quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Loira, a louca por prendas

A que quando tem algo para dar fala dez mil vezes na mesma coisa. A que dá centenas de pistas por dia. A que está sempre a dizer que tem uma prenda para dar. A que dá a primeira prenda de Natal em Setembro. A que há uns anos atrás acordava a mãe à meia noite porque não conseguia esperar até ao dia de aniversário pela manhã. A que raramente consegue levar uma surpresa até ao fim. Conseguiu guardar o jersey do Snoopy que comprou para ela e para as amigas desde o dia 21 de Outubro até à noite de 24 de Dezembro. Não deu nenhuma pista. Esquivou-se ao assunto das prendas. Não usou o jersey dela para não se dar o caso de lhe tirarem alguma foto e as amigas verem. Escondeu os jerseys das amigas quando elas foram a casa dela. Resistiu a dar-lhes a prenda meses antes. Escondeu o seu próprio jersey para que ninguém o visse e dissesse que era giro e que blá... blá... blá... senão teria de lhe dizer que tinha um também para elas. Enviou a prenda somente com uns dias de antecedência e deu instruções para só ser aberta na noite de Natal. Aguentou estoicamente até receber o feedback das miúdas depois de abrirem as prendas. Loira, a louca por prendas, está tão crescida no final de 2015 que nem ela própria se reconhece. 

 

Oh... NÃAAAAAOOOOO...

Já vos falei das conversas que de há uns meses para cá tenho com o meu afilhado. Acontece que quando escrevi o post sobre isso era quase Natal e toda eu era paz, toda eu era calma, toda eu era amor. Bem... esqueci-me de vos contar sobre a parte chata da coisa. No dia 15 de Novembro recebi a primeira mensagem de Natal do meu afilhado, lembro-me bem do dia porque as miúdas estavam lá em casa e aquele Feliz de Natal que o puto me enviou derreteu-me o coração. A partir desse dia comecei a receber dezenas de mensagens de Natal dele, era um Feliz de Natal que nunca mais acabava, era um Feliz de Natal várias vezes de manhã, várias vezes durante a tarde e imensas vezes à noite. Era um Feliz de Natal constante que quadruplicou com a aproximação do Natal e que finalmente terminou. Eu adoro o puto, mas sinceramente, já não sabia o que lhe responder a tanto Feliz de Natal. E agora? Perguntam vocês. Agora as nossas conversas já são mais normais e a excitação dele acabou. Pelo menos até ontem, quando me perguntou pela primeira, já de várias, quando chego eu para a comunhão dele. Prevejo dias muito complicados nos primeiros meses de 2016, a comunhão é dia 17 de Abril, ontem foi dia 30 de Dezembro. Já perceberam que desde ontem me perguntou várias vezes quando chego eu para a comunhão, não já? A comunhão, que é dia 17 de Abril. Socorro.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Resoluções de ano novo

Nunca faço resoluções, acho que um novo ano é só uma continuação e não há nada que guarde para fazer a partir do dia 01 de Janeiro. Nunca faço listas, nunca faço planos, nunca espero pelas 12 badaladas para mudar ou para tentar cumprir objectivos. MAS... em 2016 vai ser diferente. Tenho uma resolução de ano novo, tenho um objectivo, tenho um item na minha lista. Em 2016 vou aprender a sacar cavalinhos. Mais... Em 2016 vou aprender a sacar cavalinhos e a controlar a bicicleta na posição de cavalinho. Em 2016 tenho uma resolução. Estou super orgulhosa disso. No início de 2017 ou serei uma profissional dos cavalinhos ou não terei dentes, depois logo vos conto tudo.

2016

Há oportunidades que só nos acontecem uma vez na vida. É preciso estar atento, é preciso perceber quando a oportunidade nos surge, é preciso aproveitar imediatamente.
Que 2016 transforme os meus (os nossos) desejos em oportunidades. Que 2016 me (nos) dê sabedoria para distinguir as oportunidades no meio da correria dos dias e a capacidade de não as deixar escapar.

Amor, vamos ali tirar a nossa foto de Natal

Temos de sair com as bicicletas à noite ou atrasar uma pedalada para passar lá ao final da tarde, quando as luzes já estiverem ligadas. Não pode estar muita gente, já tenho as fotos na minha cabeça. Temos de tirar a nossa foto de Natal. Temos de tirar a nossa foto de Natal. Temos de tirar a nossa foto de Natal. Não temos nada tempo, eu sei que a árvore fica lá no mínimo até ao dia de Reis, mas quero a foto já. Vamos. Vamos. Vamos. Não sou nada chata. Quero muito a foto.


Amor, ainda bem que fomos este fim de semana tirar a nossa foto de Natal, a árvore caiu com a tempestade. Eu bem te digo que não há sempre tempo para tudo e que as minhas urgências, às vezes, têm razão de ser.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Natal sobre rodas

Entre outras coisas (em nada ligadas aos pedais) recebi coisas fofinhas para a minha casa com bicicletas ou em forma de bicicleta, um lindo quadro com fotos especiais de um fim de semana ao pedal, acessórios com bicicletas, umas luvas de inverno e um casaco para pedalar ao frio e à chuva cheio de tecnologias, recebi um laço que me acompanhará sempre nas pedaladas e meias, muitas meias para eu pedalar cheia de estilo. No dia 25 acordei cedo e fui pedalar sozinha. No sábado e no domingo voltei, com os meus amigos. O meu Natal correu sobre rodas.

Eu sou óptima a fazer surpresas

Comprei o telemóvel no maior segredo e embrulhei-o dentro de várias caixas, a última era de sapatos e o saco agrafado era da sapataria, comecei a dar várias pistas falsas sobre a prenda e escondi tudo o que me pudesse denunciar, eu sou óptima a fazer surpresas. A Vodafone é que resolveu mandar-lhe mensagem a dizer coisas fofinhas sobre o novo equipamento dele. Vai-te foder ó Vodafone.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Isto não são só Blogs

As Loiretes receberam as minhas lembranças, nada de especial, só um pequeno mimo para agradecer o facto de alinharem nas minhas loucuras. A Gaja Maria, a Uva Passa e a Palmier escreveram sobre isso. As miúdas do facebook também, são umas queridas. A NM gostou tanto que também quis uma pulseira. A Palmier fez um Header novo para o Blog que me deixa super feliz sempre que abro a página. O Tio Pipoco considerou o Também quero um Blog como um dos grandes de 2015. E hoje recebi um desenho da minha Loirete mais pequena e mais gira (que me desculpem as outras), a filha da Be. Não, isto não só Blogs, isto são pessoas fantásticas que fazem valer a pena ter um Blog e que estes dias me deixaram imensamente feliz. É Natal, estou uma lamechas do pior e a culpa também é vossa. Obrigada.

Que emoção... o Pai Natal é meu amigo

Um destes dias, depois das pedaladas lá em cima na montanha, passamos no centro da cidade e lá estava o Pai Natal, na casinha dele, à espera das crianças para tirar uma foto com elas, para lhes dar um balão e apontar todos os desejos na enorme lista que imagino que ele tem. Convenci os outros de que tínhamos de tirar uma foto com ele e lá fui eu: "Pai Natal... Pai Natal..." O Pai Natal saiu da casinha de madeira e quando me viu, ainda a estacionar a bicicleta, ergueu muito os braços e disse: "Vera, portaste-te muito bem este ano", eu, que sou desconfiada e já quando era pequena questionava sempre a minha mãe sobre o tamanho enorme das prendas e um espaço tão pequeno para passar com elas pela chaminé, não resisti e espreitei por baixo das barbas do Pai Natal, era o Zé Miguel. Que emoção, o Pai Natal é meu amigo, se precisarem de uma cunha avisem-me. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Pai Natal... Pai Natal... o meu presente eu quero que seja...

São poucas as vezes em que o meu afilhado fala comigo. Aliado ao facto de viver noutro país está uma timidez que de tão grande que é, me é impossível explicar. Estamos juntos poucas vezes, por telefone vai fazendo uns ruídos estranhos e pessoalmente quase não me fala, tanto que mal lhe conheço a voz. Nota-se que gosta imenso de mim, olha-me com uma cara de apaixonado, dá suspiros, senta-se cada vez mais perto até estar no meu colo a dar beijinhos sem ser necessário eu pedir e sem uma palavra. Tento não pressionar uma aproximação mais forçada, faço imensas perguntas às quais ele vai fazendo gestos para responder e vou recebendo de coração cheio os bilhetes que me escreve a dizer que sou muito linda e que gosta muito de mim. Às vezes acho que ele tem razão, as palavras não são precisas para nada, o amor é simples.
Depois do verão a mãe deixou-o criar um facebook, com a intenção de o tentar aproximar à família e foi a melhor coisa que ela fez por mim. Desde aí falamos quase diariamente, nem que seja para me mandar um beijinho ou para me dizer bom dia, tenho sempre uma mensagem dele, conta-me as coisas dele, manda fotos e continua a fazer-me declarações. Um dia destes, quando eu lhe perguntava o que queria ele que o Pai Natal lhe desse, respondeu-me que queria um cão, mas um cão daqueles a sério, daqueles que fazem chichi e tudo, eu disse-lhe que também era isso que eu queria, mas que o Pai Natal não me ia trazer de certeza, porque ele sabe que não tenho condições em casa para ter um cão, que o apartamento é pequeno, que saio de manhã e só chego à noite, que ao fim de semana passo pouco tempo em casa, que o cão seria infeliz fechado e sozinho todo o dia. Tentei explicar que o Pai Natal só traz cães a sério a pessoas que ele sabe que os podem receber, sei que era isso que a mãe dele esperava de mim, sei que a situação dela é idêntica à minha e que muito dificilmente o Pai Natal vai trazer um cão ao meu afilhado. Tentei convencê-lo com a razão e deixei de lado o coração, estava triste enquanto lhe dizia isso, porque a verdade é que o meu desejo é exactamente igual ao do meu afilhado, aquilo que eu queria mesmo que o Pai Natal me trouxesse era também um cão, daqueles a sério, que fazem chichi e tudo.

Botão Loucura Total: ON

Quando comecei a pedalar apaixonei-me imediatamente pelas descidas, pela sensação de liberdade que elas provocam, pela adrenalina, pelo perigo. Todos me chamavam de louca porque era exactamente assim que eu descia, como uma louca. Raramente caía e arriscava sempre. No verão de 2014, depois de uma queda aparatosa e depois de uma mudança na minha vida comecei a ter receio de cair, comecei a desmontar ao mais pequeno sinal de perigo, comecei a ter cuidado e comecei a não aproveitar aquilo de que mais gostava, isso deixava-me triste, mas não conseguia fazer de outro modo. Depois comprei a bicicleta nova e passar de roda 26 para roda 29 deu-me confiança, aos poucos fui descendo cada vez melhor, ainda sem voltar ao meu eu original, ainda sem voltar a ser a louca. Mas um dia destes apareceram para pedalar connosco os campeões cá da zona, o Campeão regional de BTT, o campeão regional de estrada, aquele que correu a Volta a Portugal, eles descem como ninguém, e eu apanhei a roda deles e não pensei em ossos ou dentes partidos, não pensei em quedas, não pensei no amanhã, não pensei no "e se" que me vai na cabeça e do qual não falo a ninguém, simplesmente desci como uma louca, passei pedras e buracos, dei saltos e aproveitei ao máximo a minha grande paixão. Não foi dia único, já voltei a descer e já o voltei a fazer como uma louca. Espero que o meu botão loucura total fique por muito tempo em modo ON porque é isto que eu gosto, é isto que eu quero e é isto que eu sou. Não me agarrem que eu vou atirar-me de cabeça às descidas. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Google, seu menino mau, devolva-me imediatamente as pessoas

No passado sábado, ao início da tarde, desapareceram-me misteriosamente não uma, não duas, não três, mas setenta e seis pessoas da caixa de seguidores. Não sei se hei-de fazer uma queixa na polícia judiciária, não sei se publique no facebook a pedir milhões de partilhas, não sei se pegue num megafone e me ponha aqui a chamar um por um, não sei se ligue para os hospitais, não sei se espalhe cartazes por todo o país. Quero as minhas setenta e seis pessoas de volta, quero o regresso delas, de lá, daquele sítio horrível para onde o Google as levou. Quero-as já. Google... onde estão as minhas pessoas?

Os meus livros #72 - História de Quem Vai e de Quem Fica

Sinopse
Elena e Lila, as duas amigas que os leitores já conhecem de A Amiga Genial e História do Novo Nome, tornaram-se mulheres. E isso aconteceu muito depressa. Navegam agora ao ritmo agitado a que Elena Ferrante nos habituou, no mar alto dos anos 70, num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios até então impensáveis, unidas sempre com um vínculo fortíssimo, ambivalente, umas vezes subterrâneo, outras visível, com episódios violentos e reencontros que abrem perspetivas inesperadas.


Dos três livros de A Amiga Genial que já li este foi o que me demorou mais tempo, a história da Lila e da Elena parece estar um pouco parada e a vida de ambas quase estagnada. Mas, História de quem vai e de quem fica tem um final surpreendente. Ontem terminei o livro com os batimentos cardíacos acelerados, nem queria acreditar que tinha de esperar pelo quarto livro, nem queria acreditar em tudo o que aconteceu sem que eu pudesse prever. As perguntas que agora se impõem são: O que vai ser da minha vida enquanto tenho de esperar pelo último livro? Como vou conseguir esperar? Como vou sobreviver?

Os meus livros #71 - História do Novo Nome

Sinopse
Este romance continua a história de Lila e Elena, tendo como pano de fundo a cidade de Nápoles e a Itália do século XX.
Lila, filha de um sapateiro, escolhe o caminho de ascensão social no próprio bairro e, no final de A Amiga Genial, vemo-la casada com um comerciante. Elena, pelo contrário, dedica-se aos estudos. Ambas têm agora 17 anos e sentem-se num beco sem saída. Ao assumir o nome do marido, Lila tem a sensação de ter perdido a identidade. Elena, estudante modelo, descobre que não se sente bem nem no bairro nem fora dele.
No início, vemos Elena a abrir um caderno de notas onde Lila fala sobre a vida com o seu marido e as complicadas relações com a Mafia e os grupos neofascistas, que invadem os bairros com as suas proclamações.
Lila e Elena hesitam entre a tendência para a conformidade e a obstinação em tomar nas suas mãos o seu destino, numa relação conflitual, inseparável mistura de dependência e vontade de autoafirmação, em que o amor é um sentimento «molesto» que se alimenta do desequilíbrio até nos momentos mais felizes.


Dos três livros de A Amiga Genial que já li, História do Novo Nome foi o que li com mais urgência, aquela pressa de querer muito saber o que vai acontecer a seguir, aquela ansiedade de perceber o futuro das personagens. Se no primeiro conseguia poupar as páginas por paixão, neste só conseguia devorá-las. Elena Ferrante é, sem dúvida, de leitura obrigatória. 

Os meus livros #70 - A Tribo dos Mágicos

Sinopse
"A Tribo dos Mágicos" é o primeiro volume de uma trilogia brilhante – A Saga dos Otori - em que a história nos leva até ao mundo dos Otori. O jovem Takeo é obrigado a fugir da sua aldeia e a mudar de identidade por se ver envolvido num episódio com o ambicioso Iida, do clã Tohan. Takeo foi criado entre os Ocultos – um povo isolado e voltado para o desenvolvimento da mente – e possui poderes sobrenaturais como uma audição de grande alcance, a possibilidade de se tornar invisível, e estar ao mesmo tempo em dois lugares. Numa longa e tortuosa jornada Takeo irá conhecer a vingança e a traição, a honra e a lealdade, a beleza, a magia e o amor. Uma extraordinária obra de ficção sobre o inesquecível universo dos Otori. Traduzido em mais de vinte países, A Saga dos Otori – volume I – foi premiada com o New York Times Notable Book Of The Year e o School Library Journal’s Best Adult Books For High School Readers. Uma obra que já despertou o interesse cinematográfico.


A Su falou-me várias vezes na Saga dos Otori e sempre me disse que eu ia ficar completamente viciada, não aconteceu. Não sei se foi pela ressaca da amiga Genial, não sei se foi por ter começado a ler porque o segundo volume ainda não tinha chegado, não sei se foi porque o irrealismo nunca fez muito o meu estilo, mas andei até meio do livro completamente perdida na história e sem conseguir ligar-me. Depois consegui entrar na narrativa e cheguei ao final com a sensação de querer ler os restantes livros, mas sem urgência, tanto que vou esperar por uns empréstimos que me estão prometidos. 

Os meus livros #69 - A Amiga Genial

Sinopse
A Amiga Genial é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente. Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro. Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja. Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração. O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue. A Amiga Genial tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse.


Elena Ferrante fez-me apaixonar. Pela história da Lili e da Elena e pela forma como escreve. Há muito tempo que não me sentia assim com um livro, tanto que assim que comecei a ler as primeiras páginas não resisti a encomendar imediatamente o segundo e o terceiro volume de A Amiga Genial. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Ai... vou desmaiar... (A Palmier é a maior)

Vejam lá se o novo Header que a grande Palmier fez para mim não é a coisa mais linda de todo o sempre. Vejam lá se não é a minha cara. E a cara do blog. Ai... estou tão feliz, acho que vou desmaiar. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

2015 em fotos

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Eu ainda acredito no Pai Natal

Tenho recebido tanto (e não, não estou a falar de prendas) que não tenho como não acreditar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Loira, a defensora dos ciclistas (parece que há por aí montes de gente que não os/nos suporta)

Em primeiro lugar quero explicar que estou farta de cometer infracções, como condutora e como ciclista, com isto não vos quero dizer que não sei andar na estrada, porque sei e muito bem, acontece que não sou perfeita e não tenho pretensões de o ser. Conduzo bem, muito bem, mas não me custa nada admitir que às vezes me distraio e faço asneiras, também já fiz merdas que não devia e das quais não me orgulho, já conduzi depois de beber, depois de beber muito, já conduzi em excesso de velocidade, a falar ao telemóvel, já mandei mensagens enquanto conduzia e acho até que já entrei no facebook e no blog, já passei sinais vermelhos, às vezes não cedi prioridade e não parei sempre nas passadeiras. Calma, isto é metade de uma vida a conduzir, não é uma semana. Estão chocados? Como co-piloto sou muito pior, às vezes até faço um broche ao condutor. Mas parece que sou a única a cometer erros, só leio e só falo com pessoas perfeitas, que nunca quebram as regras. Como ciclista também não sou grande merda, mas tenho mais cuidado porque tenho um medo horrível dos carros.
Este é o segundo ponto de que quero falar, há dois tipos de ciclistas, os que sabem andar na estrada e os que não sabem. Os que sabem andar na estrada são os que vos irritam, os que não sabem são os burros, como eu. Os que sabem andar na estrada aproveitam os poucos direitos que a lei nos deu para se tentar proteger. Fogem das bermas para tentar não cair, para tentar não enfiar um pneu num buraco ou numa conduta, para tentar não ser projectados para o caralho mais velho por culpa do vácuo de ar de um carro em excesso de velocidade ou de um camião, pedalam lado a lado para que os carros só façam ultrapassagens quando podem e não se esqueçam da distância de segurança, e não lhes façam tangentes que lhes põem a vida em risco a cada quilómetro. A lei está bem feita? Não. Mas não são os ciclistas que têm a culpa disso. O seguro devia ser obrigatório? Sim, eu tenho seguro e acho que não devia ser permitido pedalar sem ele, assim como não devia ser permitido andar de bicicleta sem capacete. Eu sei, agora estão a perguntar-se como caralho andam na estrada os burros como eu. Eu digo-vos, pedalam na defensiva, desviam-se o mais possível dos carros, não querem ser um estorvo nem atrasar ninguém, não fazem uso da prioridade quando a ela têm direito e pedalam em fila indiana. E o que é que lhes acontece? Cortes de trajectória, ultrapassagens perigosas, distância de segurança ignorada, tangentes, vácuo de ar e um sem número de perigos que não conseguiria descrever nem que ficasse aqui a escrever até amanhã. A maior parte dos ciclistas que vocês vêem de calções de licra e equipamentos fluorescentes têm os pés encaixados nos pedais, parar de pedalar ou desmontar da bicicleta não é tão fácil como pode parecer. Os carros põem-nos a vida em risco centenas de vezes e muitos condutores estão a cagar-se se chegamos ao nosso destino vivos ou se nos partimos todos ou morremos nos próximos quilómetros. É por estas e por outras que eu sou uma mulher da montanha, só pedalo em estrada quando não tenho outra alternativa e dou uma grande gargalhada quando os ciclistas de estrada me dizem que pedalar no monte é muito perigoso e que as descidas são muito radicais.
E é como ciclista que vos peço paciência e respeito, eu sei que cada vez há mais gente a pedalar e que vocês têm as vossas vidas e não podem perder tempo, eu sei que há ciclistas a fazer muitas asneiras, mas os condutores também as fazem, ou não? Sou a única? Não há pessoas perfeitas, nem ciclistas, nem condutores, mas nós somos sempre o elo mais fraco, tenham um pouco mais de cuidado connosco e mesmo que achem os calções de licra ridículos e que prefiram ter um rabo mole não nos ponham a vida em risco a cada quilómetro, quem vai em cima da bicicleta é a Loira que escreve um blog, é o médico do vosso filho, é o professor da vossa irmã, é o tio do vosso vizinho, é o pai do vosso amigo, é a mãe de um colega do vosso filho, são pessoas.
E se puderem pedalem, eu desde que pedalo sou muito mais feliz e já não tenho tendência a querer passar com o carro por cima das pessoas, só porque têm tanto direito a viver como eu. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

2015, o grande post.

Em Janeiro recordei o ano anterior, principalmente o último fim de semana, passado a pedalar na Gralheira, foi o mês que mais livros li e foi o mês em que mais frio passei a pedalar. Entristeci, por ter de arrumar o Natal num caixote e deixar o canto da sala vazio, desesperei como dona de casa, a varinha eléctrica quase me arrancou um dedo.
Comecei o Fevereiro no meio de lama e de um rio, com a bicicleta às costas e um grande sorriso no rosto, nesse dia, antes de começar a maratona tinha uma Loirete à minha espera na linha de partida que me deixou imensamente feliz, comecei também a correr. Fevereiro é o mês dos aniversários, o Moreno logo nos primeiros dias e eu no dia 18, fiz 33 anos. Mostrei as fotos mais giras de sempre e apaixonei-me perdidamente pelo livro Livre.
Em Março os meus joelhos desistiram de correr, roubaram-nos o carro, foi um mês difícil. Comecei a desenhar a minha bicicleta nova e a sonhar com ela todos os dias.
Em Abril comprei meias, comprei livros, como quase todos os meses. Planeei um novo Caminho e desesperei a cada dia pela entrega da minha bicicleta, personalizada, a única em todo o mundo, chegou na madrugada do dia 25 para partir imediatamente para uma grande aventura debaixo de chuva, a estreia foi a subida ao Monte Farinha, o alto da Senhora da Graça que faço questão de subir pelo menos uma vez por ano, mas que este ano teve um sabor especial.
O Maio começou em viagem, parti para pedalar O Caminho Inglês de Santiago, fui a Muxia e terminei em Finisterra, foi uma grande aventura, marcada pela tempestade e pelas dificuldades, perdi coisas por lá, mas ainda não sabia, não vim completamente feliz, não fui perfeita, mas sei que fiz o melhor que podia e sabia. A paixão move montanhas e faz com que se subam muito facilmente, em Maio comecei a sentir-me uma Super Mulher ao pedal. Vendi a minha velhinha bicicleta, a minha grande paixão durante anos e anos e comecei a mostrar as minhas meias no Blog. Apaixonei-me todos os dias e ainda não me passou o efeito. Em Maio comecei a planear uma nova viagem.
Em Junho escrevi sobre tudo, andava super inspirada. A meio do mês parti para a minha viagem de bicicleta até Fátima, eu e os meus rapazes, a Branca de Neve e os anões, foi uma grande viagem, um dos melhores momentos em amizade, em companheirismo e em união de todo o ano, não consigo deixar de recordar cada momento com um grande sorriso no rosto. Em Junho estive pessoalmente com a Su pela primeira vez, depois de 3 anos de grande amizade.
Em Julho brilhei na minha pista, bati o meu recorde, apaixonei-me por David Foenkinos e delirei com afirmações do Tio Pipoco, escrevi um post sobre a coisa mais bonita que já fiz por mim, um post que volto atrás para ler muitas vezes. Em Julho passei o primeiro fim de semana Loiretes com as minhas miúdas, a Joaninha e a Su, foi a primeira vez que conseguimos estar as três juntas e se dúvidas houvesse de que as adoro teriam sido perdidas naqueles dias fantásticos. Em Julho a Su foi pedalar O Caminho só dela a Santiago e eu acompanhei-a no primeiro dia, o que me fez muito feliz.
Agosto foi um grande mês, a minha colecção de relógios com bicicletas no mostrador aumentou bastante, estive com o meu afilhado, tive mais uma grande prova da magia do Caminho e fui de férias. Parti no primeiro dia, de bicicleta e com uma grande mochila às costas, para passar uns dias com a Su no paraíso, fomos muito felizes, conheci pessoas fantásticas, vivi momentos espectaculares. Foi lá que decidi que quando voltasse partia novamente. O último dia daquela semana vai ficar para sempre na minha cabeça, foi o dia em que vi nascer o sol, em cima da minha bicicleta, numa montanha do centro do país e o vi ir embora, em cima da minha bicicleta, numa montanha do norte. Parti para O meu Caminho de Santiago solitário, cheguei pela sétima vez a Santiago vinda dos Caminhos, a pedalar, desta vez completamente sozinha, dias intensos em que me senti a miúda mais especial de todo o sempre. Acabei as minhas férias a pedalar a dois, com o meu Moreno e a praia como pano de fundo.
Em Setembro mandei umas meias à Gaja Maria, continuaram a chegar até mim as minhas queridas Loiretes, recordei os dias fantásticos de um Agosto memorável, enviei a minha primeira prenda de Natal, fiz a minha maratona preferida em muito boa forma, tive apoio de uma das Loiretes sem estar à espera e apareci na televisão, mas isso só soube em Novembro.
Em Outubro continuei a pedalar, a ler e a contar as minhas histórias, recebi imensas meias e assumi-me como a Fashion Bttista do pedaço. Em Outubro fiz a maratona que me deixou mais suja desde sempre, deu fotos fantásticas.
Em Novembro apaixonei-me pelo Blog, fiz a minha árvore de Natal nos primeiros dias, mostrei-me de corpo e alma, apaixonei-me pelas pessoas que vêm ao Blog, aumentei a minha lista de livros, mostrei os meus dotes para fazer bolo de chocolate e inventar meias únicas, apaixonei-me por Elena Ferrante e comecei a estudar. Em Novembro recebi as minhas miúdas em casa, a Joaninha, a Su e a Loira passaram mais um grande fim de semana juntas.
Dezembro ainda vai a meio, continuo a pedalar de meias até ao joelho, a ler, a receber as minhas Loiretes, a escrever, estou a tentar recordar. Em 2015 perdi coisas, perdi pessoas, mas acho agora, que não me fazem falta, recebi tanto que nem sei como explicar tudo aquilo que me vai na alma e no coração. No Blog não escrevo sobre tudo da minha vida, não escrevo sobre quase nada, mas ao rever o ano de tudo o que publiquei abertamente e de tudo o que publiquei escondido nas entrelinhas fico com a certeza que 2015 foi um ano que correu sobre rodas e que me deixou muito rica em emoções, em pessoas, em sentimentos, em pensamentos, em amizades, em amor e em tudo o que é realmente importante. 2015, o grande ano, retratado num grande post. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Loira, a apaixonada

Falei-lhe da autora, da história, contei-lhe alguns pormenores, falei-lhe da forma como está escrito, descrevi-lhe a capa e só depois o tirei para fora da mala, para ela o poder ver, falei-lhe com paixão, com entusiasmo, dei explicações com os olhos a brilhar e com um grande sorriso no rosto. Falei-lhe do livro como se estivesse a descrever algo superior, algo inexplicável. Ela já não lia um livro há séculos e eu em poucos minutos consegui convencê-la que tinha de ler aquilo, sem o dizer directamente. Quando me calei ela pediu-me o livro emprestado, mesmo antes de eu o oferecer. Quando estou apaixonada sou chata, sou insuportável, arrasto toda a gente comigo. 

No meu tempo não havia telemóveis com câmara. No meu tempo nem telemóveis havia.

Não me lembro que idade tinha ao certo nem consigo situar-me num ano lectivo, lembro-me só que estávamos na secundária, era inverno mas estava uma linda tarde de sol, nós tivemos uma hora livre e fomos para o campo de futebol, sentámos-mos no chão a conversar, a rir e a partilhar, como fazíamos centenas de vezes, debaixo da baliza.
O Carlos era feiinho, magricela, com a cara coberta de acne, o cabelo com um aspecto horrível e tinha um sentido de humor do caralho, talvez as merdas que dizia e as parvoíces que fazia tivessem ainda mais piada por causa do seu aspecto, eu adorava-o, acho que não havia quem não gostasse dele.
Naquela tarde pendurou-se na baliza a fazer uma espécie de número de contorcionismo e a dizer disparates, nós riamos descontroladamente e o Alex, o mais responsável e preocupado, talvez por isso eu fosse apaixonada por ele, mandava-o sair de lá antes que se magoasse. Claro que o Carlos não ouviu o Alex e antes de acabar aquela palhaçada mandou-nos calar a todos, estava pendurado pelos joelhos na parte de cima da baliza e de cara para baixo, olhou para nós de mundo ao contrário e disse muito sério que estava prestes a fazer um número nunca antes visto e que nós crianças não devíamos repetir isto em casa, assim que acaba de dizer isto, mesmo antes de conseguir mexer-se para tentar o tal número, a baliza vira-se e ele emborracha a cara no chão.
Depois da preocupação inicial e depois do regresso dele do hospital não conseguíamos parar de rir com aquilo, o Carlos ficou ainda mais feio com a cara coberta de ferimentos, mas ele próprio não conseguia parar de rir com o timing perfeito entre as suas últimas palavras e a queda. Até hoje tenho esta cena gravada na minha cabeça, consigo visualizar cada segundo, cada pormenor, acho que todos os que a presenciaram conseguem, é impossível esquecer aquilo.

No meu tempo não havia telemóveis com câmara. No meu tempo nem telemóveis havia. No meu tempo nenhum de nós sonhava com o youtube. O Carlos perdeu uma boa oportunidade de ficar famoso.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Loira, a escrever posts de auto-ajuda há mais de 70 anos



Há dias em que a vida é a cores, há dias em que é a preto e branco, o importante é ter coragem para tentar ultrapassar os obstáculos e acreditar que somos capazes. 

Queridas Loiretes, venham cá, por favor.

O Blog fez 6 anos, é quase Natal e eu tenho uma pequena (pequeníssima) lembrança para cada uma de vocês. E o que é que vocês têm de fazer? Filmar um vídeo a dizer que me amam enquanto sacam um cavalinho na vossa bicicleta. Mentira. Só têm de confiar-me uma morada para eu poder enviar. Percebido? Então enviem-me a morada para o mail ou para o facebook o mais rápido que puderem. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Hoje, este blog faz 6 anos

Parece-me uma eternidade, já desisti dele tantas vezes que parece-me quase impossível que ainda não o tenha deixado morrer. Volto sempre, apesar de nem sempre ser fácil, às vezes falta-me o tempo, às vezes falta a inspiração, às vezes não me faz sentido nenhum, às vezes escrever é uma parvoíce, mas volto sempre, não sou capaz de o abandonar, não é pelos números, não é por vaidade, não é a vontade incontrolável de escrever, é sempre pelas pessoas. Pelas pessoas que foram chegando, e chegando, e chegando, sempre sem eu estar à espera, pelas pessoas que nos conhecem através de um ecrã e que são capazes de demonstrações de carinho, de se lembrar de nós porque leram o que escrevemos, de nos reconhecer pelas poucas coisas que vamos mostrando, de nos conhecer pelas poucas coisas que vamos dizendo, pelas pessoas que passaram a fazer parte do Blog, que eu sei que estão do lado de lá quando clico no "Publicar", pelas pessoas que leram um livro porque falei dele, que me falaram de um livro porque gostaram dele e acham que eu também vou gostar, pelas pessoas que experimentam a receita do meu bolo de chocolate, pelas pessoas que me mandam fotos a pedalar e de meias até ao joelho, pelas pessoas que começaram a peladar e pelas pessoas que começaram a usar as meias até ao joelho, porque lhes peguei a pancada, pelas pessoas que querem comprar uma bicicleta e me mandam mail, pelas que querem ir fazer O Caminho e é de mim que se lembram, pelas pessoas que acompanham à distância as minhas aventuras e que vibram com elas, pelas pessoas que encontram fotos minhas nos sites das maratonas e me enviam, pelas pessoas que me descobrem, pelas pessoas que me mandam um mail confiando completamente os sentimentos, os pensamentos e os seus desejos mais secretos, mesmo só me conhecendo daqui, pelas pessoas que me sabem ler nas entrelinhas, pelas pessoas que me fazem rir, que me fazem chorar, que me fazem emocionar. Cada vez que me aparece mais uma pessoa, daquelas que se fazem notar, daquelas que não deixam só mais um número nas estatística, é sempre uma surpresa para mim, é sempre uma emoção, é sempre uma felicidade, seja para me perguntar sobre um livro, seja para me pedir ajuda com alguma coisa, seja só para falar, seja para me pedir para encontrar um livro que não existe à venda no Brasil (ainda não encontrei o livro, mas ainda não desisti de procurar), seja só para me dizer que na minha viagem vou passar na cidade onde mora, seja para me dar algum conselho. Hoje, este blog faz 6 anos, estou sem tempo, tenho 1001 coisas para fazer, tenho o trabalho bastante atrasado, mas não podia deixar de escrever às pessoas que fazem com que o Blog continue a fazer sentido, continue a valer a pena e continue a ser uma coisa muito boa, pretendo continuar a preencher espaços em branco com pedacinhos meus, mas é a vocês que tenho de agradecer. Obrigada. Vera.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Sou tão parva

Loira, a exagerada

Quantos mais livro tenho, mais quero comprar. Quantos mais livros leio, mais quero ler. Quanto mais jerseys de BTT tenho, mais quero. Quantos mais relógios com bicicletas no mostrador arranjo, mais procuro. Quantos mais quilómetros pedalo, mais quero pedalar. Quanto mais dou, mais quero dar. Quanto mais escrevo, mais quero escrever. Quantas mais meias tenho, mais meias quero. Quanto mais estudo, mais quero saber. Quanto mais beijo, mais quero beijar. Quanto mais trabalho, mais motivação tenho. Quanto mais gosto, mais quero gostar. Quanto mais não gosto, mais detesto. Quantas mais montanhas subo, mais quero atingir.
Talvez seja insatisfeita por natureza. Talvez ache que tentar agarrar a vida com as pontas dos dedos não faça sentido algum. Talvez ache que a vida só vale a pena quando é abraçada com todas as nossas forças.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Loiretes ao poder - 14

E o que é melhor que um dia com uma nova Loirete? Um dia com duas novas Loiretes. E eu, que ainda de manhã vos dizia que as miúdas que pedalam são todas giríssimas tenho aqui uma grande prova disso. Apresento-vos a Inácia, a Loirete n.º 12, que foi arrastada para esta causa pela Loirete n.º 5 e que além de umas meias fantásticas (olha só... tenho umas iguais), é linda, tem um grande estilo e sem dúvida o espírito certo. Obrigada Inácia, caramba... tenho uma dúzia de Loiretes, estou tão feliz. 


Não toques naquilo que não podes aguentar

Chamou-me ao lado, falou-me de um assunto específico e pediu a minha opinião. Fiz o meu ar pensativo, disse aquilo que achava e de imediato me surgiram mil e uma ideias, às vezes acontece-me isso, as ideias surgem-me à velocidade da luz, como se nada as pudesse parar dentro da minha cabeça. Falei-lhe de algumas delas enquanto me olhava boquiaberta. Separamo-nos, não sem antes ela me dizer que... caramba... eu sou muito criativa, tive de concordar, ser demasiado criativa sempre foi um dos grandes problemas da minha vida. 

Loiretes ao poder - 13

Este é um Blog cheio de pessoas e é por isso que tenho um imenso orgulho nele. Um dia, porque recebia imensos comentários e mails de miúdas que também pedalam e que também o fazem com meias giras, em tom de brincadeira, resolvi criar as Loiretes, inicialmente pareceu-me mais uma parvoíce das minhas, mas afinal foi uma grande ideia, esta é a forma de reunir todas e de se "conhecerem" umas às outras. E se querem um motivo para pedalar basta repararem nesta sequência de posts, as Loiretes são todas giríssimas. Apresento-vos a Kelle, que tem um grande estilo. Kelle, tenho umas meias iguais a essas, e tenho a sensação que já estive nessa praia, na minha viagem a Fátima, um dos meus grandes momentos de 2015, para o qual contribuíste com informações preciosas, obrigada.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A paixão na carne

Trago sempre a paixão na pele. Tenho uma marca de sol no local onde acabam os calções de BTT e onde começam as meias, ou seja, tenho os joelhos morenos e o resto das pernas completamente brancas. No verão também me acontece isso nos braços, no local onde acaba o jersey e onde começa a luva, mas a marca dos braços acaba por desaparecer, enquanto a das pernas parece ser permanente. Tenho quase sempre nódoas negras espalhadas pelo corpo e mesmo quando já não caio há algum tempo e me livro das feridas, tenho sempre os arranhões do mato nos braços e nas pernas.
Trago sempre a paixão na carne. Às vezes parece que sou uma espécie de atractivo para os picos, que vêm todos parar ao meu corpo, já tive um alojado numa perna vários meses, mas essa história já a contei por aqui anteriormente, aqueles de que quero falar hoje são os que me vêm parar aos braços e às mãos. Parece que nunca me consigo livrar deles, parece que há sempre por aqui pelo menos um ou dois, às vezes doem para caralho, às vezes só os noto porque vejo o ponto negro espetado na minha pele demasiado branca, nunca os consigo tirar até ser o meu próprio corpo a rejeitá-los.
Trazer a paixão na pele e na carne é romântico, chega até a ser poético, mas por acaso não conhecem nenhum repelente de picos? É que os que não se fazem notar suporto-os bem, mas os que doem para caralho não me importava nada que ficassem na montanha em vez de se entranhar em mim. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Elena Ferrante é bem capaz de me ter roubado a vontade de escrever

Estou quase a acabar o primeiro livro que comprei dela, é a primeira vez na vida que me vejo a poupar as páginas assim, é a primeira vez que não quero que acabe de maneira nenhuma, nem a ansiedade por o conhecimento do final me faz querer ler depressa. Elena Ferrante escreve de uma forma tão simples, tão cativante, tão encantadora que a cada página que viro fico cheia de inveja, quem me dera escrever assim. Já encomendei tudo o que há disponível no mercado escrito por ela, não vejo a hora de poder ler mais e mais. Elena Ferrante deixou-me maravilhada, deixou-me sem palavras, fez-me estremecer. Enquanto leio o que Elena Ferrante escreveu penso que escrever só devia ser permitido a quem o faz desta forma, a quem é capaz de mudar vidas, a quem é capaz de dar socos nos estômago, a quem é capaz de nos abanar a realidade, todos os outros deviam ser proibidos de escrever, principalmente eu. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Loira, a fashion bttista #2

Aposto que ninguém tem um plástico, digo, um casaco de montanha fashion pedalada mais giro que o meu.

Olá, eu sou a Loira e por culpa do Blog acho que vou entrar em falência

Eu não gosto só de ler, eu adoro de paixão os livros. O que quer dizer que compro, e compro, e compro ainda mais alguns, mesmo quando me emprestam livros, se gosto muito deles vou comprar a seguir. Não consigo ler senão em livros, aquele cheiro, as páginas de papel, o toque, a capa, os livros são lindos, são apaixonantes, são felicidade. Além dos livros que já comprei e ainda não li tenho uma interminável lista de livros que quero muito comprar, que quero muito ler ou que já li e quero muito ter. A cada livro que compro a lista aumenta uns dez e a cada dez que compro a lista aumenta uns cem. Há sempre um artigo que me sugere um livro ao qual não consigo resistir, há sempre uma promoção que os sites manhosos me espetam pelos olhos dentro através de mails (de certeza que já perceberam que não consigo resistir), há sempre uma pesquisa que fiz e que dá em mais uns tantos que vão parar à lista, há sempre as amigas que me falam de um livro, e de outro, e de outro, há sempre a Su, que sabendo que sou uma fraca não resiste a frisar as promoções dos sites manhosos que eu fiz de conta que não vi, para não comprar mais umas dezenas deles. E agora há também o Blog, que depois de um post, conseguiu aumentar uns trinta livros à minha lista, pior, estes são urgentes, estes são urgentíssimos, são livros que as pessoas me "ofereceram" num momento em que eu precisava de encontrar o meu livro ideal, são livros que as pessoas me sugeriram num momento em que no meio de tantas leituras eu estava meio perdida, são livros que tenho de comprar, de ler já. 


Olá, eu sou a Loira e por culpa do Blog, por vossa culpa, acho que vou entrar em falência. Obrigada, do fundo do coração, não vos consigo explicar o quanto é importante para mim aquela caixa de comentários ali em baixo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os meus livros #68 - Diário da Bicicleta

Sinopse
Desde o princípio dos anos 1980 que David Byrne usa a bicicleta como principal meio de transporte em Nova Iorque. Há vinte anos, descobriu as bicicletas desdobráveis e começou a levá-las para as tournées e outras viagens de recreio. A escolha de Byrne deveu-se mais à conveniência do que a qualquer motivação política. E à medida que via mais cidades a partir da sua bicicleta, foi ficando apanhado por este meio de transporte e pela sensação de liberdade que o mesmo proporciona. Convencido de que o ciclismo urbano favorece um conhecimento mais profundo da pulsação e do ritmo das populações e topografias, Byrne começou a escrever um diário com as suas observações.
De Berlin a Buenos Aires, de Istambul a São Francisco, de Sydney a Nova Iorque, Diário da Bicicleta regista não só o que Byrne vê e quem encontra, como também as suas reflexões sobre world music, urbanismo, moda, arquitectura, e muito mais, numa combinação pessoalíssima de humor, curiosidade e humildade.


Como pessoa completamente apaixonada por bicicletas este era um livro que não podia deixar de ler, mas ao contrário daquilo que parece este não é um livro sobre bicicletas e sobre ciclismo, é uma colecção das reflexões e da visão de David Byrne sobre as várias cidades que vai visitando, o que poderá surpreender muita gente pela positiva, mas que a mim me surpreendeu pela negativa. Este é o livro ideal para quem gosta de viajar pelas palavras dos outros, mas não para quem procura uma leitura sobre bicicletas.

Os meus livros #67 - Trópico de Câncer

Sinopse
Proibido durante cerca de 30 anos nos Estados Unidos e no Reino Unido, Trópico de Câncer foi publicado originalmente em 1934. Eleito um clássico de literatura erótica desconstruiu tabus e desmistificou convenções no seu pouco apologético caminho em busca do desejo. Muitas vezes considerado pornográfico e obsceno, Trópico de Câncer evidencia uma sexualidade despojada, longe de amarras e preconceitos, sendo auto-designado pelo escritor como «um insulto prolongado, um escarro no rosto da Arte». Não somente a Arte se pode ter sentido beliscada como a generalidade dos homens do seu tempo, presos às regras ditadas pela sociedade e que viam em Trópico de Câncer um desafiar dos valores impostos e aceites pela sociedade. A linguagem sem freio, os temas invariavelmente de cama e o retrato das personagens pouco ortodoxo, muitas vezes ridicularizadas por uma crítica contundente e sem moral, projectaram Miller como alguém à frente do seu tempo, porventura um pouco desajustado, facto esse que o levou a viver em Paris, ex-libris das capitais, que considerava um local onde se mesclam as cidades da Europa e da América Central, e onde o escritor vivia sem recursos ou dinheiro. Miller auto-designava-se um artista que se deixava conduzir à mercê das contrariedades e das alegrias da vida. A primeira impressão de Trópico de Câncer foi aliás financiada por Anaïs Nin, sua amante, que acreditava nos seus desígnios. Narrado na primeira pessoa, o livro relata ficticiamente as aventuras de Miller entre prostitutas, proxenetas, pintores sem dinheiro e escritores do submundo parisiense. Controverso e muito peculiar, Henry Miller ergue um hino ao mundo da sexualidade e da liberdade nas suas formas extremas e garante incondicionalmente um lugar no panteão dos maiores escritores mundiais do século XX.


Não sei como, nem porquê, este livro é classificado de literatura erótica, a mim parece-me profundamente filosófico e só a sua linguagem livre e talvez um pouco obscena poderá explicar o preconceito em torno dele. Não é um livro fácil de ler, mas é um livro que vou querer reler. 

Os meus livros #66 - As lágrimas do Meu Pai

Sinopse
Os últimos contos escritos por Updike, publicados apenas após a sua morte. Uma obra bela e comovente, na qual o autor revisita os lugares da sua infância a partir da posição privilegiada da velhice.
Em O Passeio com Elizanne, velhos amigos retomam o contacto num reencontro de antigos alunos e um deles medita: "o que quer dizer esta enormidade de termos sido crianças e agora sermos velhos, a morar na porta ao lado da morte." No conto O Copo Cheio, o protagonista descreve de um modo pesaroso os rituais da velhice. Antes de se deitar, ergue o seu copo de água e "brinda ao mundo visível, mandando o seu iminente desaparecimento à fava". Em Variedades da Experiência Religiosa, um idoso de visita à filha em Brooklyn Heights vê desabar a Torre Sul do World Trade Center e a sua visão de Deus é alterada para sempre.
Nestas histórias memoráveis, Updike apela vezes sem conta ao sentimento, dando palavras ao que tantas vezes fica por dizer. É simultaneamente espirituoso, devastadoramente atento, comovente e, claro, um contador de histórias consumado. Esta é uma colectânea que será admirada e estimada.


Trata-se de um excelente livro de contos.

Os meus livros #65 - Menina de Ouro

Sinopse
É difícil encontrar palavras para descrever a EMOÇÃO que os livros de Chris Cleave despertam. Os seus enredos são apenas uma parte da HISTÓRIA. Mais importante é a forma como tocam o leitor. E isso é ÚNICO e irrepetível.
Menina de Ouro é sobre os limites do AMOR. Sobre as nossas LUTAS diárias. Sobre o conflito entre os nossos DESEJOS e a realidade. Conheça Kate e Zoe. Duas mulheres brilhantes com um SONHO que apenas uma poderá realizar. Conheça também Sophie. Uma criança dotada de uma sensibilidade rara, que luta entre a VIDA e a morte. Estão unidas por um SEGREDO. Delas se exige uma ESCOLHA. No momento mais importante das suas vidas, uma delas terá de fazer o derradeiro SACRIFÍCIO. Menina de Ouro é sobre o que significa ser HUMANO, mas também sobre o que nos permite a todos, de diferentes formas, atingir o EXTRAORDINÁRIO.


Apesar deste livro nos contar a história de duas ciclistas profissionais e de em certos aspectos conseguir perceber os sentimentos que o autor quis dar às personagens, não me conseguiu prender verdadeiramente. Poderá ser por eu andar demasiado cansada e por andar nesta ânsia de encontrar um livro que me arrebate verdadeiramente, mas Menina de Ouro, que tinha tudo para me apaixonar não o conseguiu, li toda a história da parte de fora do livro.

Os meus livros #64 - Todos os Homens são Mentirosos

Sinopse
Descobrir o que se pretendeu esquecer parece quase impossível, ao fim de trinta anos, num mundo no qual tudo muda excepto o que está escrito há séculos no Livro dos Salmos: «Todos os Homens São Mentirosos». Quando um jornalista francês se empenha em esclarecer a inexplicável queda do genial escritor sul-americano Alejandro Bevilacqua, do balcão da casa onde vivia, na Madrid ainda cinzenta de meados dos anos setenta, os testemunhos de aqueles que o conheceram serão a sua única via para a verdade. As duvidosas e diversas histórias da sua presumível amante espanhola, de um escritor argentino que garante ter sido o seu único confidente, do cubano que jura ter partilhado a cela com ele durante a ditadura militar argentina e, até, de um delator que já morreu, mas continua a informar desde o além, entrelaçam-se numa trama fascinante de que o leitor não conseguirá afastar o olhar até à última página.


Quatro personagens a contar a história secreta de Alejandro Bevilacqua, é assim este livro. Apesar de gostar bastante da forma como está escrito acabou por me cansar, as personagens contam a sua versão de uma mesma história, para mim tornou-se muito repetitivo, ainda assim o balanço final foi bom. 

Os meus livros #63 - Bodas de Fogo

Sinopse
«As roupas dos mortos não duram muito. Sentem saudades das pessoas que as usaram...» É com estas palavras arrepiantes que Barbara Vine nos arrasta inexoravelmente para mais uma das suas histórias sinistras e arrebatadoras. Entre Jenny, jovem auxiliar num lar para idosos, em Suffolk, e Stella, uma das pensionistas de Middleton Hall atingida por uma doença fatal, nascem profundos laços de amizade e cumplicidade. De confidência em confidência, o pressentimento de que Stella esconde um passado estranho e doloroso torna-se cada vez mais uma certeza, e só Jenny poderá impedir que esse segredo seja enterrado para sempre. Neste mistério apaixonante em que o passado e o presente estão habilidosamente interligados, Barbara Vine demonstra uma vez mais o seu talento magistral para a composição de personagens e para a criação de uma narrativa de suspense.


Este é um daqueles livros que nunca tinha ouvido falar até a Su me emprestar. Foi o último livro que me prendeu daqueles que li e dos quais ainda não falei aqui (vai ser hoje), foi a minha companhia num dia de doença e passamos horas fantásticas. Apesar de inicialmente a acção demorar bastante a desenrolar-se através de segredos contados entre duas amigas a partir do meio do livro a autora abandona por completo o estilo romântico e lamechas para nos apresentar uma história com um final absolutamente macabro. Gostei muito.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Felicidade é...


Ter um caderno cheio de páginas em branco para preencher com coisas novas. Sempre gostei de aprender.

Chama-se amizade

É possível pedalar lado a lado, mesmo quando se tem ritmos diferentes. A cadência do nosso corpo não pode ser mais forte que os laços do nosso coração. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Procuro louca e desesperadamente

Por um livro que me faça viajar como há muito não acontece, que me faça esquecer do mundo lá fora, que me faça querer ficar a noite inteira acordada, que me faça querer ficar doente para poder passar umas horas só nossas, que me faça focar só nas suas páginas, que me faça pensar e repensar, que me faça dar sonoras gargalhadas ou que me faça chorar como se aquela história fosse mesmo a minha, que me faça imaginar, que me faça sonhar, que me aperte o coração, que me faça ficar ansiosa por o final, que me faça ficar triste por estar a acabar, que me roube a realidade, que mude algo em mim. Procuro louca e desesperadamente por um livro como já não leio há muito, não está fácil encontrar.

As coisas que eu leio #1

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A oficina da Loira

Nunca pensaram ler uma merda destas no meu Blog, pois não? Sinal que estou sempre a surpreender, a vocês e a mim, que há uns tempos atrás não pensava em coser nem um botão. Bem, continuo a não pensar que isto dá um trabalho desgraçado e eu não tenho mesmo queda para a coisa, mas um dia destes chegaram umas meias que tinha encomendado num site manhoso pensando serem rosa choque e afinal eram de um rosa tão claro que eu quase vomitei quando abri a encomenda. Não era um par, nem dois, eram três, umas para mim e as outras para as miúdas e aquilo não tinha mesmo piada nenhuma. Então lembrei-me (e juro que até hoje não sei como me fui lembrar de uma cena destas) de fazer qualquer coisa para as meias ficarem mais TCHARAM. Dirigi-me a uma loja que vende paneleirices e comprei fitas coloridas e joaninhas e depois lembrei-me que não sabia fazer laços, chamei o meu colega de trabalho (que está sempre disposto a aturar-me) e perguntei-lhe como caralho ia eu aprender a fazer laços, claro que ele teve uma ideia fantástica (que lhe surgiu entre gargalhadas, vá lá entender-se porquê), mandou-me ao youtube e foi assim que passei parte de uma manhã a visualizar um vídeo em que a protagonista dava voltas e voltas a uma fita até a transformar num laço, sem eu perceber que raio de voltas eram aquelas. Voltei a chamar o meu colega de trabalho (que é o gajo mais paciente que conheço) e expliquei que não percebia nada daquilo, ele lá me explicou com a lentidão necessária à minha aselhice todos os passos a seguir. E foi assim que gastei as minhas horas livres de todo um fim de semana, a fazer laços e coser laços e joaninhas em meias. Escusado será dizer que as minhas mãos não ficaram muito apresentáveis e que não podia acabar isto sem voltar a chamar o meu colega de trabalho (ele adora-me), porque queria queimar as pontas dos laços para não se desfazerem e não tinha em casa nada que fizesse lume, a sério, se quiser passar-me da cabeça e incendiar tudo não tenho como. Bem, ele lá me emprestou um isqueiro e eu terminei o trabalho de transformação de meias, jurando a pés juntos que nunca mais me meto numa merda destas, mas ao mesmo tempo super orgulhosa de ter conseguido fazer as meias mais pindéricas de todo o sempre. 




Só não contem nada disto à minha mãe, sim? É que se ela sabe é bem capaz de deixar de remendar as merdas que lhe levo. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Formas de vida

Quando uma viagem de grupo chega ao fim há um par de pessoas que vêem as situações de uma maneira e há todos os outros. Há um par de pessoas que se gabam de num momento complicado terem sido os únicos a cumprir o trajecto traçado inicialmente, de terem percorrido os planos originais, de terem sido os únicos a conseguir cumprir o que estava planeado. Sim, assim mesmo, repetida e insistentemente, para que a ideia fique bem fincada na mente de quem os ouve. Quando uma viagem de grupo chega ao fim há um par de pessoas que só se lembra desse momento, porque para eles foi ali que conseguiram algo mais do que os outros, foi ali que foram superiores.
Quando uma viagem de grupo chega ao fim há os outros, os que olham para a situação de forma completamente diferente, sem grande atenção, só se lembram de arranjar uma solução para se manterem unidos, para chegarem todos bem e juntos, não pensam muito nisso porque para eles a forma como agiram era a única forma de agir, não havia outra alternativa, são os que seguem felizes e indiferentes sem sequer se lembrar daquilo, são os que se envergonhariam de dizer a alguém que são o tipo de pessoa que deixa ficar um amigo para trás.

Quando uma viagem de grupo chega ao fim é fácil separar formas de vida e saber quem realmente pertence ao grupo e quem está a mais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Eu e as miúdas (imagens de um fim de semana de Loiretes)







Toda a gente sabe que eu faço o melhor bolo de chocolate do mundo

O que as pessoas não sabiam é que o meu cheesecake também é bem bom. Nem as pessoas, nem eu. Acontece que semana passada tive visitas cá em casa e como só o bolo de chocolate seria pouco e não tinha tempo para preparar o meu semifrio de bolacha resolvi fazer pela primeira vez um cheesecake, que acabou por ser um verdadeiro sucesso de tão bom que estava.
O grande problema de fazer sobremesas boas é que no final as pessoas pedem sempre a receita e a do cheesecake não me apetecia muito dar, talvez por ser uma receita com um ingrediente secreto que está há várias gerações na minha família, talvez por não querer quebrar o encanto de tão divinal sabor.
Bem, mas toda a gente também sabe que eu gosto de partilhar e depois de dormir algumas noites sobre o assunto, depois de consultar todos os elementos da minha família e pedir a devida autorização, depois de imaginar a felicidade da minha bisavó ao saber que a receita se tinha tornado famosa, resolvi dividir com vocês não só a receita como também o ingrediente secreto.
Para começar precisam de uma batedeira, de um copo medidor e de uma taça, os ingredientes principais são a manteiga, o leite e um pouco de água, dirigem-se cuidadosamente ao supermercado e compram o ingrediente secreto, estará na secção dos bolos, procurem-no atentamente, é uma caixa vermelha que diz Royal no canto superior esquerdo, e mais abaixo diz Cheesecake, acompanhado de uma bela foto. Já em casa abram a caixa atentamente e sigam as instruções que são basicamente juntar a manteiga derretida ao primeiro preparado, o leite ao segundo e a água ao terceiro, se quiserem surpreender um pouco mais em vez da forma que vem dentro da caixa utilizem uma em forma de coração, que foi exactamente aquilo que fiz.
E agora ide, ide e lambuzai-vos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Loira, a cara suja

Há uns tempos atrás uma pessoa que me conheceu de bicicleta e capacete e que nunca me tinha visto de outra forma não me reconheceu à primeira vista. Depois pediu desculpa e disse-me que eu sou tão linda sem a minha bicicleta e sem o capacete enfiado na cabeça que ao ver-me nem sequer lhe passou pela cabeça que fosse a mesma pessoa. Não é a primeira vez que me acontece, já aconteceu vezes sem conta.

Dias depois o meu colega de trabalho estava a comentar comigo a falta de beleza de um possível engate (coisas de gajos) e dizia-me que as fotos que a pessoa em causa publicava no facebook eram mesmo horríveis. Eu lá lhe disse que a falta de beleza não era tudo, mentira, não disse nada, eu disse-lhe é que a gaja devia ser mesmo feia porque toda a gente publica no facebook as melhores fotos que tem. Ele concordou comigo, disse-me que era verdade, toda a gente menos eu, segundo ele eu só publico fotos de cara suja.

Esta semana fui a uma aula de Cycling quase vazia, as outras pessoas ficaram numa ponta e eu fui sozinha para a outra, durante aquela hora fui só eu, a música, os meus pensamentos e o meu reflexo no espelho enquanto pedalava. Durante aquela hora olhei-me e tive orgulho em mim, senti-me bonita ainda que despenteada e suada, gostei de me ver de equipamento e com as minhas meias, achei-me uma miúda linda, como me acho sempre que estou vestida e pronta a pedalar. Durante aquela hora lembrei-me dos episódios que descrevi anteriormente e pensei que toda a gente pode achar o contrário, mas a minha essência é esta, felizmente sinto-me bem e bonita muitas vezes, quase todos os dias, mas linda mesmo sinto-me (SOU) quando estou de cara suja.



Apresento-vos A Loira. Eu.