quinta-feira, 17 de maio de 2018

O lixo de uns é a riqueza de outros

 Julieta nasceu na rua, a mãe foi abandonada e a Julieta e os irmãos nasceram e viveram os primeiros dias de vida na rua, depois foi recolhida pela associação dos gatos de rua e viveu numa família de acolhimento até eu a escolher para ser minha. Chegou doente e assim viveu durante os primeiros meses de vida, sempre a tomar medicação atrás de medicação. Vive comigo há oito meses. Está gorda, é meiga, traz-me o rato quando o atiro, insiste em dormir em cima do meu peito apesar de pesar quase 5 quilos e de quase me sufocar, amua, exige mimo, faz asneiras, mas sempre incentivada pela Alice, olha-me com amor e tem o focinho mais bonito e mais expressivo do mundo, cuida de mim e da Alice e faz o olhar mais triste do mundo quando percebe que eu vou sair de casa.
Sobre o nascimento da Alice não sei nada, chegou-me a casa a chorar, completamente independente e selvagem mas depressa se habituou ao carinho e ao mimo apesar de durante os primeiros tempos se notar muito os traumas dela, tentei devolver a Alice a quem de direito, mas foi-me impossível e por isso tomei a decisão de ficar com ela, já que ela me escolheu, continua a reclamar do colo para depois pedir colo a seguir, ronrona horas seguidas, tão alto que me consegue acordar, costumo dizer que a preta tem o motor da felicidade avariado, continua independente, mas pede mais mimo que a Julieta e retribui, dá tanto mimo que é impossível não lhe perdoar as asneiras que faz, comunica, mete-se em todos os buracos que vê e para ela o melhor lugar do mundo é acolhida num quentinho. Está comigo há cinco meses, reclama como ninguém e leva-me sempre à porta a hora da saída, está no mesmo sítio quando chego, à minha espera, quando saio à noite não vai para o quarto sem mim, espera-me na sala e quando percebe que já cheguei aí sim, vai para a cama dormir.

 

Poderia falar ou escrever sobre elas durante horas, sei perfeitamente que é um lugar comum, mas para mim é tudo novo e eu, quando escolhi a Julieta e quando deixei que a Alice me escolhesse, nunca imaginei sentir um amor tão grande por elas, nunca imaginei que isso fosse possível. Nunca imaginei que estas duas pestes fossem das melhores coisas que trouxe para a minha vida e que me fizessem tão feliz. O lixo de uns é a riqueza de outros. 

4 comentários:

  1. E eu que ainda sou do tempo em que não querias gatos? Olhe e desculpe a Ju não é gorda...é voluptuosa :P
    Su

    ResponderEliminar
  2. Que lindo post! E expressa tão bem o que tantos de nós sentimos!

    ResponderEliminar
  3. Eu sou suspeita que adoro gatos, mas eles são espetaculares :)

    ResponderEliminar
  4. São ambas umas beldades e nesse cenário então...
    Cuidado, Loira, os gatos são comos os livros: um vício maravilhoso. :-)
    Paula

    ResponderEliminar

Aqui não há censura...