Comprei uma bandolete com umas hastes enormes de rena, enormes e com uns guizos que lhe dão um efeito ainda mais giro. Fui buscar a bandolete para pedir ao Moreno que a prendesse no meu capacete. O Moreno diz que ainda é muito cedo para eu andar com aquilo. Eu digo que já é quase Natal e que quero levar aquilo para o monte. O Moreno diz que aquilo ainda fica preso numa árvore e ainda parto o pescoço. Eu digo que quero aquilo, e quero, e quero, e quero. Ele diz que me prende aquilo ao capacete mas só mais perto do Natal. Eu digo que era fixe levar aquilo ao passeio do dia 7. Ele diz que é melhor levar só ao passeio do dia 14. Eu digo que aquilo é tão fixe. Ele diz que sou tolinha. Eu vou atrás dele, sempre com a bandolete na cabeça. Ele vai a sair de casa e chama o elevador. Eu vou com ele para lhe dar um beijinho. A porta do elevador abre-se e sai de lá o meu vizinho da frente que se começa a rir, e a rir, e a rir, cada vez dá gargalhadas mais altas e coloca a mão na barriga. Eu fico a olhar para ele com cara de rena, entro em casa e penso: se o Moreno não me prende a merda dos cornos ao capacete vou pedir ao vizinho da frente, não é por nada, mas parece-me que ele adorou.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
A lutadora
Hoje é o dia de aniversário de nascimento da minha avó Joana. Partiu há 11 anos, na semana anterior ao Natal, 12 anos depois dos médicos chamarem a família para lhes (nos) informar de que só viveria, no máximo, mais 6 meses.
É a emancipação masculina, é a invasão dos rosinha, é a tragédia, o horror. Socorro!!!
Antes de começar a pedalar não gostava de cor-de-rosa, nunca gostei, até quando era miúda, não descansei enquanto não convenci a minha mãe a tirar tudo o que era cor-de-rosa do meu quarto e colocar tudo verde, antes de 2010 não havia uma única peça de roupa ou acessório cor-de-rosa no meio das minhas coisas. Depois de começar a pedalar no meio do monte e no meio dos homens quis marcar a diferença, se agora não há muitas mulheres a fazer BTT, quando eu comecei eram ainda mais raras, talvez por isso o meu lado feminino falou mais alto e comecei a achar graça aos equipamentos cor-de-rosa, apaixonei-me por uma bicicleta preta e cor-de-rosa, comprei um capacete com cor-de-rosa, acessórios cor-de-rosa, mais peças para a bicicleta em cor-de-rosa e meias, no meio das meias coloridas a maioria são cor-de-rosa. Além de fazer um enorme sucesso, de toda a gente comentar a loira de cor-de-rosa e de toda a gente me ficar a conhecer, o cor-de-rosa era óptimo quando ia a uma maratona para encontrar as minhas fotos, era só abrir os álbuns das fotos na versão mais minúscula e facilmente detectava uma pinta cor de rosa no meio do verde e do castanho das montanhas, era eu a tal pinta cor-de-rosa, nunca havia dúvidas. Depois começaram a chegar mais mulheres ao BTT e de tempos a tempos as pintas cor-de-rosa começaram a ser mais e eu comecei a abrir fotos de outras miúdas, lindas de morrer, situação que me deixava muito feliz, era só procurar mais um bocadinho por outra pinta, a minha. Mas agora??? Agora é impossível. Agora são homens e mais homens vestidos de cor-de-rosa no meio do monte. Agora são equipas inteiras vestidas de cor-de-rosa. Agora são pintas e mais pintas e mais pintas cor-de-rosa. A sério, façam-nos parar, eu não aguento isto, um dia destes abri uma foto a pensar que era eu e saiu-me um homem, gordo, com uma barriga enorme, o capacete de lado e ainda por cima com bigode, vestido de cor-de-rosa. O cor-de-rosa é meu. Socorro, querem tirar-me o protagonismo.
O carteiro toca sempre duas vezes
Depois de "O Perfume da Savana" recebi o segundo livro de Ludgero Nascimento dos Santos.
Fico com esperança de um dia destes poder ir ao lançamento de um terceiro livro seu, para o conhecer pessoalmente e lhe agradecer por tudo. Não foram simplesmente livros.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Vivo no mundo das montanhas
Às vezes só pensamos no prazer de subir uma montanha quando chegamos ao topo e olhamos cá para baixo, para a imensidão que nos rodeia. Só nesse momento é que respiramos fundo, apreciamos o mundo à nossa volta e nos sentimos grandes, enormes, por estarmos ali, por conseguirmos. Às vezes não temos essa possibilidade, de chegar lá em cima e olhar cá para baixo, tudo o que há está lá em cima, somos nós e alguns metros de terreno que nos rodeia, às vezes a natureza ensina a aproveitar e a aprender com a subida, o topo é só um dos objectivos, mas para lá chegar e de lá voltar temos de aproveitar cada momento da subida e da descida.
(No Domingo só via dois palmos à frente do nariz, mas a satisfação de estar lá em cima foi tão grande que nem consigo explicar)
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Se fosse a vocês não punha cá as teclas antes de 2015
Fui ontem comprar as decorações de Natal, assim que cheguei a casa tratei logo da minha árvore. Sempre adorei o Natal e o espírito natalício, as prendinhas, as cidades iluminadas, as músicas lamechas e depressivas a tocar enquanto caminhamos cheios de frio e com uma lista incompleta de coisas a comprar e a tratar, sempre adorei os doces e a noite com a família em frente à lareira a trocar embrulhos. Nos últimos anos o Natal não teve o sabor de que tanto gosto, passei os dias anteriores e seguintes a visitar o meu pai no hospital, fiz compras a correr e sem prazer, respirei fundo só quando o tive em casa e só me lembrei que era Natal porque, felizmente, terminou tudo bem. Este ano é Natal, há Natal cá em casa e eu vou ficar tão chata, tão lamechas e tão nhónhónhó que se fosse a vocês não punha cá as teclas antes de 2015.
Pergunto:
O "quando o José Sócrates foi detido eu estava a..." é o novo "no 25 de Abril eu..." e/ou "no 11 se Setembro eu estava a..." , não é?
sábado, 22 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Por falar em ter um blog de sucesso
Acham que se eu lhe conseguir colocar um capacete, um jersey rosa e umas meias às riscas coloridas chego lá?
Como ter um Blog de sucesso - Aula para as pessoas do norte - grátis
Não escrevam palavrões no Blog. Não escrevam palavrões no Blog. Não escrevam palavrões no Blog.
(Sim, sim, eu sei que também escrevo palavrões no Blog, mas eu posso, estamos entendidos? Que caralho.)
Quando a esperança acaba
Não vão procurar mais o João. Acabou. Acabaram as buscas e acabaram as esperanças nos corações que estes dias o acompanharam. Tive que ler a notícia em três locais diferentes, hoje pela manhã, para conseguir acreditar. Estes dias não consegui dormir sem saber notícias dos que andavam por lá e ao acordar era a primeira coisa que ia ver, dizem que a esperança é a última a morrer por isso acho que como eu, todos os que se preocuparam com o João acreditaram até agora num milagre. Milagre que não vai acontecer.
O João era uma inspiração, pedalou, literalmente, pelos quatro cantos do mundo, pisou o chão mais inconstante e viu as montanhas mais altas, viveu intensamente e com paixão, como todos deveríamos viver. O João arriscou a vida dele no topo das montanhas, nós arriscamos a nossa vida todos os dias, a fazer o que quer que seja. O João ficou por lá, nas montanhas, mas ficou por lá a fazer aquilo que realmente gostava, aquilo que realmente lhe dava prazer, o João viveu cada dia com a intensidade e a paixão que pouquíssimos de nós conseguirão um dia. O João continua a ser uma inspiração para mim.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Em minha casa ando quase sempre nua
Primeiro é só um sítio, secreto, único, vazio, cheio de espaços em branco para preencher com pedaços nossos, tal e qual como uma casa quando a vamos ver pela primeira vez, pronta para ser transformada até ser a nossa casa, o nosso sítio. Depois começam a chegar as pessoas, as visitas, inicialmente são poucas e não percebemos bem como chegaram até nós, depois chegam mais e mais. Também nós nos aventuramos a conhecer outras casas, outros mundos, pontos de vista opostos ao nosso. Não resistimos e contamos sobre este sítio a algumas das nossas pessoas, outras acabam por o descobrir sem a nossa ajuda. Não resistimos e trazemos pessoas deste nosso sítio, desta nossa casa para a outra, o nosso sítio e a nossa casa na vida. Continuamos a preencher os espaços em branco, continuam a chegar mais pessoas e a instalar-se confortavelmente enquanto nos conhecem melhor. Passamos por muitas fases, preenchemos os espaços com gargalhadas, com sorrisos, com aventuras, com opiniões, com pequenas coisas que não interessam a mais ninguém, com muitas coisas que podem interessar a muitos, com tristeza, com sentimentos escondidos nas entrelinhas, com lágrimas ou com sabedoria. Uns gostam de nós, voltam sempre, outros nem por isso e nunca mais cá põem as teclas, uns querem entrar para sujar, não devem estar habituados a limpar os pés à porta da casa deles. Às vezes passamos o dia inteiro a ter ideias para preencher este nosso espaço, outras vezes a inspiração desaparece por tempo indeterminado. Depois chega o dia em que queremos muito escrever um post e por qualquer motivo não podemos, o espaço que queremos muito preencher não pode ser lido, é nesse dia que isto deixa de ter piada. O meu sítio, a minha casa, continua a ter piada para mim, em minha casa ando quase sempre nua e não há nada nem ninguém que me obrigue a vestir.
Histórias cozinhadas
Não há muito tempo atrás ia ao cinema todas as semanas, estava sempre atenta às novidades e não perdia uma estreia. Com o tempo comecei a ficar mais preguiçosa, a preferir ficar em casa, a deixar de lado o cheiro enjoativo a pipocas e o barulho que as pessoas que enchem a sala fazem a comer, por isso comecei a fazer uma lista dos livros que ainda me faltavam transformar em filme e dos filmes que queria realmente ver. A lista foi crescendo e crescendo e crescendo assim como as desculpas para deixar sempre a lista e os filmes para amanhã. Estes dias alguém me perguntava se o livro A rapariga que roubava livros era igual ao filme, agora já sei responder, vi o filme também por estes dias, muito tempo depois de o ter colocado na tal lista, não é igual, o livro é muito melhor, talvez por isso a minha lista continue a aumentar e eu deixe sempre o próximo filme para depois, porque para mim os livros são sempre melhores que os filmes. Porque, às vezes sabe bem comer uma refeição de fast food mas não há nada que se compare à comida tradicional, igual à que fazia a minha avó Joana. Porque os filmes são a fast food de quem não tem o tempo ou a paixão necessária de cozinhar uma história da forma tradicional e de a saber saborear e apreciar.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
O Perfume da Savana de Ludgero Nascimento dos Santos
Foi o livro que me acompanhou nos últimos dias e que me foi enviado e oferecido pelo autor do mesmo. Deu-me a conhecer África, nos tempos em que ainda era uma colónia portuguesa, deu-me a conhecer a cultura, as paisagens, os segredos, as pessoas e tudo o que as envolve. A história decorre num local e numa época desconhecidos para mim mas fez-me viver esses momentos, fez-me ter a certeza de que se tivesse vivido num outro tempo seria muito parecida com a Isabel, a personagem principal do livro, se estivesse por lá com ela, ou como ela, também não aceitaria as regras que a sociedade impunha, também não aceitaria o papel que atribuíam às mulheres. Acima de tudo o livro fala de uma linda história de amor que me fez ficar muito triste, mas que me deixou com a esperança de que não seja só uma história que preenche as páginas de um livro e sim que seja uma história que tenha realmente acontecido naquela terra apaixonante e inebriante.
O gesto de Ludgero Nascimento dos Santos ao oferecer-me este seu primeiro livro, que já não está à venda porque logo depois da primeira edição a sua editora fechou, foi muito importante para mim. Só entenderá quem é tão apaixonado por livros como eu. Brevemente vou ler o seu segundo livro, A Mulher do Capitão e fiquei com esperança de um dia destes poder ir ao lançamento do um terceiro livro seu. Quanto ao O Perfume da Savana, sinto-me especial por o possuir, já que é tão raro, e que o recebi de uma forma única para mim, pretendo guardá-lo para sempre com um carinho particular.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Loucas são as noites que passo a sonhar
Sonhei. Só isto já é suficientemente assustador porque é raro sonhar. Ainda bem, detesto sonhar. Sonhar, só é bom acordada. Sonhei e lembro-me do sonho. Que medo. Das pouquíssimas vezes em que me acontece sonhar nunca me lembro do sonho, consigo lembrar-me vagamente de que sonhei com uma pessoa, ou com um local e pouco mais. Não sei se já disse isto, detesto sonhar. Hoje sonhei e lembro-me do sonho. Estava num barco, estavam lá muitas pessoas, não me lembro se conhecia alguma, começou a entrar água para dentro do barco e eu queria salvar-me mas cada vez havia mais água, aparentemente só eu é que estava em perigo porque as outras pessoas estavam calmas e serenas, estendiam-me a mão para me ajudar mas eu não conseguia chegar a nenhuma delas. Detesto sonhar, fico sempre com uma sensação estranha. Detesto ainda mais lembrar-me das porcarias com que sonhei. Hoje dói-me o gémeo da perna esquerda e a minha tendinite do ombro direito voltou, acho que fiz demasiado esforço a tentar salvar-me, às vezes mais vale dormir afogada do que desesperada. Não sei se já disse isto, detesto sonhar.
Caramba, consigo ser verdadeiramente inspiradora (tivesse eu uma cozinha toda branca e fazia disto um blog como deve de ser)
Sábado passeei-me entre a cama e o sofá, de pijama e pantufas, entre filmes e um livro, um cobertor e chá quente, fiz um bolo de chocolate e namorei, sempre com a casa a meia luz e a chuva a cair lá fora. Esteve um dia óptimo para a prática da modalidade.
Domingo levantei-me cedo e mesmo com chuva fui pedalar, entre a lama e o nevoeiro, o frio do vento e o calor das subidas, as montanhas imponentes e a vontade de sentir a liberdade que me provocam. Esteve um dia óptimo para a prática da modalidade.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Obrigada Zorro
Há muito tempo atrás, depois de uma troca de comentários, aconselhou-me a ler A Condessa de Rebecca Jonhs e A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak. Eu não resisti e comprei ambos de imediato. Adorei ler o primeiro e a A Rapariga que Roubava Livros depressa se tornou num dos meus livros preferidos. Gosto de agradecer gestos bonitos e que me fazem feliz, ainda que seja muito tempo depois.
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