quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mais um post daqueles em que estou a escrever sobre uma coisa mas estou a falar de outra. As entrelinhas, é preciso ler nas entrelinhas.

Tenho um sentido de orientação péssimo, principalmente quando ando no monte. Há quem conheça o monte como a palma das suas mãos, já eu tenho uma memória tipo peixe de aquário, é sempre tudo novo para mim, mesmo quando estou perto de casa, nos trilhos que costumo percorrer tantas e tantas vezes. Acontece-me muitas vezes saber mais ou menos onde estou, saber que no cima daquela subida há uma raiz onde já escorreguei, saber que a seguir vem uma descida cheia de pedras, mas não saber como lá chegar nem como vir embora. Por isso é que pedalar sozinha pode ser perigoso. Às vezes o trilho divide-se em dois, voltar para trás já não é possível, a opção é escolher uma das duas alternativas. Pedalar a dois trás mais vantagens, é mais seguro seguir um trilho desconhecido com uma roda a proteger a nossa, é mais fácil admitir que possivelmente a outra alternativa fosse a melhor quando temos companhia, é muito mais fácil levantar depois de uma queda se tivermos uma mão a ajudar. É muito melhor seguir caminho com companhia, somos mais fortes, somos capazes de tudo. Pedalar a dois é mesmo muito melhor. E se nos perdermos, a dois há-de ser mais fácil encontrar a alternativa para chegar novamente ao conforto da nossa casa.

É muito provável que a partir de hoje este blog passe a estar repleto de citações fofinhas, românticas e apaixonadas



Chegou hoje. Fujam, nunca mais vão conseguir aturar-me. 

Não sei se estão recordados mas um destes dias fiquei sem uma peça de roupa interior e a minha vida a partir dali foi esperar ansiosamente pelo dia em que a mesma me fosse devolvida via elevador



Ontem foi o dia. Não me perguntem mais nada. Não se preocupem comigo. Eu hei-de ficar bem. Isto com um Xanax e uns anos de terapia intensiva há-de passar. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Oração ao espelho nosso (actualização de última hora, vocês sabem, eu gosto de estar sempre actualizada)

Aqui não há quem viva - versão da Loira

Sexta-feira, feriado, 25 de Abril, 8:30 H da manhã toca a campainha, é a administradora do condomínio com um trolha, de escadote e lata de tinta na mão para pintar uma mancha de uma infiltração que está lá desde o ano passado, não é por nada, mas podiam ter vindo mais cedo. Voltam por volta das 11:00 H e depois às 17.30 H. Sexta-feira, feriado, 25 de Abril, limpei a cozinha 6 vezes, 6 vezes. Antes de sair a administradora do condomínio (posso dizer-vos desde já que a adoro) ainda me disse que a vizinha de baixo ouve movimentações vindas do meu apartamento, a sério, movimentações, alguém me explica o que caralho são movimentações?

Bikipédia - 1

Este é e sempre será um blog pessoal, o meu diário. No entanto passo parte da minha vida ao pedal e como consequência grande parte dos posts deste blog falam de bicicletas, uma das minhas grandes paixões. Por isto tenho cada vez mais leitores que também pedalam, recebo cada vez mais e-mails a perguntar que bicicleta devem comprar, e comentários com algumas perguntas mais técnicas. Não sei tudo sobre bicicletas mas mais de quatro anos a pedalar já me fazem saber algumas coisas, por isso vou iniciar a Bikipédia, que não passa de pequenos ensinamentos ou troca de ideias que podem ajudar tanto quem já pedala como quem está a dar as primeiras pedaladas. Quem sabe não vos consigo incentivar e em vez de sumos manhosos pela manhã não começam a pegar numa bicicleta.


Em primeiro lugar quero dizer-vos que se vão sair para pedalar, sejam 3 ou 300 km, seja no monte, em estrada, em pista ou até no vosso jardim, nunca saiam sem um capacete. Vejo muitas pessoas a pedalar sem capacete e isso é preocupante, qualquer queda, por muito pequena que seja pode tornar-se muito grave se não estivermos a usar o capacete. Por isso já sabem, usem SEMPRE um capacete, protejam sempre as vossas ideias.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Analogia...

Quando cheguei de percorrer o meu caminho fiz uma comparação entre O Caminho e a vida, foi exactamente assim que o senti enquanto o estava a percorrer, como a vida, uma pequena etapa que pode resumir uma vida inteira. Ainda tenho muito para escrever sobre isso, as emoções ainda continuam ao rubro, lembro cada vez mais de pormenores, de pessoas, de locais, de momentos, acho engraçado como nos primeiros tempos lembrava O Caminho como algo que sonhei e não algo que efectivamente vivi, só com o passar do tempo é que comecei a assimilar tudo o que vivi naqueles dias. Quando cheguei a casa naquele dia, cansada, emocionada, feliz, radiante, fiz uma comparação entre O Caminho e a vida, ainda sem saber que a vida iria provar-me que eu, naquele dia, enquanto escrevia com o coração estava certíssima. O Caminho já me fez perder pessoas, não aquele Caminho em particular mas um Caminho com o mesmo destino, um Caminho com sentimento idêntico, quando isso aconteceu fiquei muito triste, agora sei que o Caminho só nos deixa perder o peso que vai a mais nas nossas mochilas, no Caminho, como na vida, as pessoas essenciais ficam para sempre, todas as que ficam pelo caminho são absolutamente dispensáveis. Felizmente aprendi isso a tempo, estou disposta a perder tudo aquilo que me pesa na minha mochila.

E além disso foram os anos do Zé.

Houve uma altura na minha vida em que detestava a chuva, enchia-me a cabeça de caracóis e apanhar uns pingos de chuva era a coisa mais horrível que me podia acontecer. Depois comecei a andar de bicicleta e a liberdade que me dava fazê-lo à chuva começou a ser das melhores coisas que eu podia sentir. Pedalar à chuva lava-nos a alma, disse eu um dia. Há muito tempo que não o fazia mas no passado sábado pedalei à chuva praticamente todo o dia e não há frio, não há lama, não há roupa suja que estraguem a sensação tão boa que me provoca os pingos de chuva a bater na cara, o cabelo molhado sem preocupações, o cheiro a terra molhada, a superação de subir uma montanha e quase tocar nas nuvens, é uma sensação tal de liberdade que além de nos lavar a alma nos faz sentir outra vez crianças. Há dias em que penso que sou uma intrusa na montanha, mas não, a montanha é a minha casa. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ouvi dizer que mostrar cozinhas para além de inspirador é sucesso garantido


Esta é a minha. A fruta está ali porque achei que a mesa vazia ficava mal, as refeições ficam sempre uma nheca, não tenho sementes em casa e não bebo aqueles sumos manhosos. Além disso queria mostrar os morangos que a mãe do Moreno me mandou. Como podem comprovar cá em casa fazemos sempre as refeições muito bem acompanhados. Posso garantir-vos que a dois é muito bom mas a quatro é espectacular. 

Estou com 1 mês de atraso...

E não, não é caso de gravidez. Estou com 1 mês de atraso no trabalho, o que quer dizer que para conseguir colocar os papéis todos em dia precisava de 1 mês suplementar no calendário, agora entre o final de Abril e o Maio. Arranja-se? É que se não for isso ou fico (ainda mais) louca ou começo a trabalhar 20 horas por dia o que dá, obviamente, em loucura.

Ela não anda... ela pedala...


Eu sei... eu sei... as outras desfilam, mas pedalar é muito melhor.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

No dia do livro um post sobre O livro que me fez gostar de ler

Era de leitura escolar obrigatória e só por isso detestei-o desde o primeiro minuto, era enorme, aquelas páginas pareciam-me intermináveis. Coloquei-o de lado, talvez me apetecesse ler alguns dias depois, talvez me apetecesse procurar resumos como os meus colegas andavam a fazer. Calhou que por essa altura parti o pé e calhou mais ainda de serem as férias da Páscoa, calhou de ter de passar duas semanas praticamente sem me mexer e calhou de ter o tal livro, ali de lado, para o dia em que me apetecesse. Depois de começar a ler já não consegui parar, já tinha lido alguns livros mas nenhum que me apaixonasse tanto como aquele, lembro-me de ficar entusiasmada com a história, com a escrita, lembro-me de me apaixonar e lembro-me depois de contar cada pormenor ainda de brilho no olhar aos meus colegas, os tais que andavam a procurar resumos. Uns meses mais tarde percorri os recantos onde se passava a história do livro ainda apaixonada e apaixonada voltei a ler cada página. A paixão com que respondi às perguntas sobre o livro valeu-me um 19 num exame nacional de Português. Foi Os Maias de Eça de Queiroz o livro que me fez apaixonar por todos os livros que se seguiram.

Despertador de sentimentos:

O Cheiro...

Tenho de confessar uma coisa, eu também já fui blogger profissional.

A sério, acreditem ou não já vivi do blog. Foi no tempo da maldita insolvência, o tribunal decretou que os funcionários continuavam na firma até o processo estar concluído, mesmo sem ter um caralho para fazer. Foi pouco tempo depois de ter começado o meu Blog e foram tempos muito difíceis, tinha um escritório, internet ilimitada, um Blog para preencher e assim passava os meus dias, no fim do mês recebia um ordenado e nem tinha que fazer posts com publicidades manhosas. Depois acabou essa fase, comecei a trabalhar num emprego a sério e fui a Loira mais feliz de toda a blogosfera, ser blogger profissional não era para mim, apesar de não ter de fazer as tais publicidades manhosas.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A minha vida sobre rodas.

O ano passado por esta altura estava obcecada com os km, com as cadências, com os batimentos cardíacos, estava a preparar-me para O Caminho e queria treinar, treinar, treinar. Agora sei que não era necessário tantos treinos e tanta preparação mas na altura isso fez-me sentir mais segura e ajudou-me imenso. Já antes dessa fase controlava os km, os tempos, queria participar em todas as maratonas possíveis e andar de bicicleta era acima de tudo um desporto. Nesta altura acho que aproveito mais a vida nesse sentido, aquilo que tenho feito e que quero continuar a fazer é passear de bicicleta. Deixei de controlar os km, os tempos, deixei de me preocupar em chegar mais depressa ou não. Tenho aproveitado mais cada passeio e tenho acima de tudo vivido a vida sobre rodas com muito mais felicidade. É preciso ter uma visão especial para reparar naquilo que nos rodeia, é preciso parar para respirar a paisagem.

domingo, 20 de abril de 2014

sábado, 19 de abril de 2014

Recordações

Durante O Caminho levantei-me sempre muito cedo, quando ficava nos albergues acordava com os caminhantes, quando ficava em hotéis também tínhamos que partir bem cedo. Os caminhantes levantam-se ainda de madrugada, caminham na maioria das vezes só até meio do dia, depois ficam a descansar e voltam a começar na madrugada seguinte. Na noite em que pernoitei em Puente la Reina O Caminho ficava na rua do hotel, nunca mais esqueci essa manhã, acordei bem cedo sem despertador nem ajudas externas e fiquei ali a aproveitar uns momentos mais, na rua os caminhantes passavam silenciosos e eu ouvia-lhes somente os cajados, a bater na calçada, com a determinação e a coragem que são necessárias para partir em autonomia. Aquele som dos cajados naquela manhã nunca mais me saiu da cabeça, ainda acordo às vezes a pensar neles, para mim aquele será para sempre o som dO Caminho. 


Ainda não sei explicar o porquê, talvez seja necessário percorrer O Caminho mil vezes para saber, talvez nunca seja capaz, ainda que o percorra mil e uma vezes, mas ninguém termina O Caminho da mesma forma que começou, há naquele chão alguma coisa que nos muda para sempre.


(o meu colega imortalizou aquele momento com esta fota, tirada da janela do nosso quarto, agradeço-lhe eternamente)