quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

(Re)Post, que é mais ou menos como quem diz: nunca percas a essência Loira

Não sei viver de não respostas. Eu sou tudo ou nada, não sei viver de bocadinhos. Eu sou sim ou não, não sei viver de  mais ou menos. Quando gosto, amo, quando não gosto, é-me completamente indiferente. Não sei viver no meio termo. Na vida, ou estou a subir ou a descer, o plano não me satisfaz. Ou é 100% certo ou não quero, não sei viver de probabilidades. Ou vou até ao fim ou não quero começar, não sei viver de meios caminhos. Ou me atiro de cabeça ao abismo ou fico cá em cima a contemplar a paisagem, não sei viver de descidas controladas. Não sei fingir. Não sei dizer que sim quando a resposta é não e não digo talvez quando a resposta é sim. Não viro para a direita quando sei que a direcção que quero seguir é para a esquerda. Não faço fretes a ninguém. Não sei disfarçar estados de alma nem sentimentos. Sou sempre sincera, mesmo quando não o devia ser. Possivelmente não sei nada da vida, mas vivo-a como se tivesse todas as certezas do mundo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Sempre fui apaixonada por comboios

Por estações, por linhas que ligam lugares, por pessoas que esperam ansiosas e pelos que partem atrasados, enquanto olham para o relógio. Um dos sítios mais especiais para estar é numa estação, gosto de tudo por lá. Não há nada como viver na linha e tentar um equilíbrio quase impossível. Não há nada como descobrir as ligações possíveis, os lugares impensáveis onde a linha nos pode levar.


Uma grande viagem começa sempre com um pequeno passo. Uma grande viagem começa sempre com um bilhete só de ida. A vida só me faz sentido em movimento.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Os meus Livros #10 - O Homem que gostava de Cães (Leonard Padura)

Sinopse 

Em 2004, com a morte da mulher, Iván, um aspirante a escritor, relembra um episódio que lhe aconteceu em 1977, quando conheceu um homem enigmático que passeava pela praia acompanhado de dois galgos russos.

Após vários encontros, «o homem que gostava de cães» começou a confidenciar-lhe relatos singulares sobre o assassino de Trótski, Ramón Mercader, de quem conhecia pormenores muito íntimos. Graças a essas confidências, Iván irá reconstituir a trajetória de Liev Davídovitch Bronstein, mais conhecido por Trótski, e de Ramón Mercader, e de como se tornaram em vítima e verdugo de um dos crimes mais reveladores do século XX.

Através de uma escrita poderosa sobre duas testemunhas ambíguas e convincentes, Leonardo Padura traça um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo sobre a utopia mais importante do século XX.




O livro que nos ensina História.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Os meus Livros #9 - Rapariga com brinco de Pérola (Tracy Chevalier)



Sinopse



No século XVII, em Delft, uma próspera cidade holandesa, tudo tinha uma ordem pré-estabelecida. Ricos e pobres, católicos e protestantes, patrões e criados, todos sabiam o seu lugar. Quando Griet foi trabalhar na casa do pintor Johannes Vermeer, pensou, por isso, que conhecia o seu papel: fazer a lida doméstica e tomar conta dos seis filhos do pintor. 
Ninguém esperava, porém, que as suas maneiras delicadas, a sua perspicácia e o fascínio demonstrado pelas pinturas do mestre a arrastariam inexoravelmente para o mundo dele.





Bom demais. Completamente surpreendente e viciante.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O melhor do pior, versão Loira

Fiquei, um destes dias, presa no elevador. Foram só uns minutos, mas aconteceu. O elevador fazia um barulho estranho, a tentar subir sem conseguir e não abria as portas. Eu comecei a rir às gargalhadas, tanto que não conseguia pensar no que fazer a seguir para sair dali. Mandei uma mensagem à minha melhor amiga a avisar a situação, presa no elevador e com ataque de riso. O elevador abriu entretanto e a resposta dela não tardou a chegar, um ataque de riso, perguntava-me ela se eu estava maluca. Não, não estava maluca, tinha comigo um livro, felizmente carrego sempre um comigo e por acaso tinha também a marmita que a minha mãe me mandou cheia de massa, nada de mal me podia acontecer a não ser faltar ao lanche de aniversário que tinha para esse dia, alguém havia de me conseguir tirar dali, por isso em vez de um ataque de pânico, é muito mais fácil ter um ataque de gargalhadas. O elevador abriu entretanto, talvez um dia destes volte a trancar-me para eu aproveitar o momento.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Foi assim que aconteceu, que é como quem diz: Tenho a mania que posso tudo, que é como quem diz: Meto-me em cada puta...

Depois de poucas horas de sono levantei-me sábado de manhã para percorrer com a minha bicicleta de estrada 92 km de novos horizontes, mesmo sabendo que a prova que tinha de superar no domingo não era nada fácil e que estar cansada não ajudava em nada.
Mais uma vez, depois de poucas horas de sono, levantei-me domingo de manhã para enfrentar o frio, a lama, os quilómetros, os desafios a que me propus e aqueles que surgiram durante o percurso. Afinal não estava cansada e fiz 50 quilómetros em terreno sem acumulado de subida, mas duro, com areia, pedras e buracos, muitas pessoas pelo caminho, singletracks espectaculares e muita, muita lama. Cheguei à meta suja, mas de alma lavada, feliz e com os meus desafios cumpridos com sucesso. Lama é a minha praia, também por isso este foi um dia muito especial.


O que fica depois? Aquele sentimento de que posso tudo na vida. E roupa muito difícil de lavar.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Os meus Livros #8 - A Cor Púrpura (Alice Walker)



Sinopse 


Vencedor do prémio Pulitzer e o National Book Award, A Cor Púrpura foi adaptado ao cinema em 1985 por Steven Spielberg e nomeado para 11 óscares.

A Cor Púrpura aborda temas como a violência doméstica a que estavam sujeitas as mulheres negras no início do século XX, a relação dos negros com o seu passado de escravatura, e a busca do espiritual num mundo cruel e sem sentido.

Um livro extremamente atual e que nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.




Comprei este livro há milhões de anos numa feira de antiguidades e nunca o li, até começar, não conseguir parar e chegar ao fim com aquela sensação fantástica de considerar um livro num dos melhores de sempre.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Os meus Livros #7 - Quando Éramos Orfãos (Kazuo Ishiguro)

Sinopse
Anos 30. Christopher Banks tornou-se o detective mais famoso do país, os seus casos são o tema das conversas da sociedade londrina. No entanto, um crime não solucionado nunca deixou de o atormentar: o desaparecimento misterioso dos pais, na Velha Xangai, quando ele era rapazinho.

Agora, com o mundo a precipitar-se para a guerra total, Banks dá-se conta de que chegou o momento de regressar à cidade da sua infância e deslindar, finalmente, o mistério, cuja solução evitaria a catástrofe iminente.

Passando-se entre as cidades de Londres e Xangai dos anos entre as duas guerras, Quando Éramos Órfãos é uma história de recordações, intriga e necessidade de regressar, de uma visão infantil do mundo que o domina, moldando indelevelmente e distorcendo a vida dos personagens.

Críticas de imprensa
«Uma imaginação prodigiosa, de inteligência e gosto inexcedíveis.» Joyce Carol Oates,Times Literary Supplement


Tão bom que eu não sabia se queria acabar rapidamente para saber o fim ou se queria prolongar a sensação de o ler por tempo indeterminado. E ainda, uma prenda de Natal muito especial.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Liberdade senhores, liberdade

Tenho em cima do meu carro uma barra que serve para transportar a minha bicicleta. Acontece que colocar lá em cima a bicicleta e voltar a tirar exige uma técnica demasiado avançada para a minha altura, se me esticar toda e colocar em bicos de pés chego perfeitamente à bicicleta mas fico sem força para a suportar, se encostar o carro ao passeio também é fácil, mas isso exige que procure um estacionamento específico de cada vez que transporto a bicicleta. Pedir ajuda a alguém está completamente fora de questão para mim e por isso tive de usar toda a minha imaginação fértil para resolver o meu problema. Consegui que um amigo meu me oferecesse uma grade de Super Bock e quero aqui frisar que se a grade fosse de Sumol, de Coca-cola ou até de 7up não ia servir, tinha de ser especificamente uma grade de Super Bock, e agora ando com ela na mala do carro para de todas as vezes que transporto a minha bicicleta no meu carro ir à mala, tirar a minha grade de Super Bock, subir para cima dela e colocar ou tirar a minha bicicleta da barra. Como podem imaginar a minha grade de Super Bock tem feito sucesso nas concentrações de ciclistas prontos para arrancar nas maratonas desta vida, quanto a mim a eles só costumo responder de uma forma, costumo dizer que quando saí de casa a grade estava cheia, porque nem só de bicicletas vive o Homem, também precisa de cerveja. Ao mundo só posso dizer que a grade de Super Bock significa não mais que liberdade e independência. A minha grade de Super Bock é um grito de felicidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O melhor do pior

Assisti, um destes dias, ao espectáculo O melhor do pior de António Raminhos e se já gostava dele saí de lá completamente apaixonada. Raminhos fez-me rir muito para logo a seguir me arrepiar a pele e me deixar de lágrima no olho de emoção. Raminhos contou-nos o melhor e mostrou-nos como encarar com humor o pior, como tirar o melhor partido daquilo que nos acontece de pior, falou-nos do pior de uma forma tão incrível que a determinada altura eu me perguntava como era possível estar com vontade de chorar num stand-up comedy. O melhor do pior é sem dúvida uma lição de vida e neste misto de emoções que me aconteceram durante cerca de duas horas vim embora aterrada.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Foi assim que aconteceu

Parti bem cedo rumo a Macedo de Cavaleiros para viver um grande dia. Ao contrário daquilo que seria de esperar o frio deu tréguas e o sol foi tão generoso que em pleno Janeiro vivi um lindo dia de primavera em Trás-os-Montes. Pedalei 63 quilómetros com 1755 metros de acumulado de subida em trilhos incríveis com paisagens espectaculares, tirei milhões de fotografias, aproveitei as melhores companhias, ri muito e comi como nunca. Voltei ao final do dia, depois de visitar a feira da Caça e do turismo, com um grande sorriso no rosto e planos para regressar num registo diferente mas igualmente apetecível. A albufeira do Azibo é um local que vale a pena conhecer e apresentar.