Geralmente gosto daquilo que escrevo. Gosto porque escrevo com a alma e com o coração, gosto porque sinto. Mas há sentimentos que passado algum tempo já não nos fazem sentido e as frases que ficam deles consequentemente também não. É estranho por vezes ler o nosso passado, lembrar de uma ou outra situação e ver como se escreveu sobre ela, se fosse agora a escrita seria totalmente diferente ou então já nem seria suficientemente importante para tema de post. Por isso é que um blog não passa de um diário, que nos acompanha em diversas fases de vida e que muda connosco.
Confesso que por vezes gosto tanto daquilo que escrevo que tenta-me a ideia de o mostrar ao mundo. Não ao mundo do Blog, mas ao meu mundo. Partilhar com aqueles que me conhecem realmente, que se cruzam comigo na rua, no café, no ginásio, nas maratonas ou na vida. Conheço algumas pessoas do mundo do Blog e daqui, da vida que o fazem e sinceramente admiro-lhe a coragem. Apesar de já me ter apresentado a algumas pessoas daqui (Blog) e de já ter apresentado o Blog a algumas pessoas daqui (Vida) partilhá-lo de facto com toda a gente, assumir-me como a autora para o meu mundo assusta-me. Assusta-me a ideia de o Blog deixar de me servir para escrever por toda a gente o ler, mas assusta-me ainda mais perder o mistério perante as pessoas e toda a gente pensar que me conhece verdadeiramente só porque lê aquilo que escrevo. Eu sei que não é assim, vocês sabem que não é assim, não basta ler-nos, há que compreender cada sentimento, cada entrelinha, há que interpretar da forma correcta, mas penso que só têm a capacidade de saber isso aqueles que escrevem. E perco a coragem da partilha quando imagino os olhares de "Eu li aquilo que escreveste". É o que vos digo era "A" fim do mundo em cuecas e além de tudo isso chego sempre à conclusão que ter uma espécie de vida dupla é muito mais divertido.


