Já fui convidada por uma equipa de competição para me juntar a eles, convidou-me o líder da equipa, campeão nacional da categoria dele na modalidade de maratonas BTT. A minha primeira reacção foi aceitar, posso agora confessar que por pura vaidade, vestir o mesmo equipamento deles, partir nas maratonas na linha da frente, competir para o campeonato e a taça nacionais ao lado de grandes atletas. Por vaidade aceitaria, sem dúvida, só tinha de cumprir os planos de treino e de suplementação à risca e aparecer linda e loira como sempre para pedalar e competir ao lado deles, nos primeiros tempos nem sequer me exigiriam resultados porque teria, obviamente, de me habituar e de aprender a competir como eles. A minha segunda reacção foi pensar e tomar a decisão acertada, dizer-lhes que era um orgulho ser convidada mas a minha resposta era não. O que gosto mesmo nisto do BTT é de me divertir, é de conhecer pessoas, é de ir quando me apetece e não por obrigação, o que gosto mesmo é do convívio com os amigos, de dizer piadas aos desconhecidos e de falar com toda a gente, o que gosto mesmo é de passear de bicicleta. Um destes dias uns rapazes passaram por mim a descer e quase me fizeram cair, coisa difícil posso dizer-vos, porque eu adoro descer, desço muito bem e é muito difícil algum conseguir passar-me, fiquei fula, tive de desmontar por culpa deles, logo na subida seguinte estavam todos a subir com as bicicletas à mão, eu lá fui subindo, sempre montada, passando as pedras e os rapazes, sempre calada porque, verdade seja dita, a subida era muito difícil e falar era coisa que não conseguia. Quando cheguei cá em cima tinha duas opções, continuava até ao final sem sequer lhes ligar, se tivesse o tal espírito competitivo ou esperava por eles para lhes dizer que a descer todos os santos ajudam, mas para subir era preciso saber andar de bicicleta, depois ficava por lá a falar um bom bocado, a conversar e a mandar umas bocas como fiz e lá arranjei mais uns amigos que quase foram inimigos. Continuei a pedalar e enquanto acabava a maratona pensei em todas as vezes que ele continua a insistir comigo para me levar para a tal equipa e que continuo a estar certa de cada vez que lhe digo que não porque para competir é necessário ter esse tal espírito competitivo e eu sou, garantidamente, o oposto.