 12 de março de 2017

Reler-me #18

Loira também quer dar dicas de maquilhagem e beleza à blogosfera nacional

Acordem bem cedo e coloquem creme e protector solar, ao fazê-lo dividam o vosso rosto a meio, a parte superior aos olhos e a parte inferior, na parte inferior podem colocar o creme e o protector à vossa vontade, na parte superior não se atrevam sequer a tocar, têm de sair de casa com essa zona do rosto completamente limpa, a não ser que queiram que aquela porcaria vos entre toda para os olhos ao primeiro sinal de suor. Não há necessidade de se pentearem, o capacete é fabuloso para as desgrenhadas. A demonstração que vos trago hoje demora exactamente 50 km de chuva e lama a ser conseguida, mas o resultado final é fantástico, como poderão comprovar mais à frente. Durante o processo o vosso rosto será sujeito a uma esfoliação à base de pingos de chuva fria com lavagem e massagem intensivas e gotas enviadas primeiro na perpendicular e depois na oblíqua, a uma média de 20 km por hora, com pepitas de areias naturais oriundas de uma praia de mar revolto e frio no norte de Portugal, salpicos de pedras e mistura de uma substância granular de alcatrão essencial. Aplicação de uma máscara de lama proveniente das montanhas e dos trilhos mais espectaculares, com extracto de bosta e uma pequena amostra de argila. Restauração corporal intensiva com três linhas de tratamento à escolha: mato, silvas e urtigas. E ainda, para o vosso cabelo, uma máscara reconstrutora e uma ampola de tratamento instantâneo à base de sedimento terroso do solo, mais vulgarmente conhecido como lama. Completamente grátis, completamente natural, resultado garantido e comprovado.


Fevereiro de 2016

Reler-me #17

Tragédia matinal

Estão a ver quando, enquanto separam a roupa acabada de lavar e secar, percebem que uma das meias não tem par? Quando pensam, e pensam, e voltam a pensar e têm a certeza absoluta que colocaram as duas meias na máquina de lavar no dia anterior? Quando voltam atrás para perceber se a meia não jaz no chão da vossa casa, algures entre o local da máquina de secar e do quarto que usam para separar a roupa? Quando vão a correr, e já em pânico, ao balde da roupa suja para perceber se a certeza que tinham de a ter colocado na máquina, era afinal uma incerteza? Quando voltam às máquinas de lavar e secar a roupa na esperança de ela ter ficado esquecida algures nas profundezas daqueles espaços? Quando vão a correr para junto da roupa já dobrada e separada e voltam a desdobrar e a juntar a roupa, e voam peças, na esperança que a meia esteja no meio de um lençol dobrado ou dentro de uma perna de calças que esperam para ser engomadas? Nunca vos aconteceu tal coisa? Então parabéns, estão no bom caminho para se tornarem umas perfeitas Bloggers de sucesso. Já vos aconteceu isso montes de vezes e não percebem onde está o drama? Então vão lá às vossas vidas que este post não é para vocês. Percebem-me perfeitamente? Compreendem a tortura, o medo, o pânico, a aflição, a falta de ar, a taquicardia, os suores frios, as tonturas, o tormento que é não saber de uma meia? Então imaginem tudo isso a dobrar, a triplicar, a quadruplicar. Imaginem o que é para mim não saber onde caralho se enfiou uma das minhas fashion meias das pedaladas. Uma tragédia, é o que vos digo, uma tragédia matinal, foi o que me aconteceu.

Fevereiro de 2016

sábado, 11 de março de 2017

Reler-me #16

Assobiar para o alto

Uma das coisas que adoro fazer quando começam a aparecer os primeiros sinais da Primavera, ou quando, como é hoje o caso, finalmente aparece o sol depois de tantos dias de chuva, é de assobiar para o alto. No meio da montanha, num jardim, ou num meio mais rural, basta assobiar uns segundos para que logo os pássaros nos respondam com cânticos alegres e radiantes. Aprendi a fazê-lo quando assobiava ao meu pai e ele me respondia de longe da mesma forma, certo dia não era o meu pai a responder, mas um pássaro que aprendeu a imitar-nos e quase sempre nos conseguia enganar. Eu e o meu pai continuamos a assobiar um ao outro e a fazer muitas vezes cantar os pássaros. Hoje está sol, os pássaros responderam-me, cantaram para mim, para nós.

Fevereiro de 2016

Reler-me #15

Porque na vida há coisas que não se explicam

Pedem-me frequentemente para explicar esta minha loucura. Afirmam que não entendem tanto entusiasmo, perguntam-me porquê e esperam que eu lhes explique algo inexplicável. Quem nunca andou de bicicleta não pode perceber o que é chegar ao topo de uma montanha que de cá de baixo nos parece inatingível, não pode perceber o que fazer uma descida técnica sem desmontar, não pode perceber o que se sente quando pedalamos cada vez mais km, não pode perceber a sensação de levar com a chuva e a lama no rosto e no corpo, não pode perceber o que é resistir ao calor, ao frio, à sede, à fome e ainda assim sentir-se feliz, não pode perceber o que se sente quando se pára lá em cima na montanha para olhar para a paisagem, não pode perceber quão grandes e quão pequenos nos conseguimos sentir naquele instante. Quem nunca pedalou não pode perceber o que se sente a chegar à meta, não pode perceber o companheirismo e a amizade que se ganha com os que nos acompanham, não pode perceber o que vale ultrapassar uma subida e divertir-se numa descida. Quem nunca foi para o monte não pode perceber o que é descobrir locais que de outra forma nunca poderíamos descobrir, não pode perceber a sensação de conseguir estar lá em cima só com a nossa energia. Quem nunca andou de bicicleta nunca viveu aqueles instantes em que entramos numa curva sem equilíbrio, em que nos vimos com a roda de trás no ar, em que o pneu derrapa e nós perdemos o controlo, em que queremos desencaixar um pedal e não conseguimos, em que sabemos que vamos cair e já não podemos fazer nada para o evitar. Quem nunca andou de bicicleta não pode perceber o que é fazer uma viagem de mochila às costas em autonomia total. Quem nunca pedalou não pode perceber o que é parar para descansar. Não perguntem mais, experimentem ou calem-se, porque na vida há coisas que não se explicam, a paixão é uma delas.

Fevereiro de 2015

sexta-feira, 10 de março de 2017

Estou tão fodida...

Não sei se foi amor à primeira vista (ai... suspiro) ou se uma paixão incontrolável (ai... suspiro), não percebo nada disto, de dar nomes aos sentimentos (ai... suspiro). Não consigo deixar de pensar nela (ai... suspiro), não consigo deixar de a imaginar comigo (ai... suspiro) e as coisas que podemos fazer juntas (ai... suspiro), a presença dela é constante desde o momento em que a vi (ai... suspiro), o meu coração palpita (ai... suspiro) e o meu corpo pede por ela a todo o instante (ai... suspiro), juro que quero negar todos os sintomas (ai... suspiro) e que estou a fazer de conta que sou super calma e ponderada (ai... suspiro), mas imaginar-me com ela é a melhor sensação do mundo (ai... suspiro), tudo nela é perfeito (ai... suspiro) e se encaixa em mim e na minha vida (ai... suspiro), não me consigo imaginar com outra (ai... suspiro) e imaginá-la com outra pessoa que não eu é insuportável para mim (ai... suspiro). Já só consigo pensar em nós, juntas, felizes (ai... suspiro) e no futuro risonho que temos pela frente (ai... suspiro), já só consigo sonhar com ela, com nós (ai... suspiro). Quero-a para mim, estou apaixonada, desejo-a, amo-a, não quero sequer imaginar viver sem ela (ai... suspiro). Estou tão fodida. E o pior disto tudo é ter de admitir que no fundo... bem lá no fundo... sou uma pindérica do pior (ai suspiro). Segurem-me, segurem-me porque quando me apaixono não sobra pedra sobre pedra. Merda. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Um post quase erótico

Reuni, um dia destes, as minhas miúdas lá em casa, uma espécie de ladies night com festa de aniversário à mistura, muita comida, muita bebida e uma diversão extra, ideia fantástica de uma delas. Recebemos durante umas horas uma espécie de formação sobre brinquedos sexuais, explicações, truques, formas de usar, de fazer, de acontecer. Todas adoramos aquele bocadinho e todas ficamos bastantes entusiasmadas, eu talvez um pouco mais que as outras, ou porque era a aniversariante, ou porque gosto mesmo daquele vinho tinto maduro alentejano, o certo é que no final da sessão eu encomendei tudo o que me inspirou e mais alguma coisa, muita coisa, diga-se. A noite foi falada por nós tantas vezes que o arrebatamento e a ansiedade foi crescendo enquanto esperávamos famintas de novidades que as nossas encomendas chegassem. E chegaram, chegaram esta semana, lancem os foguetes, toquem os tambores. Eu? Eu já não me lembrava do que caralho encomendei. Eu? Abri a encomenda e juro que não faço a mais pequena ideia de para que serve o quê. Eu? Acho mesmo que me vou divertir muito nos próximos tempos, sim... a tentar perceber o que é e para que serve tudo o que encomendei. Desejem-me sorte. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Os meus livros #11 - Suite Francesa (Irène Némirovsky)

SINOPSE

Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta. Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes (com base na estrutura da Quinta Sinfonia de Beethoven), Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte. O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial. Romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a Ocupação (enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de Irène Némirovsky), Suite Francesa ressuscita, numa escrita brilhante e intuitiva, um momento decisivo e marcante da nossa memória colectiva.



Não há muito a dizer sobre Suite Francesa, para além de que é extraordinário. A prova de que o tema nunca se esgota e há sempre páginas prontas a surpreenderem.

Reler-me #14

Por enquanto está tudo controlado, corro à noite e acho que as pessoas que se cruzam comigo não têm uma mente tão porca como a minha

Três dias depois da minha primeira corrida (de todo o sempre, amém), como já conseguia mexer-me mais ou menos, já quase conseguia caminhar sem mancar, já conseguia sentar-me sem parecer uma contorcionista aleijada e até já conseguia apanhar objectos do chão só com dois gritinhos e três gemidos, achei que estava pronta para outra. Ontem, começar foi mais difícil, uma vez que as minhas pernas ainda doíam, mas a corrida foi bem mais fácil. Os mesmos km, o mesmo trajecto, mas desta vez não me senti tão estúpida como anteriormente, a minha sombra já não parecia tão desengonçada, a minha passada estava mais segura e o movimento dos meus braços já começa a fazer sentido. Em vez de olhar para o chão e contar mentalmente e desesperadamente os metros que ainda me faltavam para terminar a tortura já consegui erguer a cabeça e ver aquilo que me rodeia. Terminei cansada mas não mais morta que viva. A certa altura, por breves instantes, cheguei mesmo a pensar que talvez um dia eu consiga gostar disto, talvez um dia o interminável horizonte que se estende até à meta já não me assuste, talvez um dia eu consiga sentir-me bem e talvez um dia eu consiga correr sem estar constantemente a pensar na respiração. Nesse dia, no dia em que respirar for tão fácil e tão natural como respirar, talvez eu possa mesmo correr o mundo livremente, linda, loira e sem fazer a boca de broche que faço agora.

Fevereiro de 2015

segunda-feira, 6 de março de 2017

Loira vai à neve

Desde que comecei a pedalar que andava a dizer a meio mundo que o meu sonho era  pedalar na neve, imaginava-me no topo da montanha, rodeada de branco, com um grande sorriso no rosto e a tirar fotos incríveis com a bicicleta mais gira do mundo, a minha, claro. Pedalar trouxe-me isso, pequenos sonhos que se tornam grandes conquistas.
Sábado partimos para mais uma aventura ao pedal e depois de percorrermos vários quilómetros de trilhos não cicláveis, se fazermos subidas e descidas com a bicicleta às costas, depois de passarmos rios e cascatas, pedras, raízes, lama e de estarmos com os pés completamente molhados e gelados percebemos que a neve já não estava lá ao longe no topo da montanha, que nós já estávamos na neve e que o topo da montanha branca era o nosso destino. Pedalar era praticamente impossível na maior parte do trajecto e a única alternativa era subir todos aqueles quilómetros a arrastar a bicicleta connosco, ou a suportar o seu peso às costas, com os pés completamente congelados num calçado que não é próprio de caminhar. Partes do percurso tornavam-se desesperantes e num momento em que me apeteceu animar uma das minhas amigas disse-lhe isso mesmo, que sempre tive o sonho de pedalar na neve, ela perguntou como é que eu me estava a sentir e eu disse-lhe que estava feliz, toda fodida, mas feliz. Alcançamos o topo da montanha e fizemos a descida ainda com neve até à nossa meta. Eu olhei para trás e vi-me no topo da montanha, rodeada de branco, com um grande sorriso no rosto e a tirar fotos incríveis com a bicicleta mais gira do mundo, a minha, claro. Tive frio, tive dores, caí, mas o fim compensou, compensa sempre, porque mesmo quando estou toda fodida, continuo feliz. Os pés? Esses ainda doem, mas isso é só um pequeno pormenor, dos tais pequenos sonhos que se tornam grandes conquistas.

Loira, o que vês do teu selim?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Reler-me #13

Querido diário,

às vezes dou por mim a ler-me, a reler-me ou a relembrar-me. Ainda não sei bem que nome atribuir a isto, mas de tempos a tempos vou ali ao arquivo ler qualquer coisa escrita há muito tempo atrás, parece sempre uma eternidade. Consigo surpreender-me sempre, mais de quatro anos a escrever e ainda é uma surpresa esta sensação de ler-me, de ler-te. Passamos, os dois, momentos muitos divertidos, esses são os que mais gosto de recordar, mas houve mais, muito mais, ficaste alegre e feliz comigo, ficaste triste, apaixonaste-te comigo, viveste comigo todas as minhas aventuras, todas as minhas desventuras, vimos juntos partir pessoas. Viste cair-me algumas lágrimas e chegar muitos sorrisos, muitas gargalhadas. Viste as mudanças na minha vida e em mim, acompanhaste-me. Deste-me ainda pessoas, pessoas que chegaram e continuam a chegar a mim por tua causa. Por vezes abandonei-te, voltei sempre, tu sabes, volto sempre. Mudei, cresci, mudaste e cresceste comigo, escondi sentimentos nas tuas entrelinhas e conjuguei emoções. Às vezes dou por mim a ler-me, a ler-te e olha... gosto de ti.

Fevereiro de 2014

Reler-me #12

É tudo uma questão de pele... e de paixão...

Não procures mais, por muito que o faças nunca mais o vais sentir, é o cheiro dela misturado com aquilo que sentias no exacto momento em que todos os poros da pele dela rogavam por ti. É tudo uma questão de pele, a dela. Podes comprar mil vezes o perfume que ela usa, podes sentir esse mesmo perfume em mil corpos diferentes, nunca mais será o mesmo. Nunca mais conseguirás que te desperte os sentidos daquela mesma forma. É tudo uma questão de pele, de paixão e de desejo.

Fevereiro de 2014

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Faz hoje 35 anos que nasci

Podia escrever um grande post e fazer as reflexões e balanços que a solene data e a ocasião obrigam, mas estou demasiado ocupada a viver isto e a ser feliz. Parabéns Loira. Feliz teu (meu) ano novo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Reler-me #11

Sinto-me um bocado perdida por aqui.

Não tenho cão, não tenho gato, não tenho sequer um peixinho. Gosto de me vestir bem mas detesto que me tirem fotografias. Selfies a fazer beicinho então era o fim. Não tenho instagram e até o facebook me cansa profundamente. Não sou mãe. Ao pequeno-almoço como pão e bebo leite com café ou na loucura uns cereais com iogurte líquido, mas com tanto sono se fosse fotografar aquilo era bem capaz de vos traumatizar. Pinto sempre as unhas de branco, preto ou vermelho, nada que vos interesse. Não sei cozinhar nada de jeito, muito menos teria coragem de vos dar uma receita de arroz com ervilhas. Não compro prendas para o dia dos namorados por isso também não tenho sugestões. Não faço pulseiras, nem gorros, nem capas para livros por isso não tenho nada para vender. Não gosto de ver televisão, comentar programas de entretenimento seria impensável. Não tenho patrocínios e seria uma desgraça a fazer publicidade. De tempos a tempos desapareço e perco completamente o fio à meada. Não tenho uma vida cor-de-rosa encaixada num mundo perfeito. Até hoje ainda não percebi o que caralho são as bagas goji.

Fevereiro de 2014

Reler-me #10

Pietro...

Construiu uma árvore e chamou-lhe de laranjeira. Um dia passou por lá um miúdo que lhe disse que a árvore não era uma laranjeira, a árvore só podia ser um limoeiro porque os frutos eram amarelos e desde então Pietro passou a chamar-lhe de limoeiro. Tempos depois passou por lá outro miúdo que lhe disse que aquilo não era uma limoeiro, aquilo só podia ser uma papeleira porque os frutos eram de papel e mostrou-se tão certo disso que Pietro passou a chamar-lhe papeleira. Tempos depois passou por lá um holandês meio louco que lhe deixou por baixo da árvore uma laranja, Pietro nunca mais tirou de lá a laranja e achou que desde início teve sempre razão, aquilo era mesmo uma laranjeira e desde então passou a chamar-lhe novamente de laranjeira.

"O conhecimento é limitado, a imaginação não."

Fevereiro de 2014

Os meus livros #10 - A Viagem de Felicia (William Trevor)



SINOPSE

«És linda», disse-lhe Johnny e, então, cheia de esperança e com apenas dezassete anos, Felícia atravessa o Mar da Irlanda para Inglaterra ao encontro do seu amado, para lhe dizer que está grávida. Desesperadamente em busca de Johnny nas desoladoras Midlands pós-industriais, ela é, pelo contrário, encontrada pelo Sr. Hilditch, um estranho e solitário homem, um coleccionador de jovens raparigas perdidas...




Tão bom, tão bom, tão bom. A Viagem de Felicia é daqueles livros que nos diz muito com a história e ainda mais nas entrelinhas. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Queridas Fashion Bloggers, conselheiras de moda e pessoas que percebem de fazer pandã em geral... SOCORRO

Há uns tempos atrás passeava eu por um site duvidoso, coisa que adoro fazer, em busca de novidades e de coisas giras para pedalar, quando me deparei com um colete lindo de morrer, pelo menos foi o que me pareceu naquele dia em que eu 1) ou estava com uma ressaca do caralho 2) ou tinha mesmo muito sono. Comprei o colete e como sempre esperei... esperei... esperei... até que um belo dia o colete chegou e eu olhei bem para ele e percebi que não ficava bem em absolutamente nada. Ok, também tive uma ajuda externa, uma voz que disse: "tens a certeza que isso fica bem com alguma coisa?", claro que eu não tinha a certeza, o meu roupeiro está cheio de rosas e de amarelos, de fluorescentes e de azuis, de verdes fortes e de cores com choque no fim, daquelas que fazem doer os olhos. Tristemente cheguei à conclusão que não podia usar o meu colete novo a não ser que comprasse o jersey igual e que aí sim, eu ia ficar linda de morrer com o meu conjunto super especial. Comprei o jersey e esperei... esperei... esperei... até que hoje o carteiro me trouxe a minha encomenda e com ele o jersey mais feio do mundo, exactamente igual ao colete mais feio do mundo. Felicidade das felicidades olhei para ele e percebi que não ficava bem com absolutamente nada a não ser com o colete que não fica bem com absolutamente nada. 
Posto isto, pergunto: o que caralho vou eu usar com o jersey e o colete que fazem o conjunto mais horroroso de sempre? E não me venham dizer para comprar uns calções todos pretos, porque a essa conclusão já eu cheguei. Que óculos é que eu uso com isto? Que sapatos é que eu uso com isto? Que luvas é que eu uso com isto? E o pior, o pânico, o horror, o terror, que meias é que eu uso com esta merda?



Reler-me #9

Sonhos muito meus...

Desde que comecei a andar de bicicleta, fez ontem precisamente 3 anos, desde esse primeiro dia que me nasceu um sonho aqui dentro do peito, ainda não tinha preparação física mas comecei a sonhar com Santiago de Compostela, sair daqui, da minha cidade e fazer O Caminho para chegar lá, aproximadamente 300 km e 3 dias depois. Treinei para isso, fiz quilómetros, fiz uma grande viagem num fim de semana para testar a minha capacidade física e estava tudo a correr bem para partir a caminho de Santiago em Maio, o meu corpo traiu-me, os meus joelhos não me deixaram partir e eu fiquei muito triste naquela altura. Um dos amigos que me acompanha nas pedaladas praticamente desde o início, aquele que estava a organizar a viagem, chamou-me, ofereceu-me o Jersey que tinha feito para as pessoas que iam e disse-me que estava a dar-me aquilo como promessa que eu ia a Santiago ainda naquele ano. Emocionou-me e deu-me força para continuar a treinar. Naquela altura, ainda não tinha praticamente equipamentos nenhuns, só uns foleiros daqueles que se compram nas lojas de desporto, não tinha Jerseys de equipa, não tinha Jerseys de maratonas, aquele era lindo e de cada vez que saía de casa para andar de bicicleta olhava para ele, mas nunca tive coragem de o vestir, não me achava digna de vestir um Jersey com o estampado do Caminho de Santiago, aquilo era algo maior, era um sonho por cumprir. Em Outubro desse ano o meu amigo organizou outra viagem e às quatro da manhã, num dia de temporal eu estava pronta para partir, levava o Jersey na mala, foi a viagem mais difícil de fazer de toda a minha vida, a tempestade, os joelhos que me voltaram a trair e a falta de experiência fizeram-me sofrer muito para lá chegar, duvidei se conseguiria, ainda durante a viagem não vesti o Jersey, pensava que se não conseguisse chegar à catedral nunca o iria vestir, só no último dia, já perto de Santiago é que me atrevi a vesti-lo e cheguei lá com ele. Desde esse dia, já ganhei vários, muitos Jerseys, já não me cabem numa gaveta, tenho inúmeros de maratonas, tenho de equipas, de lojas e até tenho um outro do Caminho de Santiago, desde esse dia já me nasceram aqui dentro muitos mais sonhos, um deles é fazer o caminho Francês de Santiago, sair de Saint-Jean-Pied-du-Port nos Pirenéus e pedalar cerca de 900 Km até Santiago de Compostela, desde esse dia já pedalei milhares de quilómetros, tenho incontáveis recordações, mas aquele primeiro Jersey e o que senti quando o vesti pela primeira vez vão ficar-me para sempre gravados na alma e no coração.

Fevereiro de 2016

Os meus livros #9 - A Cor do Coração (Barbara Mutch)


SINOPSE

Este romance de estreia de Barbara Mutch tem vindo a conquistar os meios literários internacionais, pela peculiar delicadeza e a sensibilidade que a sua escrita revela. A história inicia-se nas terras do Karoo, na África do Sul, onde uma jovem irlandesa chega para desposar o noivo que não vê há cinco anos e aí constituir família. O livro revela-nos as pouco ortodoxas ligações que se vão tecendo entre os diferentes personagens. Com o rebentar da Segunda Guerra Mundial tudo muda dolorosamente naquela casa, até que uma guerra se instala no próprio país — o apartheid—, dilacerando ainda mais as já fragilizadas relações. A Cor do Coração é, acima de tudo, um romance inteligente e desafiador, que retrata o drama e o sofrimento de duas mulheres capazes de se elevarem acima da crueldade e do preconceito em nome dos valores mais genuinamente humanos.



Um tema forte escrito de forma leve e fácil de ler. Um livro que se lê muito rapidamente e que nos mostra o mundo através de uns olhos muito especiais. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Blog era para mim

Criei-o sem saber o que era a blogosfera e com a certeza de que teria para sempre uma página só minha, um diário onde eu só queria escrever. Não demorou muito a começarem a chegar pessoas, visitas, seguidores, comentários e eu surpreendia-me a cada momento. O Blog começou a crescer sem que eu fizesse nada para isso. Tentei sempre separar a Vera da Loira e as pessoas que conheciam ambas perceberam sempre muito bem isso. Apresentei o Blog a algumas das minhas pessoas e apresentei-me a algumas das pessoas do Blog. Algumas das minhas pessoas descobriram o meu blog e fui reconhecida por pessoas que só me tinham visto aqui. Um dia perguntaram-me se eu não era A Loira e eu disse que sim, sem raciocinar e sem pensar que a seguir vinha o "A Loira do Blog, das meias, da bicicleta...". Fartei-me de receber mails a explicar que me reconheceram nas fotos de uma maratona ou que passaram por mim enquanto eu estava a pedalar. Fartei-me de recusar pedidos de amizade no meu facebook pessoal por saber que os pedidos vinham de gente que só queria misturar a Vera e a Loira numa imagem que eu só queria separar. Ainda assim continuei a apresentar o Blog a algumas das minhas pessoas e continuei a apresentar-me a algumas pessoas do Blog, o Blog é como a vida, há regras que merecem excepção. Escrever, mostrar partes de mim, partilhar imagens, mostrar-me ao mundo através de um ecrã sempre fez sentido, mesmo nos momentos em que pensei desistir do Blog, e foram muitos. O Blog continua a ser descoberto por pessoas do meu mundo real e para as pessoas do Blog é cada vez mais fácil reconhecer-me.
O Blog era para mim, era só meu, mas agora parece que é cada vez mais do mundo e que já não consigo controlar isso. Escrever só me é possível sem pensar em ses e em quem vai ou poderá ler aquilo que escrevo, só me é possível se cada palavra sair de forma natural e se tanto aquilo que mostro como aquilo que escondo nas entrelinhas for espontâneo. Escrever é uma paixão que não consigo condicionar.
O Blog era para mim, era só meu, agora é do mundo, parece-me, mas não quero saber o que o mundo pensa, vou continuar a escrever aquilo que quero e quando quero, o Blog é para mim, é só meu. O mundo? O mundo que se foda. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Tempo de ver #4 - La La Land


Basicamente passei o filme deprimida, na primeira parte por ser estúpida e curiosa o suficiente para ter pago para estar ali a ver aquilo e a segunda parte porque em 15 ou 20 minutos o filme nos dá uma lição do caralho e nos deixa a pensar em tudo. Não achei um filme espectacular, achei que o final compensou a perda de tempo e o tédio que foi aquela primeira parte. Hoje estou a ouvir a banda sonora, que para mim foi das melhores coisas do filme. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

E porque hoje é dia 10


Um primeiro pequeno passo que me abriu um milhão de novos horizontes. 

Lido muito mal com as desistências

A primeira vez que fui andar de bicicleta para a montanha, ainda eu não sabia o que era uma bicicleta e não fazia a mais pequena ideia da transformação que este objecto ia fazer na minha vida, estava a chover. Fiz aqueles primeiros quilómetros debaixo de chuva e sujei-me muito na lama. O meu primeiro Caminho também foi marcado por uma tempestade inesquecível e por condições que só verdadeiros malucos se atreveriam a enfrentar. É impossível descrever e contabilizar os dias de chuva que já vivi a pedalar, os treinos, os passeios, as maratonas, as viagens que já fiz molhada, a lama que já tive de lavar da minha bicicleta, dos meus sapatos de encaixe, da minha roupa e do meu corpo. É impossível explicar a sensação do "vou mesmo assim", do "é para fazer", do "já estava marcado", do "sim, os planos são para manter", do "que se foda". É impossível dizer onde se vai buscar a coragem para sair de casa num dia de intempérie para a enfrentar de corpo e alma. Talvez seja o meu excesso de confiança, o meu excesso de perseverança, o meu excesso de loucura, mas acho sempre que nada me pode parar e que tudo é possível, sou sempre capaz de tudo, talvez seja tudo isso que me faz lidar muito mal com as desistências e olhar sem esperança para as pessoas que se amedrontam e desistem à primeira previsão de dificuldades. Eu? Desistir é impossível. E das raras vezes em que aconteceu precisei de mais coragem para desistir do que aquela que me seria necessária para seguir em frente. Por mim, vou mesmo assim, é para fazer, já estava marcado, os planos são para manter e que se foda, eu vou. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Como um cartaz de pantone

Não sou de ideias preconcebidas nem de ideais inabaláveis, mudo de opinião, mudo de rumo, o que é hoje pode não ser amanhã, nunca digo nunca e não compreendo o "desta água não beberei". Tenho princípios, tenho a minha personalidade, tenho os meus pensamentos, mas a vida muda, a vida muda-nos, a vida obriga-nos a malabarismos e a equilibrismos, a vida não é uma estrada recta e plana, a vida é curva e contracurva, a vida é feita de subidas e descidas, de trilhos técnicos e esburacados, de trialeiras e single tracks, de terreno duro e pesado. A vida não é preto e branco, a vida é feita de milhões de cores e eu escolho a cor e o tom que melhor me assenta para o dia que estou a viver. Invento-a, invento-me, encontro-me na mudança e na certeza que colorir a vida é a única forma que eu tenho de ser eu. 

Os meus livros #8 - A Quinta doa Animais (George Orwell)

SINOPSE
Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos.

À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais.



Há livros que todos deveriam ler, este é um deles. Um livro satírico, um livro sobre a manipulação da opinião. 

Os meus livros #7 - A Filha do Optimista (Eudora Welty)





SINOPSE

A Filha do Optimista conta-nos a história de Laurel Mckelva Hand, uma jovem mulher que abandonou o sul, regressando, anos depois, a Nova Orleães, onde seu pai está a morrer. Após a morte deste, Laurel e a sua provinciana madrasta regressam à pequena cidade no Mississípi onde Laurel havia crescido. Sozinha na sua antiga casa, Laurel chega a importantes conclusões sobre o seu passado, os seus pais e ela própria.


Este livro é a descrição da vida, mas acima de tudo da morte e do que resta depois dela. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Foi assim que aconteceu

Quase 50 km de lama, de areia e de água que me divertiram muito e que me fizeram chegar à meta de sorriso no rosto, de alma lavada, de coração cheio e de corpo imundo. É bom sujar-se, diz a publicidade, eu preciso de um patrocínio para dias assim, ou talvez de alguém que goste muito de lavar roupa, porque essa é mesmo a prova mais dura. Foi lindo, mas não façam isto em casa, ainda tenho areias nos olhos. 


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Reler-me #8

Era uma vez uma Loira

Quando comecei a pedalar no meio da montanha e por trilhos nunca antes imaginados por mim, miúda da cidade que achava que se podia ir de estrada para todo o lado e que não imaginava sequer que os locais mais fantásticos que viria a conhecer estão reservados só para alguns e nunca me seria possível chegar lá se não fosse a minha querida bicicleta, tinha a mania que era capaz de tudo.
Havia um charco de água para passar e lá vinham os rapazes, oferecer-se para me levar a bicicleta. Havia umas pedras para descer e lá vinham os rapazes perguntar-me se eu precisava de ajuda. Uma subida difícil e lá perguntavam eles se eu tinha força ou se queria que me fossem buscar a bicicleta. Aquilo irritava-me profundamente e eu respondia sempre o mesmo, que desculpassem, mas que se eu tinha trazido a bicicleta era eu que levava a bicicleta, no dia em que não pudesse com ela não vinha.
Certa vez chegou o dia de ir fazer o meu primeiro Raid da Lama e eu estava longe de imaginar o que aquilo era. Ainda nos primeiros quilómetros o Isidro, que me acompanhava, começou a oferecer-me ajuda a cada cinco minutos, dois metros de lama e lá perguntava ele, uma pedra escorregadia e lá perguntava ele, um charco de água e lá perguntava ele. Eu, que não queria ferir a sua boa vontade, inicialmente lá fui dizendo que não, que era capaz, depois ele começou a enervar-me, sempre a oferecer ajuda, até em locais completamente fáceis, tratava-me como se eu fosse uma menina e eu, do alto da minha falta de experiência lá lhe expliquei aquela história do, se eu trago a bicicleta, sou eu que a levo e blá... blá... blá... Uns quilómetros mais à frente havia um rio para passar, não era um rio qualquer, era um rio com muita profundidade e do lado não havia hipótese, eram pedras super altas e escorregadias, o Isidro passou o rio e ficou do lado de lá a olhar para mim, eu meti-me lá dentro com a água pela cintura e a bicicleta às costas, mas a corrente da água era tão forte que eu mal conseguia caminhar, a bicicleta magoava-me e eu não consegui sair dali, pelo menos facilmente, depois de um grande esforço e de quase ter morrido três vezes lá consegui. Entretanto, enquanto eu dava aquele espectáculo digno de um filme de comédia juntaram-se alguns esperadores masculinos, uns que perguntavam ao Isidro porque caralho ele não me ajudava e outros que queriam ajudar-me mas aos quais o Isidro dizia que não, que eu me safava muito bem sozinha. Quando, finalmente, consegui atravessar o rio começamos a pedalar e o Isidro explicou-me que não me ajudou porque eu trouxe a bicicleta e quero muito ser eu a levar a bicicleta e que blá... blá... blá...
E foi a partir desse dia, do meu primeiro Raid da Lama em que o Isidro me acompanhou que eu, miúda que continua com a mania de que é capaz de tudo, todas as vezes que me oferecem ajuda, faço um grande sorriso, agradeço e digo que não preciso, mas que se precisar eu peço.

Janeiro de 2016

Reler-me #7

Loira, a ambiciosa

Estou a fazer planos, adoro esta fase, é aqui que começam as viagens, quando se marca uma data, quando se decide uma rota, quando se combina com as pessoas, quando se criam expectativas, quando se contam os dias que faltam, quando se começa a ficar ansioso por partir, quando se começa a sonhar. Já disseram de mim que sou demasiado ambiciosa, talvez, em parte, isso possa ser verdade, talvez os meus planos sejam cada vez mais atrevidos e eu esteja cada vez mais ambiciosa. Nunca demasiado, uma vez que nunca voltei para trás, nunca desisti e nunca achei que não era capaz de cumprir um objectivo, de atingir uma meta. Talvez eu seja ambiciosa, talvez os meus planos possam parecer exagerados aos olhos dos outros, mas para mim não, para mim esta é a única maneira que conheço de realizar os sonhos. Ousar, arriscar, aventurar, são os verbos que se seguem.

Janeiro de 2016

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Reler-me #6

Enquanto vocês estão no quentinho dos vossos lares

Eu ando lá fora, a pedalar na montanha, à chuva, ao frio, ao vento, debaixo das intempéries mais violentas, enfrentando tempestades indescritíveis. Toda eu molhada, gelada, congelada, toda eu suja de lama, toda eu num estado lastimável aos olhos dos outros. Sofro sempre de uns segundos de hesitação, penso brevemente antes de sair no risco de ficar doente, mas sobre esses segundos não conto a ninguém, arrisco sempre e assim sou mais feliz. Quando estou lá em cima, na montanha, a encarar as perturbações atmosféricas mais violentas nunca me arrependo de ter ido, nunca me arrependo de arriscar, pelo contrário, se tivesse ficado em casa, sei, não correria tanto risco de ficar doente, mas estaria arrependida e infeliz. Lá em cima, na montanha, toda eu sou sol, toda eu sou calor, toda eu sou luz. Toda eu, mesmo que imunda de lama por fora, sigo caminho de alma lavada.

Janeiro de 2016

Reler-me #5

Histórias de vida

Contou-me que a grande paixão da vida dela são os livros. Há mais de vinte anos abriu a livraria com os seus próprios livros. Disse-me que eu, também apaixonada por livros, não consigo imaginar como é doloroso dar um preço a um livro nosso. Eu olhei-a com um misto de compreensão e de admiração, pensei em ficar mais um tempo, fiz perguntas, queria saber mais, queria dividir emoções e partilhar pormenores de uma paixão comum. Imaginei todos os livros que lhe pertenceram, todos os livros que lhe pertencem, todos os livros que já vendeu, todos os que já lhe passaram pelas mãos. Senti até um pouco de inveja, antes de perder o encanto, com a continuação da conversa. A grande paixão da vida dela são os livros, mas detesta ler. A grande paixão da vida dela são os livros, nunca leu nenhum.

Janeiro de 2015

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Quero sempre mais

Eu sou os filmes que vejo, a música que oiço, as conversas que tenho, os livros que leio, os textos que escrevo, as gargalhadas que dou, as montanhas que conquisto, os trilhos onde me aventuro, as fotos que guardo, os passos que caminho, as confidências que oiço e faço, os sonhos que imagino, os planos que nascem, as histórias que penso, o trabalho que produzo, as estradas que percorro, a casa que me acolhe, os amigos e as pessoas que amo, os caminhos que desbravo, os rascunhos que penso, as viagens que idealizo. Quero sempre mais. Invento-me todos os dias, porque só assim é que os dias e a vida me fazem sentido. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os meus livros #6 - Saber Perder (David Trueba)


SINOPSE

Sylvia cumpre dezasseis anos no dia em que começa este romance. Para celebrar o aniversário, organiza uma falsa festa que tem só um convidado. Horas depois, sofre um acidente que a levará a descobrir a complexa intensidade da vida adulta. Lorenzo, pai de Sylvia, é um homem divorciado que tenta esconder o vazio que o abandono da mulher e o fracasso no trabalho deixaram na sua vida. O desencanto e a frustração levam-no a ultrapassar fronteiras que nunca julgara possíveis. Ariel é um jovem jogador de futebol que deixa Buenos Aires para jogar numa equipa espanhola. Esmagado a princípio pelo frio anonimato da grande cidade, não tardará a ouvir o estádio entoar o seu nome em êxtase. Leandro, velho reformado, está numa fase da vida em que assiste a mais enterros do que nascimentos. Mas descobre para sua surpresa que ainda está em idade de ser tocado por uma fascinante obsessão.



Depois de Aberto toda a noite, do mesmo autor, esperava que Saber Perder causasse um pouco mais de impacto em mim. Todo o livro é uma constante e a história das personagens é completamente previsível. A grande lição do livro: "Para ser feliz é imprescindível saber perder". 

Os meus livros #5 - O Vinho da Solidão (Irène Némirovski)




SINOPSE

O Vinho da Solidão é um romance marcado pelos conflitos. Helène sente desde a infância a indiferença familiar, e o ódio que nutre pela mãe culmina com a sedução de Max, seu amante.




Viver triste desde sempre. Felizmente o final dá-nos uma esperança de mudança e de renovação. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Reler-me #4

Sinto-me um bocadinho escritora...

Não por ter demasiado orgulho naquilo que escrevo, muito menos por achar que escrevo bem. Esse orgulho existe momentaneamente quando faço a revisão do texto antes da publicação mas passa demasiado rápido, tão rápido que certas (muitas) coisas escritas no passado me parecem uma valente porcaria. Sinto-me um bocadinho escritora quando interrompo o trabalho ou abro o portátil à noite com a urgência que me surge no sentido da conjugação das palavras e dos pensamentos. Sinto-me um bocadinho escritora quando paro para apontar uma ideia, uma frase, um sentimento na agenda antes que me passe despercebido pela vida. Sinto-me um bocadinho escritora porque penso que é necessário ter uma visão e uma forma de vida diferentes, é necessário sentir o mundo numa outra perspectiva para conseguir transformar emoções, pensamentos e sentimentos em frases, que se formam não com as teclas, mas com o coração. Sinto-me um bocadinho escritora quando sonho através das palavras.

Janeiro de 2013

Reler-me #3

Coisas minhas... 

É engraçado como só sonho acordada. Muito raramente sonho enquanto durmo e quando acontece nem sequer me lembro do que sonhei, fico só com uma vaga ideia, uma lembrança não nítida, uma imagem e pouco mais. Acordada tenho tendência a viajar no tempo e no espaço. Sou criança, sou rainha, sou gigante, posso voar, posso correr, posso sobreviver, estou sozinha, estou no meio da multidão, estou tão perto, estou tão longe, longe demais para que me seja possível voltar, sou eu... Sonho sempre acordada, a cada dia, a cada momento, não paro de sonhar, sempre acordada...

Janeiro de 2012

sábado, 28 de janeiro de 2017

Reler-me #2

Deixem-se de tretas... 

A teoria é muito bonita, dá lindos textos, faz frases poéticas. Gosto realmente de uma boa conversa, do som e da entoação das vozes que fluem, da troca de ideias, gosto de promessas e de confissões. Gosto de ler com a alma, coisas que me tocam e que mexem no meu mundo, gosto de falar e de escrever sentimentos, puros e verdadeiros. Apesar de ser uma mulher das letras e palavras, não tenho boa memória para conversas e aquilo que vou lendo posso reler talvez uns anos mais tarde, mas já não me vai dizer o mesmo, já passou vida por mim, o sentido que lhe dou já é outro, a essência da conjugação já mudou em mim. As atitudes gerem a minha vida, uma prova, um acto, um gesto, um comportamento, arrebatam-me o coração, mudam-me o mundo, comovem-me o espírito, irremediavelmente, fazem com que queira sempre retribuir mais tarde, de forma ainda mais intensa. Uma atitude fica gravada para sempre nalgum recanto de mim...

Janeiro de 2012

Reler-me #1

A primeira coisa que faço é cheirá-lo...

Deixo-me envolver, fico curiosa, imagino histórias, invento o que virá a seguir, vejo os lugares e as pessoas, uma imagem nítida, vejo cada pormenor, como se estivesse ali, a observá-los de longe. Reparo no tom de pele, nos olhos, nos cabelos, na silhueta, no sorriso, nas marcas deixadas pelas histórias de vida. Vivo com eles os momentos e os sentimentos, quero sempre saber mais, descobrir mais, a página que se se segue na vida deles, naquela história que compartilham comigo. Levo-o comigo para todo o lado, acompanha-me, acompanho-o, nos sorrisos e nas gargalhadas, nas dúvidas e nas tristezas, nas paixões, nas viagens, nas aventuras, nas lágrimas. Choro tantas e tantas vezes com ele como se fosse meu amigo, na realidade é mesmo, torna-se um amigo, porque no final deixa sempre saudades pelo que me fez sentir e continuo a pensar nele durante dias e dias. Fica lá, na estante dos bons momentos e se foi importante para mim volta a acompanhar-me mais tarde, para recordar cada sentimento lido, vivido. Mas o melhor mesmo é cheirá-lo, cheiro-o vezes sem conta, não há cheiro melhor que o de um livro.

Janeiro de 2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Reler-me

Este blog tem mais de 7 anos. Como consegui alimentar e cuidar dele tanto tempo é uma incógnita para mim, que até os cactos deixo morrer à sede lá em casa. Abandonei-o de tempos a tempos, sempre por períodos indefinidos, por falta de tempo, de inspiração, de paciência, mas voltei sempre, volto sempre. Já pensei em desistir dele várias vezes, mas nunca consegui, gosto dele e de tudo aquilo que ele já me ofereceu, e foi tanto. Gosto de escrever e de ter pedaços em branco para preencher com bocados meus e do mundo aos meus olhos.
Ou porque alguém me fala num post que escrevi e do qual já não me lembro, ou porque preciso situar-me num tempo e sei ter escrito algo sobre isso, ou porque preciso rever um período da minha vida, dou por mim a voltar atrás muitas vezes, ao meu diário virtual, procurar o que escrevi e o que escondi nas entrelinhas. Procurar a diferença entre aquilo que fui e aquilo que sou. 
No início do ano decidi reler o meu blog, lentamente, saboreando aquilo que passou e aquilo vivi. Decidi em cada mês voltar aos mesmos meses de todos os anos que o blog passou comigo e estou neste momento a ler os meus Janeiros e a lembrar tudo o que escrevi para não esquecer.
Com isto dei por mim a seleccionar alguns textos para voltar a publicar, ou porque me continuam a fazer todo o sentido, ou porque são a lembrança de uma marca na minha vida. Reler-me é um exercício a que me propus. 

Obrigada querido vizinho

Em casa estou protegida da intempérie, são vários os dias que não percebo sequer se faz muito frio na rua e para saber se chove preciso levantar os estores e dar luz à casa, porque durante a noite não consigo ouvir a chuva a cair lá fora. Ou não conseguiria, se o meu vizinho não tivesse colocado uma pequena chapa de zinco por cima da janela dele. Por causa do meu vizinho agora posso estar no quentinho da cama e ouvir os pingos de chuva que caem lá fora, por causa do meu vizinho posso curtir o aconchego e aproveitar um dos sons que mais gosto no mundo. Ontem à noite e hoje pela manhã ouvi a chuva a bater na pequena chapa de zinco do meu vizinho como há muito não ouvia. Se um dia mudar de casa levo o meu vizinho comigo, ou arranjo outro que tenha uma pequena chapa de zinco para me fazer ouvir a intempérie. Que chova lá fora e que eu oiça a chuva a cair, porque quando oiço a chuva a cair sou muito mais feliz. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Chegou finalmente o dia em que não estou à espera de nada

As compras online são a minha perdição, pronto, está dito. Talvez este seja o primeiro passo da cura, admitir que isto ultrapassa o razoável. O segundo passo é confessar que este título está pensado há já algum tempo, mas que uma encomenda de meias que estava presa na alfândega vai para mais de 65 anos (sim, um dos pares é para o Tio Pipoco) me obrigou a adiar a publicação do mesmo. O terceiro passo será contar ao mundo que vivo sempre à espera de qualquer coisa. São livros, são meias, são equipamentos de BTT, são jerseys pirosos, são luvas fluorescentes, são óculos para pedalar, são prendas para os outros, são calções com almofadas no cu, são calças e casacos para o frio, são coletes para o vento e a chuva, é tudo o que tem a ver com as minhas grandes paixões.
Há um tempo atrás decidi deixar-me disso, acabar com as compras em excesso e depois de receber tudo aquilo que estava à espera poder finalmente dizer isto, que chegou o dia em que não espero mais nada. Acontece que a encomenda das meias demorou muito, imenso, e eu tive de comprar um pulsómetro, a prenda de aniversário da minha melhor amiga e até uma ou duas encomendas de livros, que já se sabe, com descontos são irresistíveis. Sem problema, chegou tudo entretanto e eu juro que chegaria o dia em que eu não estava à espera de nada, só faltavam as meias. Chegaram hoje e com elas o título, finalmente o dia em que não estou à espera de nada, título esse que faria todo o sentido se eu tivesse resistido a comprar aquele jersey piroso igual ao colete, aquelas luvas para oferecer ao Sousa, aqueles dois pares de óculos pindéricos e se hoje pela manhã eu não tivesse clicado naquele botãozinho que diz "confirmar encomenda" no site da wook. Foda-se, afinal ainda não chegou o dia em que eu não estou à espera de nada. Mas chegará, eu juro que chegará, deixem-me só receber tudo o que vem a caminho e... 

Home sweet home

Passei algum tempo sem tecto, sem lar. Tinha uma casa para onde voltar ao fim do dia, mas não me sentia em casa. Sentir-se em casa é uma das melhores sensações que conheço, o nosso espaço, as nossas coisas, o nosso aconchego, o nosso mundo. Sentir-me em casa arranca-me sorrisos todos os dias, agora. Sentir-me em casa faz-me muito feliz, ainda que dizê-lo possa parecer estranho a quem sempre teve esse privilégio. Sentir-me em casa é como receber um abraço de cada vez que meto a chave na fechadura e a rodo para entrar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Tempo de escrever

Ando, nos últimos tempos, mais inspirada do que nunca, ou para ser mais verdadeira, tão inspirada como há muito não me via. As ideias, as frases e os temas sobre os quais quero escrever surgem-me à velocidade da luz, aponto tudo no meu caderno da inspiração que está sempre por perto, para que não me falhe nada, para que não se perca nenhum pensamento, nenhuma ideia nova, luminosa, peregrina. O caderno tem infinitas reflexões, talvez nunca venha a escrever sobre grande parte delas, mas apontar cada uma delas é um exercício de paixão para mim. O caderno está cada vez mais rico, repleto, abundante, gordo, redondo, grávido, prenhe, farto, saturado de rascunhos que nunca vêem a luz do ecrã, que nunca sentem o som das teclas. Preciso de tempo. Tempo só nosso, meu e das letras. Tempo para riscar, escrever novamente, ler os pensamentos mais antigos, passar ideias para textos, tempo para escrever. Não chega a inspiração, não chegam os mil pensamentos e as ideias que nunca mais acabam, não chega olhar para o mundo com olhos de passar aquilo que vemos para palavras, frases, parágrafos, textos, escrever exige momentos só nossos, eu e as palavras. Exige uma concentração diferente, como se o mundo deixasse de existir por uns minutos e tudo fosse  descritível, conjugável, é desses minutos que preciso todos os dias, do meu tempo de escrever. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os meus livros #4 - A invenção do amor (José Ovejero)

SINOPSE
Uma história de amor inventado, absolutamente real. Do seu terraço, Samuel observa a agitação quotidiana de Madrid, repetindo para si próprio que tudo está bem. Sobreviveu aos quarenta, a "idade maldita", não tem filhos, e as mulheres entram e saem da sua vida sem nunca pronunciarem as palavras "para sempre". Uma madrugada, alguém lhe comunica por telefone que Clara, sua ex-namorada, morreu num acidente. De ressaca, Samuel é incapaz de explicar que não conhece nenhuma Clara. Impelido por um misto de curiosidade e enfado, decide ir ao velório. É então que, fascinado pela possibilidade de usurpar a identidade da pessoa com quem o confundem, Samuel ficciona uma história de amor com Clara, que vai partilhando com Carina, a irmã desta.
Samuel vê nesse jogo de ilusões a possibilidade de reinventar a sua existência e sentir-se vivo, por fim. À medida que a memória de Clara vai ganhando verdadeira forma na sua cabeça, vai crescendo também a atracção que sente por Carina - e Samuel começa a perder o controlo do jogo que criou. Irá o amor que inventou ser a sua salvação ou a sua perdição?


O livro que nos deixa 3 questões. Queremos mesmo a vida que vivemos e que aparentemente é aquela que escolhemos? É possível inventar uma nova vida a partir de um facto? E ainda, a questão que nos deixa em aberto o final do livro e que na minha opinião cabe a cada leitor decidir e inventar. 

Tempo de ver #3 - Collateral Beauty



Completamente sem sentido

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Síndrome de leitora compulsiva

Ainda o filme não ia a meio e já eu lhe adivinhava o final. Bastou-me uma frase para perceber tudo aquilo que era suposto ocultar até aos últimos minutos da história. Na grande cena que anunciava o inesperado ouviram-se por toda a sala murmúrios de admiração. Para mim já não era novidade. Como é que sabias? Perguntou-me a minha amiga. E eu lá lhe expliquei quando e como percebi tudo. Como é que a mim passou despercebido enquanto que a ti não? Perguntou-me ela novamente. E eu fiquei a pensar nas histórias, nas personagens, nos locais, na forma de analisar o que leio, nos pormenores desde a primeira página que vão fazer todo o sentido até à última, nas páginas de leituras que inundam os meus dias e respondi, síndrome de leitora compulsiva. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

É tão bom fazer sofrer quem nos fez sofrer a nós, não é? (inserir gargalhada maléfica)

Corria o início do longínquo ano de 2016, logo nos seus primeiros dias e a Su começou a enviar-me mensagens sobre a minha prenda de aniversário. Para o meu aniversário faltavam cerca de 45 dias e as várias mensagens por dia faziam-me adivinhar que não ia ser nada fácil lá chegar. No telemóvel, no messenger ou no email, que nós temos de estar sempre em sintonia e às vezes até conseguimos estar a falar de várias coisas ao mesmo tempo nos vários sítios que nos permitem fazê-lo, o assunto nunca ficava esquecido. E a prenda de aniversário que pensei para ti? E a tua prenda?  Tou tão ansiosa que abras a tua prenda. Pedi ajuda a uma pessoa para fazer a tua prenda. E a tua prenda? E a tua prenda? E a tua prenda? Vais desmaiar quando abrires a tua prenda.
Não feliz por infernizar a minha vida durante tanto tempo ainda enviou a prenda com vários dias de antecedência para que eu a tivesse em casa, a olhar para mim, sem lhe poder tocar e sem conseguir adivinhar o que estaria ali, dentro do misterioso embrulho. A espera compensou, a prenda era a minha cara, ou melhor, a cara do blog.
A vingança é um prato que se serve frio, que é mais ou menos como quem diz, por o retorno é que a Su não esperava. E nem estou a falar do aniversário dela e da pressão psicológica que poderia ter feito com a prenda que lhe comprei. Corria o passado mês de Outubro quando eu lhe disse que pretendia comprar um determinado livro e a Su foi obrigada a dizer-me que o Pai Natal já estava a ficar fodido comigo porque esse livro já estava em casa dela como parte da minha prenda de Natal. Não pensem que ainda assim escapei, com a outra parte da prenda também não foi fácil aguentar a ansiedade da Su, o que é compreensível, foi só uma das coisas mais especiais de sempre. Ora, neste momento falta cerca de 1 mês para o meu aniversário e ontem disse à Su que não ia comprar livros, que tenho imensos para ler, que bla... bla... bla... só ia mesmo comprar um, porque era o livro que eu queria mesmo e porque tinha de o ter e... tcharan... a Su já tem esse livro para o meu aniversário. O que quer dizer que depois de a Su me fazer sofrer tanto chegou a minha vez de a fazer sofrer a ela e adivinhar duas prendas consecutivas. Ela insultou-me um bom bocado e eu ri às gargalhadas, com a certeza de que no meu aniversário vou receber exactamente o livro que eu quero.
A amizade talvez seja capaz de ser isto, fazer sofrer um bocadinho uma à outra e saber sempre aquilo que é importante e especial. 

Os meus livros #3 - Filho de Deus (Cormac McCarthy)



SINOPSE


Filho de Deus é a história de Lester Ballard, um solitário homem rural que foi afastado das suas terras. Psicologicamente desequilibrado, mas dotado de uma imaginação fértil, cruel e pervertida, deambula pelos montanhosos domínios do Tennessee.




Conheci Corman McCarthy quando li A Estrada, livro que nunca mais consegui esquecer e que me vai ficar para sempre na alma. Corman McCarthy consegue mostrar-nos aquilo que temos de mais humano e de mais desumano, assim como os instintos de sobrevivência que criamos quando nos tiram do nosso habitat natural ou os instintos primitivos com que crescemos, quando somos privados de educação e de uma sociedade. Quero ler todos os livros de Cormac McCarthy. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Consegues vê-lo?

Do topo da montanha olhas para o infinito que não te cabe na alma. Quem nunca conquistou a montanha não é capaz de ver isto de que vos falo. São sítios únicos que estão lá para nós, são lugares que cantam músicas que nunca foram ouvidas, que contam histórias que nunca foram partilhadas, que preenchem textos que nunca foram escritos, são enquadramentos perfeitos. O topo da montanha ocupa-nos o peito, o coração, o corpo, a alma, os sonhos. Mostra-nos as cores que nunca vimos, os caminhos que desconhecíamos, as palavras que nunca dissemos, o chão que nunca pisamos, os trilhos por onde nunca nos aventuramos. No topo da montanha vivemos momentos únicos e inesquecíveis que queremos guardar para sempre, são abraços de vento, são vontades. 


Do topo da montanha olhas para o infinito que não te cabe na alma. Consegues vê-lo?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Fashion mais fashion não há

Mami adora preto, branco e cinzento e elogia sempre qualquer peça ou combinação que eu tenha ou faça com essas cores. Desengane-se quem pensar que são elogios de mãe, ninguém melhor que a minha para dizer que aquela saia me faz mais gorda dez quilos, que aquelas calças são horrorosas, que não sabe onde raio fui arranjar um vestido tão feio, que não percebe porque é que sempre que saio com ela tenho de ir mal vestida. Hoje estou a usar um casaco de pêlos com as cores favoritas da minha mãe e o elogio não tardou a chegar, que estou tão linda, que me fica mesmo muito bem, que estou tão fofinha, que adora o meu casaco. E quando já eu ia à minha vida, agradecendo os elogios e feliz, a desfilar a minha vaidade, diz o papito que sim senhor, que estou linda, tão linda que mais pareço um texugo. 


Por favor, mandem-me contactos de associações de apoio à vitima de violência psicológica por parte dos progenitores.

A lebre e a tartaruga

Sigo caminho sem pressas nem ansiedade de chegar, aproveito cada bocadinho de chão, paro para olhar e desfrutar da paisagem, observo o que me rodeia, sinto e distingo os cheiros que a caminhada me oferece, guardo lembranças na alma que vão ficar para sempre, respiro fundo enquanto observo o céu e o infinito, experimento sensações nunca antes conhecidas, sinto na pele a brisa de que necessito, tento conhecer de cor o mundo que é só meu, tento absorver cada gota daquilo que me proporciona este caminho. Um passo de cada vez e sigo para bem longe, sem saber ainda onde me leva este trilho, uma grande caminhada começa sempre por um pequeno passo, cada pequeno passo me aproxima mais do horizonte. Caminho devagar, mas nunca volto para trás.

A lebre não passou primeiro a linha da meta e toda a gente sabe que quem mais aproveitou o caminho foi a tartaruga.