terça-feira, 10 de outubro de 2017

Na maratona (e na vida)

Muito mais do que treino e preparação física, para chegar ao fim da maratona é necessário força e capacidade psicológica. A meta fica mais perto e mais fácil de alcançar se partirmos com determinação e acreditarmos que somos capazes de tudo. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Sorri Julieta, é para a Internet

Julieta foi abandonada no monte quando nasceu, ela e mais cinco irmãos, dois gatinhos e três gatinhas, ficaram por lá uns dias até serem encontrados e entretanto ficaram doentes, todos apanharam coriza, para a qual foram medicados assim que chegaram à associação que os acolheu. Julieta tomou um antibiótico com o qual melhorou, mas uns dias depois a doença foi mais forte do que ela e voltou. Julieta tomou mais um antibiótico, ficou melhor, mas com a mudança cá para casa e a separação dos irmãos a doença acabou por vencer mais uma vez. Julieta teve então de ser novamente medicada para a coriza e tanta medicação começou a fazer o corpo dela ceder, mais medicação para os intestinos e entretanto mais medicação para a coriza, porque o corpo dela rejeitou os três tratamentos anteriores e a doença acabou sempre por voltar. Na última consulta a veterinária disse que vamos tentar esta última medicação e ver se o corpo dela, tão pequenino, a consegue aceitar e suportar. Julieta ainda não tem dois meses de vida e neste tão pouco tempo ainda não sabe o que é estar saudável, só avistar a medicação já a faz entrar em pânico, mas apesar disso Julieta está muito feliz, é muito meiga e muito louca e eu... bem... eu estou completamente apaixonada por esta coisinha pequena.

Sorri Julieta, nós as duas sabemos que vai correr tudo bem. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Os meus livros #29 - Milagre (R. J. Palacio)



SINOPSE


August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola. Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Não me roubem o Outono

Continuo a vestir-me de roupa leve e clara, as janelas continuam abertas e o sol entra radioso pela manhã, durante a noite empurro a roupa da cama que me parece demasiado quente, o calor ainda me queima a pele, no ar ainda cheira a flores e no fim da pista ainda há coelhos pacientemente à espera que eu passe. Podia jurar que estamos no pico da Primavera, não fosse o calendário aberto em cima da mesa. Não me roubem o Outono. O Outono é meu. É meu e tem folhas coloridas pelo chão e árvores despidas. É meu e tem manhãs frescas e noites frias. É meu e tem roupas quentes e botas. É meu e tem dias cinzentos e chuviscos. É meu e tem horas quentes depois de almoço que apetecem aproveitar numa esplanada sem sombras. É meu e tem cheiro a uvas maduras nos campos e a castanhas assadas na cidade. É meu e tem dióspiros com canela. É meu e tem manta e chá quente num sofá de abraços. É meu e tem trilhos com lama para me aventurar. É meu e tem chuva a bater na janela numa manhã de sábado, quando posso virar para o lado, cobrir-me bem e aproveitar para ficar cá dentro. Não me roubem o Outono. O Outono é meu. É meu e tem de ser Outono.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Loira, a inspirada

Abri a página em branco para escrever, mas não fui capaz, aconteceu várias vezes, fiquei aqui a olhar para o ecrã vazio à espera de preencher com bocados meus, não saiu nada, não havia nada para dizer, nada para contar, nada para escrever. Fechei a página em branco e desisti. Fui pedalar. Regressei com uma lista de ideias, coisas para fazer, coisas para viver, coisas para escrever. Tantas coisas para escrever que a primeira coisa que fiz assim que entrei em casa foi apontar tudo, como se a inspiração fosse preciosa, porque é provável que seja mesmo, inspirada sou muito mais feliz. Pedalar inspira-me, mesmo quando a vida não é inspiradora. 

domingo, 1 de outubro de 2017

Reler-me #42

A máquina de fazer ciclistas

Não sei se já viram alguma prova de ciclismo, não sei se acompanham a modalidade ou se entre a mudança de um canal para outro já pararam por algum tempo numa reportagem sobre uma volta, uma maratona de BTT ou uma competição em pista, enfim, sobre esta gente que pedala e de que eu me pergunto sempre de que é feito. Sim, de que é feito um ciclista? Já vi quedas que nem consigo descrever, ou através de um ecrã ou pessoalmente, já vi lesões de dar medo só de olhar, já me doeu a alma só de imaginar semelhante dor e já me doeu também a mim, quando fui eu a sentir no corpo o contacto com o chão. Se viram, se pararam durante cinco minutos para olhar para esta gente, terão com toda a certeza do mundo reparado que esta gente se levanta o mais rápido possível depois de uma queda e só pensa numa coisa, em continuar, em conseguir. Falo sobre isto com conhecimento de causa, falo sobre o que sinto na pele e posso dizer que quando pedalas só te sentes um verdadeiro ciclista quando atinges a tua meta, vás em competição ou em passeio, vás fazer 100 ou 10 km, vás sozinho ou no meio da multidão, a tua meta é a tua maior vitória, é a tua felicidade. Por isso um verdadeiro ciclista só desiste do que quer que seja se não tiver outra hipótese, por isso um verdadeiro ciclista só não se levanta disposto a montar novamente a bicicleta e a continuar se isso for humanamente impossível. Só te sentes um verdadeiro ciclista quando a dor de desistir de um objectivo ultrapassa a dor de continuar, de tentar. Não sei de que é feito um ciclista, não sei qual será a máquina que os prepara para isto, só sei que me sinto uma, e se em cima da bicicleta sou uma verdadeira ciclista, não vai ser na vida que vou ser uma jogadora de futebol. 

Agosto de 2015

sábado, 30 de setembro de 2017

Os meus livros #28 - Maria dos Canos Serrados (Ricardo Adolfo)

 


Sinopse


Maria dos Canos Serrados é a história de uma moça de má rês que se torna pior ainda. Arredores de Lisboa. Maria, vinte e muitos, adora a igualdade de liberdades, o seu namorado gigolô, as noites intoxicadas com as amigas e a ideia de vir a ser directora. Mas, de um dia para o outro, vê-se desamada, despedida e falida. E, entre resignar-se ou virar a mesa, Maria decide acertar contas de arma em punho. Contada de rajada na primeira pessoa, Maria dos Canos Serrados é uma história desbocada, nascida da Grande Crise. Uma reflexão sobre a nova mulher, que não precisa de um Clyde para ser Bonnie.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Isto só pode ser castigo divino

Tanto eu dizia que queria uma gata que me desse mimo em vez de me foder os sofás que acabou por me sair a gata mais mimalha do mundo. Eu a pensar que a tinha adoptado, afinal quem me adoptou foi ela. Entrou cá em casa e desde o primeiro minuto nunca mais me largou, persegue-me para todo o lado, não me larga os pés nem o colo, chora para pedir atenção e sempre que saio de casa faz um drama tão grande que mais parece que vai ficar sozinha para sempre, cobra-me sempre que regresso, num misto de alegria por me ter de volta com tristeza por ter a coragem de a deixar sozinha. Agora já vai comendo na minha ausência, mas nos primeiros dias nem disso era capaz. Desde que chegou nunca mais consegui ficar sozinha, nem na cozinha, nem na sala, nem na casa de banho, nem no quarto, anda colada a mim e até mesmo quando ligo aquele terrível monstro chamado aspirador só a consigo afastar uns metros, já que a esta altura do campeonato aquele outro monstro chamado secador de cabelo já não resulta para a afastar nem um milímetro. O melhor local do mundo, aparentemente situa-se entre a minha cara, o meu pescoço e o meu avantajado decote, já que retirá-la desse perímetro é uma obra muito dura. À noite dorme onde muito bem lhe apetece, tanto pode ser em cima das minhas costas como da minha cabeça, e de manhã acorda-me todos os dias a dançar o samba na minha cara. Estamos em tanta sintonia que, percebi recentemente, até o meu estado de espírito ela adopta para ela, se eu estou feliz ela também está, se eu estou triste ela fica solidária comigo. Pedi tanto uma gata mimalha que me saiu um carrapato para me fazer apaixonar, porque isto gente, isto são 600 gramas de amor. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ganhar é muito melhor do que ganhar.



Há muito tempo que não subia tanto e que não me divertia tanto a descer. Há muito tempo que não me sentia tão bem. Enfrentei as subidas com toda a força do mundo, do meu mundo, e fui subindo, subindo e subindo, até chegar ao topo, aos topos, ao cume, aos cumes. Depois de estar lá em cima puxei o rabo para trás e esqueci-me dos meus medos, desci sem pensar em cair e com toda a segurança do mundo, saltei pedras, passei regos, raízes e buracos, engoli o pó que o solo me oferecia, esqueci-me do resto do mundo, larguei os travões e aproveitei a velocidade e a adrenalida dos trilhos mais técnicos. Sujei a cara e voei, mais uma vez voei muito alto aqui, parece-me até que preciso vir aqui para relembrar a mim mesma o quão bom é o vôo dos loucos. O Outono renova-me sempre e a primeira maratona de Outono também, o Outono renova-me a alma e a vida, a maratona renova-me ano após ano a loucura. Fui rápida, fui muito rápida, mas não segui caminho, esperei sempre por quem me acompanhava e precisava de incentivo e chegar à meta em conjunto foi muito bom para mim. Não sei em que lugar fiquei e nem o tempo oficial que fiz, sei que ganhei muito aqui e que cheguei à meta mais feliz do que se tivesse feito pódio. Ganhar é muito melhor do que ganhar.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Loira no país das montanhas


O meu território natural é la em cima, num cume qualquer, alcançado somente com a minha energia e a minha paixão, entre o azul do céu e o verde da paisagem, a sujar a cara de pó ou de lama, a sentir o sol na pele ou a chuva no rosto, a enfrentar  um calor intenso ou um frio inexplicável. Nas montanhas sinto-me em casa. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Lá haveria de chegar o dia deste blog ter um daqueles posts com gatinhos fofinhos e corações

Pessoas, esta é a Julieta. Julieta, estas são as pessoas.


Esta casa tem uma Loira, duas bicicletas, muitos livros, dois blogues e agora também uma gatinha. Estamos muito felizes e apaixonadas. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Reler-me #41

Haverá coisa mais sexy?

Vesti hoje umas calças brancas que adoro por um motivo muito especial, talvez um dia destes lhes dedique um post só para elas. Tenho um top de um azul lindíssimo, cheio de preguinhas, que aposto, terão um nome técnico qualquer para o mundo da moda, mas para mim são só preguinhas. Do mesmo tom de azul uso umas sandálias de salto pelas quais me apaixonei no inicio do verão. Tenho uma mala de um tom prateado, tão lindo que nem o consigo descrever. Uso os acessórios ideais para a roupa que escolhi. As unhas estão impecáveis e brancas, a maquilhagem perfeita e o cabelo também está num dia sim. Nos braços desnudos trago, além das marcas do sol, os arranhões que fiz ontem lá em cima na montanha. A descida era técnica e muito divertida, a vegetação está seca do sol, as silvas e o mato estão mais agressivos que nunca. Entre proteger-me dos arranhões e aproveitar as descidas escolho sempre aproveitar as descidas. Hoje trago os braços cobertos de arranhões vermelhos e feios e o meu melhor sorriso. Haverá coisa mais sexy que a felicidade de assumir as marcas da nossa loucura?

Julho de 2016

sábado, 23 de setembro de 2017

Os meus livros #27 - Puta que pariu o amor (Lady Mustache)




Sinopse


Tentando desvendar os mistérios do amor, temos o mórbido prazer de lançar uns cépticos raios no dia mais meloso do ano. Quando a alma de um camionista se apodera do corpo de uma princesa, dá uma Lady Mustache. E quando essa mesma alma de camionista dá boleia a uma outra alminha penada, junta-se uma Sara-a-dias. Unidas, preparam-se para agitar o dia dos namorados. Este livro irá colocar à prova qualquer relação.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lá haveria de chegar o dia deste blog ter um daqueles posts de salsichas ao sol


Bye Bye Summer. Eu, que sou muito mais de Outono, não posso deixar de agradecer as marcas que me tens deixado na pele e na alma.