segunda-feira, 12 de março de 2018

Uma cãopanhia muito especial

Saímos de casa para um voltinha soft e sem nada de especial planeado, o trajecto pensado foi subir os estradões das nossas serras e curtir uma tarde de sábado bem passada. Com poucos quilómetros no contador e logo no início da subida do troço encontramos um cãozinho que correu atrás das bicicletas, muito feliz. Confesso que por vezes sinto um pouco de medo dos cães, tanto de possíveis ataques como da possibilidade de provocarem uma queda, mas o, ou a, orelhas só queria brincar, e muito, muito mimo. Continuamos a nossa subida e o orelhas continuou atrás de nós, apesar de lhe tentarmos explicar que devia ir para casa, subiu connosco até ao topo da montanha, altura em que achamos que finalmente se tinha cansado e que voltaria a casa, estávamos muito enganados, assim que começamos a descer o orelhas ligou o turbo e fez a descida toda de gás colado e ao nosso lado, com as orelhas ao vento, a língua de fora e com uma alegria que é difícil explicar, já no fim da descida percebemos que era impossível o cãozinho voltar a casa sozinho e em vez de continuarmos pelo trajecto pensado seguimos pela estrada, pela alternativa mais perto e mais fácil da casa da nossa cãopanhia tão especial. Sempre ao nosso lado, sem querer beber a água que lhe dávamos e sempre de orelhas ao vento chegou a casa, depois de nos acompanhar por mais de 20 km e de ter uma tarde de sábado cheia de aventuras. Ele e nós, que adoramos a cãopanhia e a experiência.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Os meus livros #11 - Sono (Haruki Murakami)





SINOPSE


«Há dezassete dias que não durmo.»


Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.







Tão pequeno e tão intenso que é fácil pegar nele e ler de uma assentada. Onde nos leva a loucura, ou o que nos leva à loucura é a frase que se impõe enquanto as poucas páginas passam e a grande história avança. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Pray for people

Depois da minha aula de cycling e do meu tão merecido banho preparava-me para ir para casa depois de um longo dia quando ouvi chorar, chorar com vontade, chorar do fundo da alma. Era a Leonor, uma miúda que estava sozinha a um canto e que tinha lágrimas sentidas. Fui ter com ela, tentei acalmá-la, tentei perceber o que se passava com ela, voltei a tentar que ficasse mais calma, tentei que se esquecesse um pouco do que me tinha dito, brinquei com ela e ajudei-a a vestir-se. Entretanto outra senhora juntou-se a nós e ficou lá por um bocadinho. Quando saí tentei confirmar e perceber um pouco melhor a história da Leonor, era tudo verdade o que a Leonor me tinha dito, fui para casa tristíssima e ainda me entristeço sempre que penso nisso, vai acontecer sempre, o nosso mundo é abalado quando percebemos que uma mãe às vezes pode não saber sê-lo, de uma forma tão intensa que é assustador. Eu e a Leonor ficamos amigas, espero poder vê-la muitas vezes, espero poder ver-lhe o sorriso e não aquele rosto triste e aquelas lágrimas de alma.
No meio de toda esta história vim embora a olhar para trás, o balneário do ginásio estava cheio quando a Leonor chorava sufocada, só eu e depois outra pessoa é que fomos ter com a Leonor, é que quisemos saber o que se passava, é que tentamos ajudar de alguma forma. As outras pessoas que estavam no balneário são as mesmas que por estes dias mudam as fotos de perfil no facebook, muito solidárias com a Síria, como se mudar uma foto de perfil no Facebook fosse mudar alguma merda no mundo. Estejamos solidários, estejamos revoltados, façamos o que pudermos, por favor, mas se queremos mesmo mudar alguma coisa no mundo, não é com fotos de perfil que vamos lá. Se queremos mesmo mudar alguma coisa no mundo, comecemos por olhar atentamente para o lado, por perguntar aos outros se está tudo bem, por perguntar aos outros se precisam de alguma coisa, às vezes apenas um abraço ajuda, ajuda muito, foi o que bastou à Leonor para um grande sorriso, um abraço e a promessa de que podemos ser amigas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Os meus livros #10 - Os Meninos que enganavam os Nazis (Joseph Joffo)



Sinopse


A luta pela sobrevivência contada por um menino judeu na França ocupada pelos nazis. Uma história verídica. 1941, Paris é uma cidade ocupada pelos exércitos nazis. o poder de Hitler controla a França; as perseguições e o medo pairam por todo o país. Joffo, um respeitado barbeiro judeu, decide dispersar a sua família de forma a evitar o destino cruel que os espera a todos.

Depois da fuga dos filhos mais velhos, perante o perigo sempre à espreita, Joseph, de apenas dez anos, e Maurice, de doze, deixam também a capital, entregues a si próprios, para tentarem escapar à brutalidade e à morte. Uma impressionante história autobiográfica, narrada pelo irmão mais novo, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da amizade, da generosidade, do espírito de entreajuda.





Apesar da repetição do tema, o qual nunca me cansa, este livro é completamente diferente de tudo o que já li sobre o assunto. Uma história que se sabe triste, mas que não deixa de ser feliz. 

terça-feira, 6 de março de 2018

Este blog não é sobre livros

É sobre mim. Mas acontece que depois de um ano com uma espécie de bloqueio de leitora voltei a ser eu e a ler os meus livros como quem come melancia fresca num dia de calor infernal. Este blog não é sobre livros, é sobre mim, mas eu sou feita de páginas, de histórias, de personagens, de locais, de capas, de cheiros, de imaginação, de paixão e de sonhos. Este blog não é sobre livros, é sobre mim, mas eu sou feita de livros. 

segunda-feira, 5 de março de 2018

Os meus livros #9 - Destinos e Fúrias (Lauren Groff)





Sinopse



À primeira vista, Mathilde é a mulher perfeita. Porém, todos os casamentos têm dois lados. Leia o bestseller do New York Times que conquistou o mundo. Todas as histórias têm duas versões. Todas as relações têm dois pontos de vista. Contudo, às vezes, a chave para um bom casamento não está na honestidade mas nos seus segredos. Lotto e Mathilde, jovens altos e bonitos de 22 anos, estão perdidamente apaixonados e destinados aos maiores sucessos. Uma década mais tarde, o casamento ainda é alvo das invejas dos amigos, mas a realidade afigura-se mais complexa e extraordinária do que as aparências dão a entender.






O livro que demorei um ano a ler e que esperou por mim, pacientemente. Muito, muito bom. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

I Love Mondays

Sábado, 100 km numa bicicleta de estrada, entre montanhas e como meta um destino duro. Mais duro ainda foi o regresso. Que dor de pernas.
Domingo, 52.5 km de BTT puro e duro, com subidas intermináveis, descidas alucinantes, muita técnica e a passagem pelo que considero o meu topo do mundo.




Às segundas sim, às segundas posso finalmente sentar-me confortavelmente na minha cadeira do escritório e descansar. I Love Mondays.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Os meus livros #8 - As Mulheres de Summerser Abbey (T. J. Brown)

Sinopse
Centrado na vida de três jovens que procuram encontrar o rumo para o seu futuro, As Mulheres de Summerset Abbey é um romance histórico que retrata com rigor e pormenor os hábitos de uma classe e estilo de vida. Trata-se de uma história apaixonante ambientada numa das épocas mais fascinantes da história europeia.
 
Sir Philip Buxton criou três jovens num lar que desafiava a tradição. A filha mais velha, Rowena, aprendeu a dar valor às pessoas, não à sua riqueza ou posição social. Mas tudo aquilo em que acreditava vai ser testado na sequência da morte do pai, quando ela, a irmã e a sua amiga Prudence são forçadas a mudar-se para a propriedade do tio, Summerset Abbey.

Fisicamente frágil, mas com uma mente viva e ágil, Victoria sonha em frequentar a universidade e tornar-se botânica, à semelhança do pai. Mas este não é o único sigilo de Victoria, que acaba por descobrir um segredo de família que, se for revelado, tem o potencial de mudar várias vidas para sempre…

Prudence cresceu feliz ao lado de Rowena e Victoria, e o laço que as une é tão forte como se fossem irmãs. Mas ela é a filha da governanta e para o lorde de Summerset isso faz com que seja apenas mais uma entre os criados da propriedade. Prudence fica dividida entre dois mundos: o dos privilegiados e o dos criados, sem saber verdadeiramente qual o seu lugar no mundo.




Depois de ler a Sinopse não há muito mais a dizer, a não ser que As Mulheres de Summerset Abbey me veio parar às mãos numa troca com promoção e que quando o trouxe para casa nunca imaginei gostar tanto dele. Este é o livro ideal para quem gosta de contos históricos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Os meus livros #7 - Fetiche (Tara Moss)



Sinopse


Makedde Vanderwall é estudante de Psicologia Forense e, nas horas vagas, modelo internacional. Contactada pela agência para realizar alguns trabalhos de moda e relançar a sua carreira, viaja até Sydney, aproveitando a oportunidade para visitar a sua melhor amiga, Catherine Gerber. Mas as passarelas e as intrigas do mundo da moda depressa perdem importância quando Mak tropeça literalmente no corpo mutilado da amiga. Catherine é a mais recente vítima do «assassino dos stilettos», um homicida cruel que sequestra as suas presas e as tortura, para em seguida as matar. Incapaz de se afastar da investigação, Mak ver-se-á enredada num mortífero jogo do gato e do rato, longe de saber que ela própria se tornou na obsessão de um sádico psicopata...





Quando estou muito cansada escolho livros que não leria noutras circunstâncias. Este é um policial bastante básico mas que foi óptimo para aqueles dias em que sabe mesmo bem ler palha. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Os meus livros #6 - Dois irmãos (Milton Hatoum)

Sinopse
 Em Manaus, grande porto nas margens do rio Negro, na Amazónia, vivem-se as décadas douradas de Febre da Borracha, no dealbar do século XX. Na casa da família de Halim, a convulsão é de outra natureza. Yaqub e Omar são gémeos idênticos, nascidos no seio de uma família de origem libanesa. Parecem-se muito, mas por dentro são diametralmente diferentes. Yaqub é silencioso e introspectivo e passa o tempo com a cabeça enfiada em livros. Por seu lado, Omar, o preferido da mãe, é de caracter alegre e impulsivo. Une-os - ou separa-os - a paixão pela mesma mulher e a disputa pelo amor dos pais. Depois de alguns anos a viver no Libano, Yaqub regressa ao Brasil e instala-se numa vida de sucesso. Omar, pelo contrário, entre numa espiral de vícios, rancores, conflitos insolúveis e relações incestuosas. Há ainda Nael, filho da empregada da casa. Também ele tem os seus fantasmas e tenta, na busca, pela identidade do pai, reconstruir o seu passado. É ele quem nos conta a história do lento declínio da família, numa casa que se desfaz, imersa no sufocante calor da Amazónia, num quotidiano minado pela paixão, a vingança e o incesto. Da autoria das vozes maiores da literatura brasileira contemporânea, Dois Irmãos é uma tapeçaria de personagens inesquecíveis, um retrato vibrante de uma cidade e de um país em mudança, uma reflexão sobre o futuro que é possível reconstruir a partir das ruínas.



Uma grande história que não me conseguiu prender completamente por ser escrita em Português do Brasil. Mea culpa. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os meus livros #5 - Todo começo é Involuntário (Maria Isabel Moura)

 

Sinopse


Um romance frontalmente erótico, sim, escrito, assumido por uma mulher, que nos franqueia sem ambages o universo dos desejos, das práticas, dos prazeres femininos. Aliás na fronteira entre erotismo e pornografia, que é aliás difusa e mais ou menos convencional, para não dizer hipócrita. O que chama este romance para o terreno da literatura, salvando-o de qualquer semelhança com simples relatos de cama desenvoltos, é a qualidade da escrita. Em termos muito simples, Maria Isabel Moura é uma contadora de histórias da linha de Sade, de Henry Miller, de Anais Nin.








Uma mistura de romance, de erotismo e de pornografia que me veio parar às mãos por acaso e que mostra muito da psicologia humana.